SEGUNDO ATO
Homem, rapaz
RAPAZ — Sou apenas um jovem que acabou de perder a mulher e que foi assaltado. Mas o que mais me dói é a perda da mulher que amo (mostrando o anel prateado do dedo direito).
HOMEM — E como foi essa perda?
RAPAZ — Ela não aceita quem eu sou. Até a minha sogra impediu a minha entrada em casa.
HOMEM — Quem tu és? O que tu faz?
RAPAZ (tristonho) — Ela diz que eu devo tomar rumo na vida. Muito prazer, Ardo.
HOMEM — Como, não ouvi?
RAPAZ — Ardo.
HOMEM — E por que Ardo tem que tomar um rumo na vida?
RAPAZ — Porque eu sou Promoter. Trabalho com eventos, festas. Ela é muito ciumenta. Ela acha que eu to traindo ela.
HOMEM — Ela teria razão em pensar isso?
RAPAZ — Não. Nunca fiz isso. Qual é o teu signo?
HOMEM — Áries.
RAPAZ — Áries?! Signo de pessoas calmas. Combina com o meu?
HOMEM (Sorri de surpresa) — Pessoas calmas? (Sorrindo) E qual o teu signo?
RAPAZ — Leão. Áries e Leão são signos que se dão bem.
HOMEM — Nossa temos um astrólogo!
(O rapaz ri).
RAPAZ — Não chegamos a tanto. Mas o ariano é calmo, sereno, não gosta de briga, seguro.
HOMEM — Nossa... calmo, sereno, não gosta de briga, seguro... A tua namorada é de Áries para teres tanta experiência com os astros?
RAPAZ — Não, ela é de Peixes.
HOMEM — E cadê a tua namorada agora?
RAPAZ — Ela pegou um carro e saiu desesperada pela free way.
HOMEM — Quantos anos tu tens?
RAPAZ — Dezoito
HOMEM — E ela?
RAPAZ — Dezessete.
HOMEM — Dezessete anos dirigindo na Free Way?
RAPAZ — Sim, ela tem uma carteira especial de motorista. Mas ela só pode dirigir com a mãe dela. A questão que ela não está com a minha sogra. Na verdade nem sei se ainda é minha sogra. Essa mulher me odeia. Ela é uma perua. Ainda bem que o carro é automático.
HOMEM (desconfiado, mas controlando as emoções. Agindo naturalmente) — Então a tua namorada foi de carro, sozinha, para Porto Alegre, sem a tua sogra, que por lei, deveria estar no carro com ela. Creio que esteja faltando alguma coisa nessa história para que ela precisasse sair de uma maneira tão... descontrolada.
RAPAZ (com pesar) — A minha namorada é muito ciumenta. Ela toma remédios. Ela é bem descontrolada. O que eu mais quero é tê-la comigo. Que ela me aceite de volta.
HOMEM — Mas ela vai te aceitar. Tenha fé.
RAPAZ — Eu acredito no meu São Jorge.
HOMEM — Muito bem. São Jorge, então, vai te ajudar.
RAPAZ — E para piorar o meu caso ainda fui assaltado.
HOMEM (virando-se para o rapaz) — Hum!
RAPAZ — Nunca mais venho a Tramandaí. O cara pegou minha mochila. Mandou que eu desse o meu celular. A sorte que eu tinha dez reais no bolso. Foi por isso que eu paguei a passagem. Quanto custava a passagem?
HOMEM — Eu peguei R$ 22.
RAPAZ (sorrindo) — Tive um desconto.
HOMEM (sorriso amarelo) — Sim. Veja o lado bom de tudo isso. Agora está indo para casa e resolver tudo com a sua namorada.
RAPAZ — O pior é se eu não resolver. Eu moro com elas.
HOMEM — E teus pais?
RAPAZ — Minha mãe morreu no meu parto. E meu pai morreu quando eu tinha quinze anos.
(Silêncio. Por-do-sol. Trânsito congestionado. Os dois olham por cima das poltronas)
RAPAZ — Era o que estava faltando.
HOMEM — Mas de todos os males, o congestionamento é o menor drama de todos. Já já continuaremos.
RAPAZ — E tu. Me conta. Quem tu é? Fala um pouco de ti.
HOMEM — Sobre o que queres saber?
RAPAZ — Tua profissão, por exemplo. A cor dos teus olhos, que eu ainda não vi.
HOMEM — Mas para que ver a cor dos meus olhos se eles tem a mesma cor dos teus?
RAPAZ — Verdes?
HOMEM — Não. Mas eu posso ver os teus, e eles não são verdes. São castanhos.
RAPAZ — Sem o sol, eles são verdes.
HOMEM — Então o dono desses olhos verdes que só refletem essa cor na sombra é um Promoter.
RAPAZ (pondo a cabeça na poltrona e olhando para o homem. Sorriso e olhar maliciosos) — Sim, um viajante.
HOMEM — Viajante?
RAPAZ — Sim, já fui para muitos lugares no mundo: Londres, Estados Unidos, Paris.
HOMEM — Que bacana! Quanta experiência já na tua idade!
RAPAZ — Conheço pessoas no mundo inteiro.
HOMEM — E como tu fez para viajar por todos esses lugares?
RAPAZ — Sendo um viajante.
HOMEM (desconfiado, mas agindo naturalmente, mentindo, fingindo pesar) — Eu tenho o sonho de conhecer Paris. (Falsa euforia) Diga-me como é. O que conheceste por lá? (Pensando) — Agora eu pego esse gurizinho.
(Já era noite. O homem ainda escondia seus olhos por meio dos óculos escuros)
FIM DO SEGUNDO ATO
Homem, rapaz
RAPAZ — Sou apenas um jovem que acabou de perder a mulher e que foi assaltado. Mas o que mais me dói é a perda da mulher que amo (mostrando o anel prateado do dedo direito).
HOMEM — E como foi essa perda?
RAPAZ — Ela não aceita quem eu sou. Até a minha sogra impediu a minha entrada em casa.
HOMEM — Quem tu és? O que tu faz?
RAPAZ (tristonho) — Ela diz que eu devo tomar rumo na vida. Muito prazer, Ardo.
HOMEM — Como, não ouvi?
RAPAZ — Ardo.
HOMEM — E por que Ardo tem que tomar um rumo na vida?
RAPAZ — Porque eu sou Promoter. Trabalho com eventos, festas. Ela é muito ciumenta. Ela acha que eu to traindo ela.
HOMEM — Ela teria razão em pensar isso?
RAPAZ — Não. Nunca fiz isso. Qual é o teu signo?
HOMEM — Áries.
RAPAZ — Áries?! Signo de pessoas calmas. Combina com o meu?
HOMEM (Sorri de surpresa) — Pessoas calmas? (Sorrindo) E qual o teu signo?
RAPAZ — Leão. Áries e Leão são signos que se dão bem.
HOMEM — Nossa temos um astrólogo!
(O rapaz ri).
RAPAZ — Não chegamos a tanto. Mas o ariano é calmo, sereno, não gosta de briga, seguro.
HOMEM — Nossa... calmo, sereno, não gosta de briga, seguro... A tua namorada é de Áries para teres tanta experiência com os astros?
RAPAZ — Não, ela é de Peixes.
HOMEM — E cadê a tua namorada agora?
RAPAZ — Ela pegou um carro e saiu desesperada pela free way.
HOMEM — Quantos anos tu tens?
RAPAZ — Dezoito
HOMEM — E ela?
RAPAZ — Dezessete.
HOMEM — Dezessete anos dirigindo na Free Way?
RAPAZ — Sim, ela tem uma carteira especial de motorista. Mas ela só pode dirigir com a mãe dela. A questão que ela não está com a minha sogra. Na verdade nem sei se ainda é minha sogra. Essa mulher me odeia. Ela é uma perua. Ainda bem que o carro é automático.
HOMEM (desconfiado, mas controlando as emoções. Agindo naturalmente) — Então a tua namorada foi de carro, sozinha, para Porto Alegre, sem a tua sogra, que por lei, deveria estar no carro com ela. Creio que esteja faltando alguma coisa nessa história para que ela precisasse sair de uma maneira tão... descontrolada.
RAPAZ (com pesar) — A minha namorada é muito ciumenta. Ela toma remédios. Ela é bem descontrolada. O que eu mais quero é tê-la comigo. Que ela me aceite de volta.
HOMEM — Mas ela vai te aceitar. Tenha fé.
RAPAZ — Eu acredito no meu São Jorge.
HOMEM — Muito bem. São Jorge, então, vai te ajudar.
RAPAZ — E para piorar o meu caso ainda fui assaltado.
HOMEM (virando-se para o rapaz) — Hum!
RAPAZ — Nunca mais venho a Tramandaí. O cara pegou minha mochila. Mandou que eu desse o meu celular. A sorte que eu tinha dez reais no bolso. Foi por isso que eu paguei a passagem. Quanto custava a passagem?
HOMEM — Eu peguei R$ 22.
RAPAZ (sorrindo) — Tive um desconto.
HOMEM (sorriso amarelo) — Sim. Veja o lado bom de tudo isso. Agora está indo para casa e resolver tudo com a sua namorada.
RAPAZ — O pior é se eu não resolver. Eu moro com elas.
HOMEM — E teus pais?
RAPAZ — Minha mãe morreu no meu parto. E meu pai morreu quando eu tinha quinze anos.
(Silêncio. Por-do-sol. Trânsito congestionado. Os dois olham por cima das poltronas)
RAPAZ — Era o que estava faltando.
HOMEM — Mas de todos os males, o congestionamento é o menor drama de todos. Já já continuaremos.
RAPAZ — E tu. Me conta. Quem tu é? Fala um pouco de ti.
HOMEM — Sobre o que queres saber?
RAPAZ — Tua profissão, por exemplo. A cor dos teus olhos, que eu ainda não vi.
HOMEM — Mas para que ver a cor dos meus olhos se eles tem a mesma cor dos teus?
RAPAZ — Verdes?
HOMEM — Não. Mas eu posso ver os teus, e eles não são verdes. São castanhos.
RAPAZ — Sem o sol, eles são verdes.
HOMEM — Então o dono desses olhos verdes que só refletem essa cor na sombra é um Promoter.
RAPAZ (pondo a cabeça na poltrona e olhando para o homem. Sorriso e olhar maliciosos) — Sim, um viajante.
HOMEM — Viajante?
RAPAZ — Sim, já fui para muitos lugares no mundo: Londres, Estados Unidos, Paris.
HOMEM — Que bacana! Quanta experiência já na tua idade!
RAPAZ — Conheço pessoas no mundo inteiro.
HOMEM — E como tu fez para viajar por todos esses lugares?
RAPAZ — Sendo um viajante.
HOMEM (desconfiado, mas agindo naturalmente, mentindo, fingindo pesar) — Eu tenho o sonho de conhecer Paris. (Falsa euforia) Diga-me como é. O que conheceste por lá? (Pensando) — Agora eu pego esse gurizinho.
(Já era noite. O homem ainda escondia seus olhos por meio dos óculos escuros)
FIM DO SEGUNDO ATO
OBS 1: Ahhh.. as pessoas de peixes são sempres as descontroladas rsrsrsrs
ResponderExcluirOBS 2: Explique como é Paris ao Alex Valerí du Paris en Français, S'il vou plait!
Bisous mon ami!
Dieniffer!
Não entendi !! É uma peça? Um conto ? Aff me senti uma anta frente aos letrados!!
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