sábado, 15 de março de 2014

DISCURSO DO PARANINFO AOS ALUNOS DA TURMA 83/2013


"Antes de tudo que será dito, desejo boa noite aos convidados, aos componentes desta mesa e principalmente aos protagonistas desta festa solene. Parabéns pelos oito anos de conhecimentos adquiridos, formandos das turmas 83, 84, 81 e 82.

Fui tomado de surpresa quando, no início do ano, fui eleito o professor conselheiro desta turma. A turma que não seria nem a melhor nem a pior. Apenas única. Todos temos adjetivos únicos que nos tornam vistos por outros. Há gênios indomáveis em cada um de nós; há os otimistas que, no alto de uma montanha, olham além do horizonte e pensam que no futuro tudo será melhor ou que tudo voltará para o lugar certo; há os serenos, que, quando um dia crescidos, perceberem que mantemos a mesma essência de quando assistíamos ao desenho dos Ursinhos Carinhosos. Esforço-me para ver no ser humano o seu melhor lado. Em nossas aulas isso foi uma grande prática. Discutíamos o destino de Telmah e o que havia de misterioso em seu coração;aprendemos que ser diferente em uma sociedade de iguais é mais comum do que imaginamos. Nossos mestres foram Eduardo Marciano, Mersault, Macabéa, Guedali, Amir, o que caçou as pipas. Personagens como todos nós, heróis e anti-heróis, que cometem erros tentando acertar. Sempre há uma grande esperança, Charles Dickens nos ensinou. Mesmo Tio Scrooge, que era tão velho e avarento, aprendeu na época do Natal que poderíamos mostrar ao mundo o nosso melhor lado e sermos felizes em torno da solidariedade. Falando em mudança, não posso negar que foi um desafio e tanto na época em que nos conhecemos. 
Nossa última aula.


Despedida de Dilma (Jéssica Motta, que foi morar em "Torrer")

Lembrança do dia no Beto Carrero (com as turmas 81, 84 e 82)

Nosso tour por Balneário Camboriú

Grandes amigos

Passeio criado por eles ao Itapema Park

Zumbis The dark side!

Em viagem ao Beto Carrero

Anos 70 - mais um exemplo de equipe unida.
Da sexta série para cá, deixaram de ser a 63 bagunceira, a turma que era complicada de dar aulas. Passaram a ser, para mim e para muitos professores, uma turma cujos alunos disputavam o conhecimento e a pesquisa. O que eram nossas aulas dos jogos de revisão? A aula da Dança das Cadeiras? Nenhuma turma dançou animadamente e numa vibração tão intensa durante as brincadeiras. Aulas em que um de vocês acabavam imitando o modo como o professor conduzia as aulas. Nossos seminários eram completos. Vocês anteciparam conteúdos e comportamentos de alunos de Ensino Médio. Vocês não foram leitores de enredo, tempo, espaço. Foram leitores do que não estava escrito no livro, foram leitores críticos. 
Eu gostaria de ter sido quem vocês são quando fui adolescente. Eu estou vaticinando: a vida será muito bacana com todos vocês. Vocês superaram limites, superaram os demais, superaram a vocês próprios. Vocês estão livres intelectualmente. Vocês estão prontos para caminharem sozinhos. Prontos para caminharem sem este paraninfo, que se despede de vocês de uma maneira tão singela. O primeiro voo de um pássaro não deve ser nada fácil. Pede coragem, mesmo que com medo; exige um exemplo que faça por onde. O sol já se pôs e algo em vocês se foi. Façam como David Copperfield ou Dom Quixote: Jamais desistam de seus sonhos. Lembram do filme: O Estudante, a que assistimos na sétima série? Lá contava a história de um senhor que decidiu estudar na faculdade de Letras e, portanto, estudar Literatura. Ele encontrou um grupo de jovens com quem fez profunda amizade. Todos o admiravam pelas ideias e pelos sentimentos. Certo dia Chano, o protagonista do filme, se viu viúvo e sem nenhuma perspectiva de continuar a viver sozinho. Imerso em sofrimento, ele abriu o livro Dom Quixote e releu uma dedicatória de sua falecida esposa: JAMAIS DESISTA DE SEUS SONHOS, MESMO QUE OS CÃES LADREM. O meu sonho era vê-los unidos, integrados. E em 2013 tivemos inúmeras experiências juntos. Jamais esqueceremos da integração nos intervalos durante os jogos de volei. Formamos um time de amigos inseparáveis, amigos com os quais sempre gostaríamos de estar juntos, encontros chamados de aula que não poderiam acabar, piadas efetivamente divertidas, energia sempre positiva, sorriso no rosto, abraço forte, espirito de união. Agradeço também aos meus colegas professores que muito contribuíram intelectualmente para a essência desse time. Agradeço imensamente aos pais e responsáveis por terem confiado a mim na árdua tarefa de ajudá-los a desenvolver o voo de seus filhos. Parabéns pelo trabalho aos pais! Estamos formando futuros líderes. E não tenho dúvida de que isso acontecerá.
Nosso time no intervalo

Para finalizar, imagino esse time abraçado, essa turma de maragatos unida pela última vez. Fomos felizes e proporcionamos mais felicidade aos que nos acompanharam no caminho. O que há de melhor em uma sociedade é quando nos deparamos com pessoas que desejam nos fazer felizes. E melhor ainda quando desejamos isso. Continuem como estão, nem melhores, nem piores, apenas únicos. Para isso, remeto-me a Gonçalves Dias, em Canção do Exílio,

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.   

Peço licença para falar da turma 83 nesse poema de sete sílabas poéticas.

Nosso céu, 83, tem mais? estrelas
Nossas várzeas, 83, têm mais? flores
Nossos bosques, 83, têm mais? vida
Nossa vida, 83, mais? amores.

Eu, este professor, em cismar sozinho à noite, mais prazer encontrei na 83, porque na nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá.

Ano passado todos os alunos da turma a qual fui paraninfo subiram neste palco para me homenagear. Hoje, eu desço até vocês, para agradecer num abraço único e último.


Humor e criatividade era com a 83
Amo vocês. E por vocês eu viveria tudo o que vivemos MIL VEZES.  Obrigado, guris. Vocês fizeram o meu 2013 valer a pena!"





Atualmente no Ensino Médio:

Hoje, Somos 103





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