segunda-feira, 26 de julho de 2010
Férias
Desculpe-me, estimado leitor, que ainda não me abandonaste, digo-vo que tenha a esperança pois continuarás lendo algumas anedotas, graciosas e não tanto, que minhas letras podem proporcionar. Em breve aqui as letras estarão desenhadas para complementar os seus dias de indescanso.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Os anais da copa - com vuvuzela fálica

Fim, eis o que ocorreu naquela manhã de ceu azul no Soweto. Acordei, depois de uma noite mal dormida, com fantasmas que já me anunciavam um novo fato. Acordei. Acordei no meio do segundo tempo. Ainda bem que não me dignifiquei a colocar um relógio a despertar e ver e sofrer e perder e descontrolar e gritar e tomar um cartão vermelho. Ai, cala a boca, Galvão!
Enfim acabaram as propagandas com jogadores dançando Beyoncé, latinhas de cerveja falante – e como falavam, e do torpedão campeão, que não ganhei. Voltemos nós às notícias de Dilma e Serra, às tragédias do sertão, as vidas secas que agora choram.
Na minha janela passavam as ambulâncias a acudir o povo que morria aqui e acolá. Morriam mudos, sem buzinas, sem vuvulezas fálicas a berrar pelas ruas mortas embebidas pelo luto de uma nação. Como disse Olavo Bilac: “Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste. Criança! não verás nenhum país como este. Olha que ceu! que mar! que rios! que floresta! A natureza, aqui, perpetuamente em festa. É o seio de mãe a transbordar carinhos...”. Que tirem as bandeirolas dos ônibus; as pipas verde e amarela das vilas; pintem por cima dos muros, substituindo as cores do país; voltemos nós àquele patriotismo que tão nos identifica; voltemos nós àquele amor à pátria que simbolizamos somente nos 20 e 30 dias que rolam, como uma jabulani, de quatro em quatro anos. Não a de ficar triste. Têm o campeonato brasileiro, a copa do Brasil, os campeonatos regionais daqui a seis meses! Não se entristeça. Robinho, venha vender seu peixe por aqui! Oh Kaká, ai Kaká, pergunto-te, voltará para a Espanha e encher o bolso e a beleza?; O que achemos nós deste quiproquó? Falando na Espanha, minha Espanha querida e amada, torço por ti. Correm em minhas veias as emoções espanholas. Que venha o touro! Mas se perderes, não ficarei triste... mas pensando bem... olha ali a Flora, a vilã, uma das favoritas (nada contra ela, até a amo; ela, para mim, é um carisma só)... vede como ri e até parece nos dizer: “Criança! não verás nenhum país como este”.
Janete Clair escreveu esta postagem




Agora vou bancar a Janete Clair e contar uma série de cenas trágicas que ocorreu nos últimos dias. Com certeza, o leitor que me segue não tem o conhecimento destas aventuras que minha amiga L... (e não a mesma senhorita L... das peripécias aristotélicas pelo mundo) sofreu num sábado terrível. Quem visse diria: “Isso é uma trama de Edgar Allan Poe”. Mas não, era de Janete Clair.
L..., lindíssima como sempre, sai de casa para correr, quando viu seu cachorro Pluto deitado na rua, com ferimentos homéricos. Correu, como já era pretendido, até o cão. Chegou até o amigo e lá percebeu que o velho Pluto estava com uma fratura exposta. Uma São Silvestre ocorreu para acudir o pequeno amigo. A família de L... correu rumo ao veterinário. Dentro do carro uma outra tragédia: o cão, atormentado com as dores que sentia abocanhou a boca de L.... o pânico se alastrara e a velocidade do automóvel chegou a picos do espaço.
Lá no hospital veterinário o caso era desumano. Cães sem leito jogados nos corredores. Uma fila interminável de cãezinhos e gatinhos esperando atendimento na emergência. Isso fez com que nossa sofredora L... chorasse e contasse sua Odisseia aos demais familiares que acompanhavam seus amigos naquela empreitada. A comoção foi tamanha que todos da fila deram seus lugares ao atendimento emergencial.
Quem atendeu Pluto foi uma cadela que mal deu valor aos sentimentos do sofrido cão. E ainda por cima esfaqueou o bolso da nossa amiga L...
Para piorar o que já estava mal, o retorno para casa seria um novo episódio nessa tragicomédia. Assim que L... saiu do carro, com a trilha sonora CANTO DELLA TERRA (RADIO VERSION), de Andrea Bocelli, a moça resvalou numa pedra que nunca saiu do lugar, e sabemos que pedra que não se move? Cria limo. Era limo para todo o lugar. L... deslizava, deslizava e deslizava no limo. Ao fim do trajeto percebeu que seu dedo, o dedão (como se diz), estava fraturado, contundido, torcido, furado. Quando entrou em casa, olhou-se no espelho e se assustou: seus lábios estavam carnudos de tão inchados.
A última vez que vi L... ela parecia Lady Gaga em Paparazzi na cadeira de rodas andando com um carrinho especial que transita pelo campos da faculdade quando há alunos debilitados. E ainda, quando passou por mim, deu uma buzinadinha. Assim que saiu do Janete Clair Móvel pude dar um FELIZ ANIVERSÁRIO para ela.
No presente momento, não estão recuperados, cão e dona, mas passam bem e sobrevivem ao caos do cotidiano.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Calígula, com Thiago Lacerda

No último domingo, 27/06/2010, Porto Alegre tremeu, pois houve nesta idílica cidade a última apresentação de Thiago Lacerda, o Matheu, encenando Calígula, com texto original de Albert Camus. Fui ao lado de minha mais nova amiga e parceira de viagem, Cleíssima. Ficamos no camarote 14 e vimos muitas cenas dos bastidores que não poderíamos ver. Entre elas a cena em que a prostituta com quem Calígula se relacionava teve seu fim trágico. Ela fora assassinada pelo rei horrorendo, subiu numa escada e se jogou. Mas essa cena de se jogar, para mim e para Cleíssima, já era esperada, pois de nosso camarote enxergamos os demais atores esperando a atriz cair de costas. Assistir a uma cena de morte como essa para mim foi uma experiência inédita, pois tenho assistido muitas montagens de Luciano Alabarse, entre elas Édipo Rei e Medeia, quando as personagens jamais morrem em frente ao palco;ou como dizia meu amigo Aristóteles, que as cenas perniciosas deveriam ser obcenas. Para mim foi um encanto ver Calígula ensangüentar-se com o ódio do povo vingador. Não que eu seja fã e adepto ao sangue, muito pelo contrário, mas, digo e repito, é uma surpresa assistir a uma cena de morte no Theatro São Pedro. Outra cena que muito me emocionou e certamente surpreenderá ao leitor que não teve o mesmo azar que eu foi aquela em que o maioral Thiago Lacerda arrebata um tórrido beijo técnico, digno de Matheu e Giuliana, num ator, cujo personagem era encantado por Calígula. Foi um escândalo!!! Para quem senta nos camarotes tem uma visão privilegiada da repercussão instantânea. Havia ali vários membros da comunidade acadêmica, do curso de Letras, sim, do curso de Letras, e se é do curso de Letras, as estatísticas comprovam que de 10 alunos de estudam Letras 3 são homens. Dois deles, gays. Vi vários coleguinhas, cujos olhos brilharam com aquele beijo técnico. Eva Soffer, que lá estava, e que só a vi, quando o ator principal a anunciou... bem, não sei o que deve ter se passado na mente dela; mas sei que ela ficou muito feliz quando Thiago, (estamos nesse nível de intimidade), falou ao final da apresentação que deveríamos todos agraciar a obra desta personagem que contribui para a cultura de nosso pais. Palmas, palmas e mais palmas.
Entre chibatas, urinas de Calígula e este andando a mostrar seus músculos não tão suntuosos, pois Matheu deu uma engordadinha depois que teve um final feliz com a sofredora Giuliana.
Enfim, concluo depois de falar algumas besteiras, que Thiago Lacerda é um grande ator, pois encenou a mentira com muita veracidade. O homem está recuperado dos pobres personagens calamitosos que Manoel Carlos tem reservado para ele em suas novelas. Páginas da Vida e Viver a Vida foram muito pouco para ele. E o Giussepe? Será que o homem só sabe fazer papéis de italianos? Mais bobagens... Mas ele é um bom ator e nos 100 minutos de peça, emocionou a todos com o humor negro de sua personagem. Viva Calígula! Viva Albert Camus, o homem do absurdo! E viva o existencialismo!
As perdidas sem mapa, sem lenço e sem documento em Paris - parte final
A história foi travada no momento em que aquela locomotiva, que não era guiada pela famosa personagem de Émile Zola, Jacques Lantier, rumo a uma Paris distante e desconhecida. Ficamos ali, na Gare Du Nord a espera de um novo trem. Este chegou cerca de cinco minutos depois. Todas as nações foram adentrando ao recinto já preparadas para a novela de que aquele trem não iria mais para o Charles de Gaulle. Mas não, nada foi avisado. As portas se fecharam e seguimos rumo ao nosso destino. Passou-se meia hora quando chegamos a primeira estação, de duas, do aeroporto. Assim que as portas se abriram nos deparamos a dar gargalhadas, pois a Senhora T... e as Senhoritas P... e F... estavam encarangadas de frio e acima de tudo cheias de fé, pois naquele exato instante estavam orando e pedindo um milagre a Notre-Dame de Paris, que tão poderosa é a padroeira que atendeu ao pedido como num fenômeno. A Senhora L... orientou-as que ali ficassem, pois teríamos que levar a Senhorita L..., minha amiguíssima, até o check-in de seu voo.
Assim que chegamos, o jovem Senhor A..., a Senhora L..., a Senhorita L..., o pequeno G... e eu no terminal do Charles de Gaulle, uma dúvida pairou no ar. Para onde deveríamos ir? Então a Senhora L..., na função de orientadora, disse-nos que esperássemos na estação do trem, pois ela levaria a Senhorita L... até a imigração. Abanei para minha amiga, a Senhorita L..., que estava espantada e aflita. Não pudemos nos abraçar. Apenas abanamos e ela se foi.
A história que aqui vou contar, a partir deste ponto, é sobre o prisma da Senhora L... e da versão que a Senhorita L... Conta-se que ambas saíram correndo em busca do voo para Lisboa. Lá chegando, perceberam que a sorte estava acompanhando-as. No check-in, a senhorita L... teve que pagar excesso de bagagem. Porém para isso teve que ir ao outro lado do aeroporto, achar o caixa e efetuar a taxa. Feito isso teve que correr novamente para o outro lado, para enfim chegar ao seu destino, a imigração.
Despediram-se. Quando a senhorita L... entrou na aeronave conheceu um brasileiro e ficaram a conversar... até que se deram conta que iriam para o mesmo hotel, para o mesmo restaurante. O leitor deve estar imaginando o rumo que essa história tomou. Mas não cometa esse terrível engano. O rapaz era de uma das mais ortodoxas igrejas de que não se conhece. Logo, fizeram uma amizade e nada mais.
Mas antes disso tudo, as moças que se perderam em Paris, sem mapa, sem lenço e sem documentos, como já é do conhecimento do leitor, foram achadas com vida. Não morreram de hiportemia; não por menos, pois ficaram mais de uma hora esperando que o grupo voltasse até o primeiro terminal do aeroporto. Lá chegando todos se uniram com a benção da Notre-Dame de Paris. E viva Victor Hugo!
Assim que chegamos, o jovem Senhor A..., a Senhora L..., a Senhorita L..., o pequeno G... e eu no terminal do Charles de Gaulle, uma dúvida pairou no ar. Para onde deveríamos ir? Então a Senhora L..., na função de orientadora, disse-nos que esperássemos na estação do trem, pois ela levaria a Senhorita L... até a imigração. Abanei para minha amiga, a Senhorita L..., que estava espantada e aflita. Não pudemos nos abraçar. Apenas abanamos e ela se foi.
A história que aqui vou contar, a partir deste ponto, é sobre o prisma da Senhora L... e da versão que a Senhorita L... Conta-se que ambas saíram correndo em busca do voo para Lisboa. Lá chegando, perceberam que a sorte estava acompanhando-as. No check-in, a senhorita L... teve que pagar excesso de bagagem. Porém para isso teve que ir ao outro lado do aeroporto, achar o caixa e efetuar a taxa. Feito isso teve que correr novamente para o outro lado, para enfim chegar ao seu destino, a imigração.
Despediram-se. Quando a senhorita L... entrou na aeronave conheceu um brasileiro e ficaram a conversar... até que se deram conta que iriam para o mesmo hotel, para o mesmo restaurante. O leitor deve estar imaginando o rumo que essa história tomou. Mas não cometa esse terrível engano. O rapaz era de uma das mais ortodoxas igrejas de que não se conhece. Logo, fizeram uma amizade e nada mais.
Mas antes disso tudo, as moças que se perderam em Paris, sem mapa, sem lenço e sem documentos, como já é do conhecimento do leitor, foram achadas com vida. Não morreram de hiportemia; não por menos, pois ficaram mais de uma hora esperando que o grupo voltasse até o primeiro terminal do aeroporto. Lá chegando todos se uniram com a benção da Notre-Dame de Paris. E viva Victor Hugo!
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