quinta-feira, 31 de março de 2011
POR NOSSA SENHORA DA MEDIANEIRA, PROTEGEI-OS E SALVAI-OS
Hoje passei por um dia difícil, mas em meio a todas as trevas conflitantes, uma luz mental surgiu. Era a luz do banheiro. Oh, como era bom banhar meu espírito com sais, oh sais de macadâmia! Quanta delícia depois de um turbulento dia de trabalho. Entre espuma e água, meu corpo (somente o corpo, visto que a mente ainda fervilhava) descansava o que podia. Então, no meu daquelas efervescências mentais, meus ouvidos pareciam não acreditar no que ouvia: uma criança berrava de dor. Continuei no meu mundinho egocêntrico. Em seguida a criança voltou a projetor a força de sua glote. Então decidi abrir a janela que dá contato com a avenida. Os carros trafegavam como de costume, quando a criança-gritadeira voltava a urrar e correr em direção a avenida movimentada. Cerrei a visão e quase ingeri meus sais de macadâmia. A criança gritava desesperada porque seu pai era alvo de um terrível vilão, vilão este que portava uma arma mortífera: um tijolo. Uma mulher correu para salvagurdar a criança, enquanto o pai da criança era salvaguardado por ele próprio. Naquele segundo, quando o homem levantou o antebraço para violentar o pai da criança-gritadoira, minha mente voltou naquele 2006 (parece que era essa data) ou seria 2007, noite de final da libertadores, campeonato cujos rivais eram Grêmio e Boca Juniors. Era um dia quente, de expectativa, Porto Alegre fervilhava de emoção, curiosidade e ânsia. A Avenida da Azenha tumultuada com aquela peça grega. A Ipiranga estirpava os habitantes da Zona Norte. Da Tinga, meu povo de ama, vinham outras tribos. Da Carlos Gomes, vinham eles, os meus irmãos e amigos argentinos. Porto Alegre estava trancada. As veias da cidade necessitando de cateterismo. Que viesse já o metro. Muito custei para regressar para o meu lar doce. Assim que lá adentrei, corri para o sabonete que lambuzaria meu magro-corpo, na época. Uma vez relaxado para assistir uma novela de Manoel Carlos ou Sílvio de Abreu ou Gilberto Braga, jantei. Após o relaxamento, fui a água-furtada de meu quarto e me pus a ler, visto que o Boca Juniors passara em frente de minha casa, na mesma avenida que a criança correria cinco anos depois. O helicóptero perseguia os argentinos, a brigada os salvaguardava. Como podemos lembrar, o Boca Junior (que tal?) desmoralizou o Grêmio futebol porto-alegrense. E eu, no meio daquela comuna parisiense, querendo ler um livro. A cada gol do Boca Juniors uma mulher, que também assistia a partida futebolística em seu alpendre, gritava: — BOCAAAAAAAAAAA E o Gremista que flaneriava pela rua declinava: — Putaaaaaaaaaaaaaaa E ela: — BOCAAAAAAAA E ele: — Puuuuuuuuta Era uma buzinada dos infernos. Mas onde poderíamos encontrar a paz naquele inferno? A vida me diria apenas que isso somente aconteceria quando tivesse um encontro na relva, é claro sem aquela dama nua, o que me causaria um problema existencialista, visto a náusea sartreana dos homens. Certo momento, mais um gol. Só lembro de que se tratava de um ponto que definiu o jogo das coxas grossas. Então um rojão explodiu de uma casa e espargiu no céu porto-alegrense. E a velha: — BOOOOOOOOCAAAAAAAA De onde estourara os fogos de artifício, pude ouvir a discussão aristotélica de dois homens suburbanos. Sim, caro leitor, na rua que corta a avenida do bairro onde moro a cor muda assim que pisa-se na sétima casa. Ali, a rua já sobe, e um outro bairro cinzento (ou azul cubista dos tempos negros de Picasso) se pinta e as malocas de alvernaria crescem primitivamente. Ali, naquele protótipo de favela, a discussão filosófica de dois homens se mostrou aos ouvidos do homem que vós narra a peripécia. Assim que vi um homem nu, com a cabeça, a cabeça de membros sem tronco, uma cabeça irritada e gritadeira abrir briga com o vizinho, cuja casa se separa alguns centímetros úmidos e explosivos, corri para pegar meu binóculo. AQUELA EU NÃO PODIA PERDER. Era a história dos subúrbios que Machado de Assis queria contar no final de D. Casmurro. Eu, senhores-leitores, fiquei excitado, com imenso volume de prazer, quando assistia de camarote central aquela tragédia dos mineiros que brotavam da terra, em Germinal. A questão maior é que ninguém brotou da terra, muito pelo contrário, o ar que germinou à cova solitária. Sim, choroso leitor. Uma briga se deu no ringue: tudo acontecia no telhado daquela vã casa. Era um empurra-empurra dos homens, um ódio sanguinário da carne nua naquelas navalhas. — BOCAAAAAAAA – gritava a velha. Enquanto o Grêmio tentava dar a rasteira no Boca, o homem da Boca deu uma rasteira no homem nu, que saíra voando como um pombo. Mas como era um pombo sem treinamento, acabou caindo na cova solitária nos anjos sonolentos. Aquela sombra desaparecera no vão das casas desafortunadas. O juiz apitou o fim de jogo. Fiquei pensando se aquele pobre homem havia ido passear com Caronte no Auto da Barca do Inferno. Só sei que o possível assassino fugia da possível viúva, do possível morto, cujas mãos possíveis apareceram denotando a vida que ainda pulsava naquela miséria. O quase assassino tentou investir com uma taquara enorme contra o homem nu e brochado. A iminente viúva gritava com um bebê no colo – o mesmo bebê que cresceria anos depois e correria na avenida. Como ia dizendo, a iminente viúva gritava, mostrando a força hereditária do urro, do urro da mulher que jamais viria, novamente, seu homem nu, de pé, forte, voraz, vivo, ereto. Num átimo de segundo, o homem conseguira escapar pelos muros burgueses. O meu binóculo perseguidor observava tudo atento. Da outra rua mais acima, vinha a mulher desesperada para salvagurdar (como todos se salvaguardam nessa tragédia!) o marido desarrumado. O vilão terrível, o algoz nas noites perdedoras, corria pela avenida atrás do homem nu. Este, desesperado, correra até a parada do ônibus para pegar a linha da Carris. Visto que homem não tinha bolso para pagar ao cobrador, o motorista decidiu continuar sua jornada. O executor dos fogos de artifício corria atrás do homem sem bolso, do homem sem sombra, o fugidor da morte anunciada. — SOCORRO, POLÍCIA. BRIGADA. TAXISTA! O nu, lutando contra o cansaço dos joelhos acarinhados pelas palmas das mãos, ia para o meio da avenida pedir clemência aos cristãos. Pobre coitado. No seu caminho havia apenas pagãos e ateus. Todos passavam sem o préstimo da caridade. Como dizia um amigo, fora da caridade não há salvação. Como ninguém era caridoso com ele, a salvação foi acorrer a medidas mais extrínsecas sobre a possível sobrevivência. Já que os homens não se ajudam, Deus mandou-lhe uma fada, a Bela, para que pudesse correr na primeira viela do bairro desfavorecido da rua de cima. — POR NOSSA SENHORA DA MEDIANEIRA, salva-me desse tormento, desse terrível algoz sanguinolento! A mulher corria danada com a criança no colo e dizia ao iminente assassino: — Eu sei do teu passado seu ladrão de galinha. O vilão não falava nada. — Vamos! Faça comigo o mesmo que ia fazer com meu marido — dizia ela empurrando o atirador de homens que caminham nos telhados. O vilão não falava absolutamente nada. — Seu bosta. Ladrão. LADRÃO. LADRÃAAAAAAAAAAAAAAO. O terrível carnífice deu as costas a mulher desasada e encontrou seu homem amado, brochado e nu. Ainda pude ouvir o que ele disse: — Pô, eu só gostaria de dormir. Tenho que acordar às cinco da manhã pra pagar minhas contas e vem esse ladrão me fazer dessas na minha janela. — BOOOOOOOOOOCAAAAAAAA — gritava a mulher depois do drama ter acabado. Mas o drama não acabou. O antebraço do vilão ia dilacerar o crânio do mesmo homem que anos atrás, naquela noite de final de campeonato, havia tentado matar um trabalhador do alto de um ringe criativo. Sim, leitor, seria o vilão de ontem o mocinho de hoje? A criança que gritava na avenida DA NOSSA SENHORA DA MEDIANEIRA era a mesma que ouvira sua mãe gritar anos atrás? Que escola! O homem, o vilão da vez, contra o mocinho da vez, o pai que provocava o choro compulsivo de não vê-lo em tamanha barricada, estava pronto para uma terrível vingança. Mas o homem, cujos olhos de macadâmia eu não conseguia identificar se era o mesmo de anos atrás (visto que o homem de anos atrás não tinha roupas, e este agora as possuía). O vilão de outrora correu para se proteger do duro tijolo. O vingador do passado (de possíveis drogas, decerto) jogou-lhe um dos tijolos de uma nova construção. O tijolinho que falava na construção fracionou-se no muro, a alguns palpos do explosivo rasteirador de teclados. Era somente mais um cenário do reflexo que foi o meu dia: mulheres, como aquela de Delacroix, que guia o povo, que se matam por uma ideologia política. VIVA A REPÚBLICA! FRATERNIDADE, IGUALDADE e acima de tudo HUMANIDADE. — BOOOOOOCAAAAAAAAAA
terça-feira, 29 de março de 2011
Um momento comigo mesmo, comigo próprio
Não tenho tido histórias para contar. Tenho vivido recluso, dentro de uma cloaca, uma cloaca intelectual, subversiva e indômita. Agora que essa palavra me surgiu, tenho vivido sim uma história indômita. Voltei a ser professor. Desta vez de literatura, minha paixão, minha realidade, minha vida. Eu, que vivo num mundo esférico longe dos humanos terrestres, embebido de absinto de meu amigo Rimbaud. Sim, sou um Policarpo, um Quixote, um eunuco, um Quaresma sem Páscoa. Quando terei a sorte de encarar a realidade? No final da narrativa, como fizeram esses meus amigos alucinógenos? Será que meu mergulho na literatura, nesse mundo real-alucinante-memorial, é o caminho correto para encontrar meus vazios? Ou tentar preencher os vazios alheios? Eu, que sempre estive, e pelo visto sempre estarei com o livro em punho, fui o meu melhor amigo. Meu melhor amigo, com o livro como objeto. Hoje, meu companheiro é Zola. Mas meu amigo, o melhor, sempre fui eu. Alex sempre fez companhia para Alex. Pessoa que conheço melhor no mundo? Eu! Não há quem melhor conheça! Às vezes queremos avaliar o outro, melhorar o outro, ajudar o outro; mas quem precisa ser avaliado, melhorado e ajudado é apenas que faz companhia para si mesmo. Agora sou professor novamente, professor-realizador, realizador de sonhos d’Ouro da infância perdida, sonhos d’aurora da minha vida, tempos que não voltam mais. Hoje conversei com um primo, um primo jovem, um primo de 18 anos. Como é apaixonado, como sofre por um amor-difícil. E o pior é que eu sofro das mesmas dores que um jovem romântico e cabisbaixo. Queria ser mais jovem, e quando jovem mais lúcido, e quando lúcido, completo. Que saudade de meus dezoito anos, nove anos atrás, somente. Quando eu tinha dezoito anos, estava num cursinho pré-vestibular, infeliz, incompleto, pequeno, ansioso (muito mais que agora), cheio de plenitude para as realizações. Tudo o que sonhava aos dezoito, era o mesmo que sonhava aos onze, e o mesmo que sonhava aos sete. Agora escrevendo, percebo que gostaria de ter dezoito anos com a mentalidade e sofreguidão dos vinte e seis (quase vinte e sete). Agora sou o professor de alunos de dezesseis anos... quantos aprendizados... chavão! Tudo a seu tempo. Aprendi. Aprendi que não temos vilões-bonzinhos, sorridentes, que estes foram repelidos e que não poderão pegar o que seria nosso e bondosamente-vilã se dedicasse a assumir a postura de CHAMADA. Aos chamados, fogo! A vida foi uma boa mestra. Então, alunos da 2C, divertimo-nos, pois os da 82 eu perdi; agora esses novos, sei que não serão meus, pois são de uma grande-pequena mestra, sábia, pessoa culta que efetivamente merece, por saber o que ensina. Turma 2C, bom dia, boa sorte, sucesso.
segunda-feira, 28 de março de 2011
BAILE DE MÁSCARAS NUM DIA DE SOL ESTRELADO - quarto ato
INÍCIO DO QUARTO ATO Homem, rapaz, brigadiana.
RAPAZ — Não... não há nada de mais nisso. É que eu tenho o “poder” de ler o que há dentro das pessoas. Tu eu não estou conseguindo ver nada.
HOMEM — Por que não?
RAPAZ — Não sei. Mas eu quero te agradecer. Essa é a primeira vez que alguém escuta a história da minha vida.
HOMEM — Não precisa agradecer. Eu já tenho o costume de ouvir.
RAPAZ — Tu é alguém muito especial.
HOMEM — Por quê?
RAPAZ — Por que se trata de um professor de literatura muito...
HOMEM — Muito...
RAPAZ — No colégio, eu não gostava de ler. Minha namorada é quem lê para mim.
HOMEM — Tua NAMORADA lê o quê?
RAPAZ — Ela deve ser agora minha ex-namorada... só quero ver quando eu chegar em Porto Alegre.
HOMEM — Ela ainda é tua namorada. Não se desespere a toa. Tudo se acertará quando chegar em casa. Mas o que ela lia para ti?
RAPAZ — Um romance que eu não lembro direito a história.
HOMEM — Qual romance? RAPAZ — Helena.
HOMEM — Helena! Nossa. Mas qual Helena? De que autor?
RAPAZ — Não lembro. Me conta a história.
(O homem fica calado propositalmente. Titubeia).
RAPAZ — Eu lembro que era uma mulher que chegava numa cidade do interior.
HOMEM — Sim!
RAPAZ — Que ganhou uma herança.
HOMEM — Sim!
RAPAZ — E parece que ela se apaixonou pelo irmão.
HOMEM — Muito bem. (Silêncio).
RAPAZ — Tu é muito especial.
HOMEM — Muito obrigado!
RAPAZ — Ouve as pessoas, simpático, bonito, de um carisma irretocável.
HOMEM (rindo)— Eu? De um carisma irretocável?
RAPAZ (sorrindo) — Sim. (Tirando o boné): — Vou te dar de presente por me ouvir.
(Dando o boné ao homem).
HOMEM — Eu não posso aceitar?
RAPAZ — Mas aceite.
HOMEM — Está bem, eu aceito. (sem pegar no boné): — E te presenteio por ser tão especial também.
RAPAZ (colocando o boné de volta na cabeça) — Está bem.
HOMEM — Fique com ele para que tu não contes a tua namorada que o boné foi roubado em Tramandaí.
RAPAZ — Eu vou escrever um livro.
HOMEM (sorrindo) — É?!
RAPAZ — Sim. Não sei o título. Creio que será apenas dezoito. Ou seria Além dos dezoito. O que tu acha?
HOMEM — Apenas dezoito dá um sentido de finitude aos dezoito; Além a própria palavra diz... RAPAZ — Um dia tu também vai escrever um livro.
HOMEM — É?
RAPAZ — Quem sabe tu contará a nossa história? (O homem sorri).
HOMEM — A nossa história?
RAPAZ — Sim, a nossa. A da nossa viagem. (O homem sorri, comovido). (Silêncio).
RAPAZ (olhando para as mãos do homem:) — O que há nos nós dos dedos?
HOMEM (titubeando) — Luta. Eu pratico uns socos por ai, na academia.
RAPAZ — Sabe que eu sou ganhador de Vale tudo?
HOMEM — Vai me dizer que tu ganhaste o campeonato mundial, baby?
RAPAZ — O Nacional. (O homem gargalha).
HOMEM — Francamente. Tu, um menino tão magrinho. RAPAZ — Magrinho? (Levantando a manga da camiseta) Toca aqui no meu braço.
(Levando lentamente a mão, o homem toca o braço fino do rapaz).
HOMEM (irônico) — Quanta força bruta. Parabéns pelo prêmio. (Ambos riem gostosamente). (As luzes de Porto Alegre se mostram).
RAPAZ — Estamos chegando.
HOMEM (pensando) — A hora da verdade. (Uma brigadiana que estava sentada atrás do homem e do rapaz segura uma pistola). (O homem tira os óculos).
RAPAZ — Agora eu te vejo. Agora está nu. A nossa história está chegando ao fim.
HOMEM — Apenas dezoito?
FIM DO QUARTO ATO
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terça-feira, 22 de março de 2011
O CASAMENTO DO ANO - Barbaríssima Sávio Costa
Para quem conhecia Bárbara Sávio Costa, a filha da magnânima Lígia Sávio, antes do dia 12 de março, saberia que esse era o dia de seu casamento. Segundo a noiva, os preparativos da papelada, dos estágios probatórios e da compra do apartamento eram os ideais de um futuro feliz da vida à dois.
A cada encontro que tive com essa assumidade de luz, meus ouvidos se enchiam de novidade. Muitos conflitos e ansiedades cotidianos se inseriram no caminho da noiva. Porém, nem as intrigas que o preço do amor impõe ao casal, impediram que eles burlassem as regras da utópica sociedade e consumassem o casamento longe do cartório.
O dia 12 de março estava chegando.
Porém, um tsunami se aproximava do Chile e tudo podia acontecer. Estávamos preocupados com a colisão de duas placas tecnônicas nas profundezas do rio Guaíba. O casamento só poderia acontecer se o dia estivesse dia, e a noite escura estivesse como a noite. O jornal dizia: PARA AMANHÃ, CHUVA! Será que o casamento do dia 12 de março seria desmoronado com o mau tempo? A noiva dizia espumando: “Querem destruir o meu casamento. O meu casório vai sair a todo jeito”.
Quando acordei, assim que abri os olhos, a luz do dia, a luz azul celeste sorria na minha janela sem persianas. Sim, o casamento aconteceria. Preparei meu discurso, visto que eu seria o Padre Amaro. Depois do almoço, para acalmar as ideias, decidi cochilar. O casório era às 17h na Redenção, mais precisamente no Buda. O Padre, eu, acordou às 16h. Antes de vestir a batina, fui me banhar e pensar na Amelinha. Depois peguei meu Papa-móvel e me dirigi ao santuário da felicidade.
A noiva estava chegando, estava chegando no dia 12, que chegou.
Com essa informação, algo estremeceu os ânimos: o noivo não sabia onde era o Buda. O NOIVO ESTAVA PERDIDO NA REDENÇÃO. Para segurar a noiva, coube a minha mãe, sim, minha mãezinha, a senhora Vera Valério de Pequim, que estava usufruindo da cultura porto-alegrense no Brique da Redenção quando encontrou a azarada noiva do noivo azarado. Minha mãe que mal conhecia a noiva, mas conhecia a mãe desta, que passara por momentos módicos-etílicos.
O noivo fora encontrado no chafariz de Montjüic, perto do Arco do Triunfo parisiense.
Como estavam todos a postos, a noiva podia chegar.
Todos que estavam a postos, todos que não conhecíamos, turistas moradores da cidade desconhecedores da existência do Buda da Redenção, estavam lá, com suas criancinhas e máquinas fotográficas. Naturalmente foram saindo.
A noiva chegou. O padre assumiu a sua postura. Assim que os noivos trocaram olhares, o Padre teve que interferir devido o medo de estragar a surpresa do beijo no final da cerimônia.
Li o texto que previamente preparei. Em seguida, uma nova personagem entrou em cena para também dar a benção ao casal. Na fala desta, os noivos já trocavam as alianças. Quando começou a fala protocolar da noiva para o noivo, este interrompeu dizendo:
— Deus sabe que tu me ama, chega.
E se beijaram deliciosamente.
A noiva jogou o bouquet. Quem pegou?
A mãe do padre. Sim, leitor-seguidor, a mãe do padre, a minha mãe.
Em seguida fomos para uma grama seca e lá nos jogamos. Bebemos e comemos até anoitecer. Fomos para a casa de Ligia, onde embebemos Absinto, vinho frisante, cerveja e Coca-cola. Lembra-se da festa de réveillon.
Nem duas horas se passaram e já estavam, os recém-casados, de malas prontas para a lua de mel num hotel quatro estrelas.
Então com velas, recitamos Fernando Pessoa; com incensos comprados num mercadinho da Serraria (que vendia também livros filosóficos) declamamos Gregório de Matos; com outra vela declamou-se Camões. Era o sarau literário.
Enquanto isso no hotel quatro estrelas, a esposa e o marido transpiravam escarlates presos na caixa de pandora. O amor é fogo que arde sem se ver...
A cada encontro que tive com essa assumidade de luz, meus ouvidos se enchiam de novidade. Muitos conflitos e ansiedades cotidianos se inseriram no caminho da noiva. Porém, nem as intrigas que o preço do amor impõe ao casal, impediram que eles burlassem as regras da utópica sociedade e consumassem o casamento longe do cartório.
O dia 12 de março estava chegando.
Porém, um tsunami se aproximava do Chile e tudo podia acontecer. Estávamos preocupados com a colisão de duas placas tecnônicas nas profundezas do rio Guaíba. O casamento só poderia acontecer se o dia estivesse dia, e a noite escura estivesse como a noite. O jornal dizia: PARA AMANHÃ, CHUVA! Será que o casamento do dia 12 de março seria desmoronado com o mau tempo? A noiva dizia espumando: “Querem destruir o meu casamento. O meu casório vai sair a todo jeito”.
Quando acordei, assim que abri os olhos, a luz do dia, a luz azul celeste sorria na minha janela sem persianas. Sim, o casamento aconteceria. Preparei meu discurso, visto que eu seria o Padre Amaro. Depois do almoço, para acalmar as ideias, decidi cochilar. O casório era às 17h na Redenção, mais precisamente no Buda. O Padre, eu, acordou às 16h. Antes de vestir a batina, fui me banhar e pensar na Amelinha. Depois peguei meu Papa-móvel e me dirigi ao santuário da felicidade.
A noiva estava chegando, estava chegando no dia 12, que chegou.
Com essa informação, algo estremeceu os ânimos: o noivo não sabia onde era o Buda. O NOIVO ESTAVA PERDIDO NA REDENÇÃO. Para segurar a noiva, coube a minha mãe, sim, minha mãezinha, a senhora Vera Valério de Pequim, que estava usufruindo da cultura porto-alegrense no Brique da Redenção quando encontrou a azarada noiva do noivo azarado. Minha mãe que mal conhecia a noiva, mas conhecia a mãe desta, que passara por momentos módicos-etílicos.
O noivo fora encontrado no chafariz de Montjüic, perto do Arco do Triunfo parisiense.
Como estavam todos a postos, a noiva podia chegar.
Todos que estavam a postos, todos que não conhecíamos, turistas moradores da cidade desconhecedores da existência do Buda da Redenção, estavam lá, com suas criancinhas e máquinas fotográficas. Naturalmente foram saindo.
A noiva chegou. O padre assumiu a sua postura. Assim que os noivos trocaram olhares, o Padre teve que interferir devido o medo de estragar a surpresa do beijo no final da cerimônia.
Li o texto que previamente preparei. Em seguida, uma nova personagem entrou em cena para também dar a benção ao casal. Na fala desta, os noivos já trocavam as alianças. Quando começou a fala protocolar da noiva para o noivo, este interrompeu dizendo:
— Deus sabe que tu me ama, chega.
E se beijaram deliciosamente.
A noiva jogou o bouquet. Quem pegou?
A mãe do padre. Sim, leitor-seguidor, a mãe do padre, a minha mãe.
Em seguida fomos para uma grama seca e lá nos jogamos. Bebemos e comemos até anoitecer. Fomos para a casa de Ligia, onde embebemos Absinto, vinho frisante, cerveja e Coca-cola. Lembra-se da festa de réveillon.
Nem duas horas se passaram e já estavam, os recém-casados, de malas prontas para a lua de mel num hotel quatro estrelas.
Então com velas, recitamos Fernando Pessoa; com incensos comprados num mercadinho da Serraria (que vendia também livros filosóficos) declamamos Gregório de Matos; com outra vela declamou-se Camões. Era o sarau literário.
Enquanto isso no hotel quatro estrelas, a esposa e o marido transpiravam escarlates presos na caixa de pandora. O amor é fogo que arde sem se ver...
segunda-feira, 21 de março de 2011
BAILE DE MÁSCARAS NUM DIA DE SOL ESTRELADO - terceiro ato
TERCEIRO ATO
RAPAZ — Eu conheci... os lugares... que todo mundo conhece. Mas também conheci a sujeira de Paris. A nossa sujeira começa lá.
HOMEM — Então a nossa sujeira começa lá. Que ruas tu conheces de Paris.
RAPAZ — Ah, ruas e bairros eu não lembro. E tu, já viajou?
HOMEM (sorrindo) — Eu? Eu não. Nunca sai de Porto Alegre.
RAPAZ — Capão não conta?
HOMEM — Ah sim. Mas também não conta comparar suas aventuras pelo mundo. Viajar pelo mundo deve ser fascinante. Ainda mais quando ainda temos dezoito anos.
RAPAZ — E o que tem feito que ainda não viajou?
HOMEM — Estudado.
RAPAZ — Estudado o quê?
HOMEM (mostrando o livro) — Literatura.
RAPAZ — Tu não me respondeu... o que tu faz?
HOMEM — Sou professor.
RAPAZ — Um professor de Literatura. Não me dava bem com um professor de Literatura. Mas agora tenho um amigo professor.
HOMEM — Parece que sim.
RAPAZ (tocando no livro que estava no colo do homem) — Posso ver o livro?
HOMEM — Pode, com prazer.
(O rapaz lê um pequeno trecho).
RAPAZ — Não entendi muito bem. Do que se trata.
HOMEM — Bom. Tu leste a introdução de um crítico. O livro trata-se do Teatro do Absurdo.
RAPAZ (lendo a capa) — Alfred Jarry. Ubu-Rei.
HOMEM — É isso ai.
(Silêncio).
RAPAZ — Eu gosto de andar de Skate.
HOMEM — Posso te falar uma coisa?
RAPAZ — Pode.
HOMEM — Creio que falta um pouco de verossimilhança em tua história.
RAPAZ — O que é verossimilhança.
HOMEM — É a semelhança com a realidade.
RAPAZ — Então tu quer dizer que falta semelhança com a realidade a minha história.
HOMEM — Um tanto. O que podemos pensar de um rapaz de dezoito anos, que é promoter, perdeu a namorada, foi assaltado, sem celular? A namorada de dezessete pegou, desesperada, o carro. A sogra o expulsou de casa. Em seguida, me conta que já viajou a vários países.
RAPAZ (com sobrancelhas arqueadas) — E ainda não te contei que reuni 40 mil pessoas no Rio de Janeiro para apresentar uma banda de garagem.
HOMEM — Olha que surpreendente. Mais um dado. Porém, quando tu me contas que gosta de andar de Skate isso me parece mais o teu perfil, não que tudo o que tu me contou não seja verdade, mas isso me parece mais plausível.
RAPAZ — Por quê?
HOMEM — A roupa que tu vestes: a bermuda, a camiseta, o boné. (Mostrando o livro) No teatro, as personagens, como qualquer ser humano, veste uma máscara. Criamos sempre um sentido, alguém que gostaríamos de ser.
RAPAZ — Máscara?
HOMEM — Máscara não é no sentido que todo mundo pensa. É um termo literário dito por Aristóteles. Personagem é igual a uma máscara.
RAPAZ — Será que a máscara que tu veste mesmo é a de Professor de Literatura? Quem tu é, na verdade?
HOMEM — Um homem que tu ainda tentou desvendar e não consegiu?
RAPAZ — É verdade! Tu é o livro cadeado mais fechado que conheci.
HOMEM — Então me explica... Por que tu queres saber quem eu sou? Um motivo maior nisso há.
FIM DO TERCEIRO ATO
RAPAZ — Eu conheci... os lugares... que todo mundo conhece. Mas também conheci a sujeira de Paris. A nossa sujeira começa lá.
HOMEM — Então a nossa sujeira começa lá. Que ruas tu conheces de Paris.
RAPAZ — Ah, ruas e bairros eu não lembro. E tu, já viajou?
HOMEM (sorrindo) — Eu? Eu não. Nunca sai de Porto Alegre.
RAPAZ — Capão não conta?
HOMEM — Ah sim. Mas também não conta comparar suas aventuras pelo mundo. Viajar pelo mundo deve ser fascinante. Ainda mais quando ainda temos dezoito anos.
RAPAZ — E o que tem feito que ainda não viajou?
HOMEM — Estudado.
RAPAZ — Estudado o quê?
HOMEM (mostrando o livro) — Literatura.
RAPAZ — Tu não me respondeu... o que tu faz?
HOMEM — Sou professor.
RAPAZ — Um professor de Literatura. Não me dava bem com um professor de Literatura. Mas agora tenho um amigo professor.
HOMEM — Parece que sim.
RAPAZ (tocando no livro que estava no colo do homem) — Posso ver o livro?
HOMEM — Pode, com prazer.
(O rapaz lê um pequeno trecho).
RAPAZ — Não entendi muito bem. Do que se trata.
HOMEM — Bom. Tu leste a introdução de um crítico. O livro trata-se do Teatro do Absurdo.
RAPAZ (lendo a capa) — Alfred Jarry. Ubu-Rei.
HOMEM — É isso ai.
(Silêncio).
RAPAZ — Eu gosto de andar de Skate.
HOMEM — Posso te falar uma coisa?
RAPAZ — Pode.
HOMEM — Creio que falta um pouco de verossimilhança em tua história.
RAPAZ — O que é verossimilhança.
HOMEM — É a semelhança com a realidade.
RAPAZ — Então tu quer dizer que falta semelhança com a realidade a minha história.
HOMEM — Um tanto. O que podemos pensar de um rapaz de dezoito anos, que é promoter, perdeu a namorada, foi assaltado, sem celular? A namorada de dezessete pegou, desesperada, o carro. A sogra o expulsou de casa. Em seguida, me conta que já viajou a vários países.
RAPAZ (com sobrancelhas arqueadas) — E ainda não te contei que reuni 40 mil pessoas no Rio de Janeiro para apresentar uma banda de garagem.
HOMEM — Olha que surpreendente. Mais um dado. Porém, quando tu me contas que gosta de andar de Skate isso me parece mais o teu perfil, não que tudo o que tu me contou não seja verdade, mas isso me parece mais plausível.
RAPAZ — Por quê?
HOMEM — A roupa que tu vestes: a bermuda, a camiseta, o boné. (Mostrando o livro) No teatro, as personagens, como qualquer ser humano, veste uma máscara. Criamos sempre um sentido, alguém que gostaríamos de ser.
RAPAZ — Máscara?
HOMEM — Máscara não é no sentido que todo mundo pensa. É um termo literário dito por Aristóteles. Personagem é igual a uma máscara.
RAPAZ — Será que a máscara que tu veste mesmo é a de Professor de Literatura? Quem tu é, na verdade?
HOMEM — Um homem que tu ainda tentou desvendar e não consegiu?
RAPAZ — É verdade! Tu é o livro cadeado mais fechado que conheci.
HOMEM — Então me explica... Por que tu queres saber quem eu sou? Um motivo maior nisso há.
FIM DO TERCEIRO ATO
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segunda-feira, 14 de março de 2011
BAILE DE MÁSCARAS NUM DIA DE SOL ESTRELADO - segundo ato
SEGUNDO ATO
Homem, rapaz
RAPAZ — Sou apenas um jovem que acabou de perder a mulher e que foi assaltado. Mas o que mais me dói é a perda da mulher que amo (mostrando o anel prateado do dedo direito).
HOMEM — E como foi essa perda?
RAPAZ — Ela não aceita quem eu sou. Até a minha sogra impediu a minha entrada em casa.
HOMEM — Quem tu és? O que tu faz?
RAPAZ (tristonho) — Ela diz que eu devo tomar rumo na vida. Muito prazer, Ardo.
HOMEM — Como, não ouvi?
RAPAZ — Ardo.
HOMEM — E por que Ardo tem que tomar um rumo na vida?
RAPAZ — Porque eu sou Promoter. Trabalho com eventos, festas. Ela é muito ciumenta. Ela acha que eu to traindo ela.
HOMEM — Ela teria razão em pensar isso?
RAPAZ — Não. Nunca fiz isso. Qual é o teu signo?
HOMEM — Áries.
RAPAZ — Áries?! Signo de pessoas calmas. Combina com o meu?
HOMEM (Sorri de surpresa) — Pessoas calmas? (Sorrindo) E qual o teu signo?
RAPAZ — Leão. Áries e Leão são signos que se dão bem.
HOMEM — Nossa temos um astrólogo!
(O rapaz ri).
RAPAZ — Não chegamos a tanto. Mas o ariano é calmo, sereno, não gosta de briga, seguro.
HOMEM — Nossa... calmo, sereno, não gosta de briga, seguro... A tua namorada é de Áries para teres tanta experiência com os astros?
RAPAZ — Não, ela é de Peixes.
HOMEM — E cadê a tua namorada agora?
RAPAZ — Ela pegou um carro e saiu desesperada pela free way.
HOMEM — Quantos anos tu tens?
RAPAZ — Dezoito
HOMEM — E ela?
RAPAZ — Dezessete.
HOMEM — Dezessete anos dirigindo na Free Way?
RAPAZ — Sim, ela tem uma carteira especial de motorista. Mas ela só pode dirigir com a mãe dela. A questão que ela não está com a minha sogra. Na verdade nem sei se ainda é minha sogra. Essa mulher me odeia. Ela é uma perua. Ainda bem que o carro é automático.
HOMEM (desconfiado, mas controlando as emoções. Agindo naturalmente) — Então a tua namorada foi de carro, sozinha, para Porto Alegre, sem a tua sogra, que por lei, deveria estar no carro com ela. Creio que esteja faltando alguma coisa nessa história para que ela precisasse sair de uma maneira tão... descontrolada.
RAPAZ (com pesar) — A minha namorada é muito ciumenta. Ela toma remédios. Ela é bem descontrolada. O que eu mais quero é tê-la comigo. Que ela me aceite de volta.
HOMEM — Mas ela vai te aceitar. Tenha fé.
RAPAZ — Eu acredito no meu São Jorge.
HOMEM — Muito bem. São Jorge, então, vai te ajudar.
RAPAZ — E para piorar o meu caso ainda fui assaltado.
HOMEM (virando-se para o rapaz) — Hum!
RAPAZ — Nunca mais venho a Tramandaí. O cara pegou minha mochila. Mandou que eu desse o meu celular. A sorte que eu tinha dez reais no bolso. Foi por isso que eu paguei a passagem. Quanto custava a passagem?
HOMEM — Eu peguei R$ 22.
RAPAZ (sorrindo) — Tive um desconto.
HOMEM (sorriso amarelo) — Sim. Veja o lado bom de tudo isso. Agora está indo para casa e resolver tudo com a sua namorada.
RAPAZ — O pior é se eu não resolver. Eu moro com elas.
HOMEM — E teus pais?
RAPAZ — Minha mãe morreu no meu parto. E meu pai morreu quando eu tinha quinze anos.
(Silêncio. Por-do-sol. Trânsito congestionado. Os dois olham por cima das poltronas)
RAPAZ — Era o que estava faltando.
HOMEM — Mas de todos os males, o congestionamento é o menor drama de todos. Já já continuaremos.
RAPAZ — E tu. Me conta. Quem tu é? Fala um pouco de ti.
HOMEM — Sobre o que queres saber?
RAPAZ — Tua profissão, por exemplo. A cor dos teus olhos, que eu ainda não vi.
HOMEM — Mas para que ver a cor dos meus olhos se eles tem a mesma cor dos teus?
RAPAZ — Verdes?
HOMEM — Não. Mas eu posso ver os teus, e eles não são verdes. São castanhos.
RAPAZ — Sem o sol, eles são verdes.
HOMEM — Então o dono desses olhos verdes que só refletem essa cor na sombra é um Promoter.
RAPAZ (pondo a cabeça na poltrona e olhando para o homem. Sorriso e olhar maliciosos) — Sim, um viajante.
HOMEM — Viajante?
RAPAZ — Sim, já fui para muitos lugares no mundo: Londres, Estados Unidos, Paris.
HOMEM — Que bacana! Quanta experiência já na tua idade!
RAPAZ — Conheço pessoas no mundo inteiro.
HOMEM — E como tu fez para viajar por todos esses lugares?
RAPAZ — Sendo um viajante.
HOMEM (desconfiado, mas agindo naturalmente, mentindo, fingindo pesar) — Eu tenho o sonho de conhecer Paris. (Falsa euforia) Diga-me como é. O que conheceste por lá? (Pensando) — Agora eu pego esse gurizinho.
(Já era noite. O homem ainda escondia seus olhos por meio dos óculos escuros)
FIM DO SEGUNDO ATO
Homem, rapaz
RAPAZ — Sou apenas um jovem que acabou de perder a mulher e que foi assaltado. Mas o que mais me dói é a perda da mulher que amo (mostrando o anel prateado do dedo direito).
HOMEM — E como foi essa perda?
RAPAZ — Ela não aceita quem eu sou. Até a minha sogra impediu a minha entrada em casa.
HOMEM — Quem tu és? O que tu faz?
RAPAZ (tristonho) — Ela diz que eu devo tomar rumo na vida. Muito prazer, Ardo.
HOMEM — Como, não ouvi?
RAPAZ — Ardo.
HOMEM — E por que Ardo tem que tomar um rumo na vida?
RAPAZ — Porque eu sou Promoter. Trabalho com eventos, festas. Ela é muito ciumenta. Ela acha que eu to traindo ela.
HOMEM — Ela teria razão em pensar isso?
RAPAZ — Não. Nunca fiz isso. Qual é o teu signo?
HOMEM — Áries.
RAPAZ — Áries?! Signo de pessoas calmas. Combina com o meu?
HOMEM (Sorri de surpresa) — Pessoas calmas? (Sorrindo) E qual o teu signo?
RAPAZ — Leão. Áries e Leão são signos que se dão bem.
HOMEM — Nossa temos um astrólogo!
(O rapaz ri).
RAPAZ — Não chegamos a tanto. Mas o ariano é calmo, sereno, não gosta de briga, seguro.
HOMEM — Nossa... calmo, sereno, não gosta de briga, seguro... A tua namorada é de Áries para teres tanta experiência com os astros?
RAPAZ — Não, ela é de Peixes.
HOMEM — E cadê a tua namorada agora?
RAPAZ — Ela pegou um carro e saiu desesperada pela free way.
HOMEM — Quantos anos tu tens?
RAPAZ — Dezoito
HOMEM — E ela?
RAPAZ — Dezessete.
HOMEM — Dezessete anos dirigindo na Free Way?
RAPAZ — Sim, ela tem uma carteira especial de motorista. Mas ela só pode dirigir com a mãe dela. A questão que ela não está com a minha sogra. Na verdade nem sei se ainda é minha sogra. Essa mulher me odeia. Ela é uma perua. Ainda bem que o carro é automático.
HOMEM (desconfiado, mas controlando as emoções. Agindo naturalmente) — Então a tua namorada foi de carro, sozinha, para Porto Alegre, sem a tua sogra, que por lei, deveria estar no carro com ela. Creio que esteja faltando alguma coisa nessa história para que ela precisasse sair de uma maneira tão... descontrolada.
RAPAZ (com pesar) — A minha namorada é muito ciumenta. Ela toma remédios. Ela é bem descontrolada. O que eu mais quero é tê-la comigo. Que ela me aceite de volta.
HOMEM — Mas ela vai te aceitar. Tenha fé.
RAPAZ — Eu acredito no meu São Jorge.
HOMEM — Muito bem. São Jorge, então, vai te ajudar.
RAPAZ — E para piorar o meu caso ainda fui assaltado.
HOMEM (virando-se para o rapaz) — Hum!
RAPAZ — Nunca mais venho a Tramandaí. O cara pegou minha mochila. Mandou que eu desse o meu celular. A sorte que eu tinha dez reais no bolso. Foi por isso que eu paguei a passagem. Quanto custava a passagem?
HOMEM — Eu peguei R$ 22.
RAPAZ (sorrindo) — Tive um desconto.
HOMEM (sorriso amarelo) — Sim. Veja o lado bom de tudo isso. Agora está indo para casa e resolver tudo com a sua namorada.
RAPAZ — O pior é se eu não resolver. Eu moro com elas.
HOMEM — E teus pais?
RAPAZ — Minha mãe morreu no meu parto. E meu pai morreu quando eu tinha quinze anos.
(Silêncio. Por-do-sol. Trânsito congestionado. Os dois olham por cima das poltronas)
RAPAZ — Era o que estava faltando.
HOMEM — Mas de todos os males, o congestionamento é o menor drama de todos. Já já continuaremos.
RAPAZ — E tu. Me conta. Quem tu é? Fala um pouco de ti.
HOMEM — Sobre o que queres saber?
RAPAZ — Tua profissão, por exemplo. A cor dos teus olhos, que eu ainda não vi.
HOMEM — Mas para que ver a cor dos meus olhos se eles tem a mesma cor dos teus?
RAPAZ — Verdes?
HOMEM — Não. Mas eu posso ver os teus, e eles não são verdes. São castanhos.
RAPAZ — Sem o sol, eles são verdes.
HOMEM — Então o dono desses olhos verdes que só refletem essa cor na sombra é um Promoter.
RAPAZ (pondo a cabeça na poltrona e olhando para o homem. Sorriso e olhar maliciosos) — Sim, um viajante.
HOMEM — Viajante?
RAPAZ — Sim, já fui para muitos lugares no mundo: Londres, Estados Unidos, Paris.
HOMEM — Que bacana! Quanta experiência já na tua idade!
RAPAZ — Conheço pessoas no mundo inteiro.
HOMEM — E como tu fez para viajar por todos esses lugares?
RAPAZ — Sendo um viajante.
HOMEM (desconfiado, mas agindo naturalmente, mentindo, fingindo pesar) — Eu tenho o sonho de conhecer Paris. (Falsa euforia) Diga-me como é. O que conheceste por lá? (Pensando) — Agora eu pego esse gurizinho.
(Já era noite. O homem ainda escondia seus olhos por meio dos óculos escuros)
FIM DO SEGUNDO ATO
sexta-feira, 11 de março de 2011
BAILE DE MÁSCARAS NUM DIA DE SOL ESTRELADO - primeiro ato
PRIMEIRO ATO
Homem, rapaz, moça loira, cobradora, mulher idosa, motorista e uns cinquenta figurantes
(Um homem de óculos escuros estava num ônibus. Era a linha Capão da Canoa-Porto Alegre. Todos os lugares estavam ocupados. A luz forte do sol, na Av. Paraguaçu, perseguia o ônibus).
HOMEM (pensando) — Merda! Esse sol-absurdo vai me perseguir a viagem toda? (Olhando o relógio). Quatro e meia da tarde! Ainda tem três horas de viagem. (Olha para a loira a seu lado).
(Ao lado deste homem, um loira, que em seu colo segurava um travesseiro e sua bolsa de Nova York e seu celular. Ela escutava música. Tentava proteger o rosto do sol. O homem, percebendo isso, fechava a tela, protegendo-os daquele sol).
HOMEM (pegando o celular. Discando) — Alo! Oi! Sim, sim, acabei de chegar a um lugar nunca antes navegado. Passei por uma via-crusis, digno de uma obra de Clarice Lispector. Foram dunas, poeira, buracos. Creio que ainda esteja em Mariluz, ou uma dessas praiazinhas, ou mesmo Imbé. Não sei. Só sei que não se trata de Tramandaí. O ônibus levou uma hora para chegar aqui. Além do sol ser um absurdo, temos essa Paraguaçu terrível. Sim... claro (rindo de algo). Depois eu te ligo, se eu chegar vivo em Porto Alegre. Creio que tenhamos que cruzar a linha internacional da data. Vou chegar ontem em Porto, as três da tarde (risos). Até ontem (risos). Beijo.
(O ônibus sai da rodoviária de Mariluz. O vento bate faz com que as telas que protegia o sol de debatam. Rodoviária de Imbé. O homem de óculos escuros abre a tela de proteção. A loira a seu lado se move, dando a entender que vai levantar. Ela arruma guarda o celular na bolsa, se levanta, anda pelo corredor do ônibus e vai embora. O ônibus sai de Imbé. Mais sol. O homem olha contra o astro. Nada diz. Rodoviária de Tramandaí. Alguns passageiros desembarcam. Outros embarcam. Ele se levanta, deixa seu travesseiro e o livro na poltrona e anuncia ao motorista que está indo ao banheiro. Instantes depois, ele regressa).
HOMEM (pensando) — Que não venha nenhuma criança se sentar comigo. (Olhando ao redor do ônibus). Só há três ligares disponíveis. Acho que vou sozinho até Porto.
(O ônibus arranca. O sol volta a bater. O homem não fecha a tela. Pouco tempo depois o ônibus para e um rapaz embarca. Este conversa alguma coisa com a cobradora. O homem de óculos o observa. O rapaz se senta numa das primeiras poltronas. Em seguida, uma senhora embarca e o rapaz se levanta. Fica de pé).
HOMEM (pensando) — Que barbaridade! O rapaz está praticamente em cima da senhora.
(A cobradora falou algo para o rapaz. Ela fez um gesto com a mão direita. Ele passou a andar pelo coletivo. Chegou próximo do homem).
RAPAZ (sorrindo) — Posso te fazer companhia?
HOMEM (se arrumando na poltrona) — Sim, claro (sorri).
RAPAZ (olhando para o livro) — Que livro é esse?
HOMEM (se voltando para ele) — Teatro.
RAPAZ — É diretor de teatro?
HOMEM — Não.
RAPAZ — Sobre o que é esse livro.
HOMEM — Teatro do Absurdo. Ubu Rei, de Jarry.
RAPAZ — Tu é do Teatro?
HOMEM — Não. E tu? O que faz?
RAPAZ — Quer saber o que faço? Vou te contar quem sou eu. (Sorriso )
(O sol não estava mais na janela do homem. Agora o sol estava do outro lado do ônibus).
FIM DO PRIMEIRO ATO
Homem, rapaz, moça loira, cobradora, mulher idosa, motorista e uns cinquenta figurantes
(Um homem de óculos escuros estava num ônibus. Era a linha Capão da Canoa-Porto Alegre. Todos os lugares estavam ocupados. A luz forte do sol, na Av. Paraguaçu, perseguia o ônibus).
HOMEM (pensando) — Merda! Esse sol-absurdo vai me perseguir a viagem toda? (Olhando o relógio). Quatro e meia da tarde! Ainda tem três horas de viagem. (Olha para a loira a seu lado).
(Ao lado deste homem, um loira, que em seu colo segurava um travesseiro e sua bolsa de Nova York e seu celular. Ela escutava música. Tentava proteger o rosto do sol. O homem, percebendo isso, fechava a tela, protegendo-os daquele sol).
HOMEM (pegando o celular. Discando) — Alo! Oi! Sim, sim, acabei de chegar a um lugar nunca antes navegado. Passei por uma via-crusis, digno de uma obra de Clarice Lispector. Foram dunas, poeira, buracos. Creio que ainda esteja em Mariluz, ou uma dessas praiazinhas, ou mesmo Imbé. Não sei. Só sei que não se trata de Tramandaí. O ônibus levou uma hora para chegar aqui. Além do sol ser um absurdo, temos essa Paraguaçu terrível. Sim... claro (rindo de algo). Depois eu te ligo, se eu chegar vivo em Porto Alegre. Creio que tenhamos que cruzar a linha internacional da data. Vou chegar ontem em Porto, as três da tarde (risos). Até ontem (risos). Beijo.
(O ônibus sai da rodoviária de Mariluz. O vento bate faz com que as telas que protegia o sol de debatam. Rodoviária de Imbé. O homem de óculos escuros abre a tela de proteção. A loira a seu lado se move, dando a entender que vai levantar. Ela arruma guarda o celular na bolsa, se levanta, anda pelo corredor do ônibus e vai embora. O ônibus sai de Imbé. Mais sol. O homem olha contra o astro. Nada diz. Rodoviária de Tramandaí. Alguns passageiros desembarcam. Outros embarcam. Ele se levanta, deixa seu travesseiro e o livro na poltrona e anuncia ao motorista que está indo ao banheiro. Instantes depois, ele regressa).
HOMEM (pensando) — Que não venha nenhuma criança se sentar comigo. (Olhando ao redor do ônibus). Só há três ligares disponíveis. Acho que vou sozinho até Porto.
(O ônibus arranca. O sol volta a bater. O homem não fecha a tela. Pouco tempo depois o ônibus para e um rapaz embarca. Este conversa alguma coisa com a cobradora. O homem de óculos o observa. O rapaz se senta numa das primeiras poltronas. Em seguida, uma senhora embarca e o rapaz se levanta. Fica de pé).
HOMEM (pensando) — Que barbaridade! O rapaz está praticamente em cima da senhora.
(A cobradora falou algo para o rapaz. Ela fez um gesto com a mão direita. Ele passou a andar pelo coletivo. Chegou próximo do homem).
RAPAZ (sorrindo) — Posso te fazer companhia?
HOMEM (se arrumando na poltrona) — Sim, claro (sorri).
RAPAZ (olhando para o livro) — Que livro é esse?
HOMEM (se voltando para ele) — Teatro.
RAPAZ — É diretor de teatro?
HOMEM — Não.
RAPAZ — Sobre o que é esse livro.
HOMEM — Teatro do Absurdo. Ubu Rei, de Jarry.
RAPAZ — Tu é do Teatro?
HOMEM — Não. E tu? O que faz?
RAPAZ — Quer saber o que faço? Vou te contar quem sou eu. (Sorriso )
(O sol não estava mais na janela do homem. Agora o sol estava do outro lado do ônibus).
FIM DO PRIMEIRO ATO
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PERIPÉCIAS ARISTOTÉLICAS PELO MUNDO
quinta-feira, 10 de março de 2011
Segundo dia com Hélio
No dia seguinte, na segunda-feira de carnaval, carnívora como somente ela, o encontro com Hélio foi inevitável. Thaís Deamici, a mãe desta, a prima desta e eu amigo destas todas fomos para a beira da praia, onde Hélio já nos aguardava com sua paciência grotesca. Esse admirador de praias, de surf, de corpos apolíneos, adorava observar como tudo acontecia. Sedento, aquecia-se e aquecia todos os corpos. Tratava-se de um opulento promiscuo.
Quando lá chegamos, ele sorria para nós, iradiando a espiritualidade que somente ele poderia proporcionar. Por mais que seja um vilão, Hélio era um ser iluminado. Sarcástico, irônico, se metamorfoseava de paciente, enquanto seu espírito, ansioso e destemido, viajava por todos os trópicos e meridianos. Seduz e afasta homens.
Mas, naquele dia, ele não queria saber se paciência, queria ação. Tratava-se de ALGO que a metereologia não poderia prever. Ele aparecia quando bem entendia. Por isso era sarcástico e irônico, ria de tudo e de todos que pensavam crer nas facetas de um homem loquaz. Inveterado, puxou-nos para a água e maneira voraz. As ondas se abalavam em beijos escondidos e afogados. Mulheres e crianças, como sempre primeiros, olhavam perplexas a discrição daquele Hélio paradoxal. Cada vez mais rumo à África nos aproximávamos. Sim, fundo, mais fundo, extravasável, trangressível, cossecantemente intangível.
O salva-vidas da casinha 71, casinha seleta, nada familiar, nem ligada ao samba, casinha das pessoas da paz; diferentemente da 75, repleta de samba (QUIOSQUE-SAMBARILOVE), gado humano, crianças gritando (o que Hélio também não apraz), bolinhas voadoras em nossas cabeças, latinhas de cerveja por todo o lugar, milhos verde (bem cozido, bastante manteiga e SAL) sem vida no chão, carcomidos pela poeira das rochas oceanográficas. Mas como ia contando o quadro clínico da dor, o salva-vidas da casinha 71 não precisou nos salvar, visto que Hélio, que nos acompanhava por conhecer todos os mares (ele é muito viajado), sabia até onde poderíamos avançar naquele oceano não muito privilegiado.
Depois de enxergar vários Hélios, depois de sentir um espasmo de gozo, no Atlântico Sul (que tristeza!), fiquei na areia, dormi. Mas antes, com a potência do fogo de Hélio, este, queimou o cigarro. Cigarro que fumei!
No mesmo momento que o frio chegava, Hélio tinha ido embora. Foi-se. Foi-se apenas com olhar, sem toque, sem nada, sem uma fotinho. Somente um sorriso, uma lacrimejada e desapareceu com a ventania que trazia as nuvens da noite.
No dia seguinte, Hélio não apareceu. As nuvens esparsas impediam que nos víssemos. Hélio, o deus sol, estava inoportuno. Era terça-feira de carnaval, sem mais carne. A previsão do tempo não preverá tanta ventania e pouco Hélio, ou melhor, pouco sol.
Quando lá chegamos, ele sorria para nós, iradiando a espiritualidade que somente ele poderia proporcionar. Por mais que seja um vilão, Hélio era um ser iluminado. Sarcástico, irônico, se metamorfoseava de paciente, enquanto seu espírito, ansioso e destemido, viajava por todos os trópicos e meridianos. Seduz e afasta homens.
Mas, naquele dia, ele não queria saber se paciência, queria ação. Tratava-se de ALGO que a metereologia não poderia prever. Ele aparecia quando bem entendia. Por isso era sarcástico e irônico, ria de tudo e de todos que pensavam crer nas facetas de um homem loquaz. Inveterado, puxou-nos para a água e maneira voraz. As ondas se abalavam em beijos escondidos e afogados. Mulheres e crianças, como sempre primeiros, olhavam perplexas a discrição daquele Hélio paradoxal. Cada vez mais rumo à África nos aproximávamos. Sim, fundo, mais fundo, extravasável, trangressível, cossecantemente intangível.
O salva-vidas da casinha 71, casinha seleta, nada familiar, nem ligada ao samba, casinha das pessoas da paz; diferentemente da 75, repleta de samba (QUIOSQUE-SAMBARILOVE), gado humano, crianças gritando (o que Hélio também não apraz), bolinhas voadoras em nossas cabeças, latinhas de cerveja por todo o lugar, milhos verde (bem cozido, bastante manteiga e SAL) sem vida no chão, carcomidos pela poeira das rochas oceanográficas. Mas como ia contando o quadro clínico da dor, o salva-vidas da casinha 71 não precisou nos salvar, visto que Hélio, que nos acompanhava por conhecer todos os mares (ele é muito viajado), sabia até onde poderíamos avançar naquele oceano não muito privilegiado.
Depois de enxergar vários Hélios, depois de sentir um espasmo de gozo, no Atlântico Sul (que tristeza!), fiquei na areia, dormi. Mas antes, com a potência do fogo de Hélio, este, queimou o cigarro. Cigarro que fumei!
No mesmo momento que o frio chegava, Hélio tinha ido embora. Foi-se. Foi-se apenas com olhar, sem toque, sem nada, sem uma fotinho. Somente um sorriso, uma lacrimejada e desapareceu com a ventania que trazia as nuvens da noite.
No dia seguinte, Hélio não apareceu. As nuvens esparsas impediam que nos víssemos. Hélio, o deus sol, estava inoportuno. Era terça-feira de carnaval, sem mais carne. A previsão do tempo não preverá tanta ventania e pouco Hélio, ou melhor, pouco sol.
domingo, 6 de março de 2011
Encontro, fora de época, de carnaval, com Hélio
Era ainda sexta-feira, quando Hélio me convidou para ir a Capão da Canoa. Tinha sido uma sexta-feira emocionalmente difícil e nada como ele, a quem amo apenas no inverno. Sim, Hélio só aparece em minha vida no inverno. Visto que Hélio se trata de um ser fogoso e quente, dirigi-me ao convite a ele, visto que a vida em Porto Alegre estava muito cansativa e intensa.
No sábado, decidi preparar meu TCC, para que no domingo, meu amigo Hélio, que é muito melhor em Capão do que na capital. Parece que Hélio é melhor no litoral, pois ele se torna mais interessante com a presença inelutável de um irmão, o vento, o primo irmão do Nordestão.
Thais Deamici, que tinha me convidado para ver (rever) Hélio, seu amigo também, esperava-me na rodoviária de Capão. Foi muito interessante revê-lo, conforme havia nos convidado, para encontrá-lo em Capão Novo, uma praia de bom-astral, digna de uma estrela que encontraríamos.
Assim que Thais e eu o vimos, levantamos, juntos, as mãos para o céu. HÉLIO, meu amigo, que bom vê-lo! – dizia Thais. Abraçaram-se até um deles de torrar. Depois, meu olho se fechou assim que a forte luz que irradiava Hélio. Este sorriu para mim com seus olhos cor de mel, sorrimos. O seu sorriso me bronzeou como o sol.
Foi uma tarde agradabilíssima. Thais, Hélio e eu. Antes do anoitecer, Hélio se despediu de nós, com o frio que faz no litoral. Ele fora para casa, prometendo que nos encontraríamos para um flerte fatal. Fora uma tarde muito rápida. Hélio pediu-me paciência, visto que teríamos ainda três dias para nos aventurarmos, para nos aventurarmos num ponto deserto de Capão Novo, vida nova.
Caros amigos-leitores-seguidores. Deveras estão surpresos com essa descrição, como também devem estar se questionando quem é Hélio. Hélio é uma estrela discreta, não gosta de fotos publicadas, nem estrelismos, visto que não é a primeira que conhecemos. Mas amigas, amigos, que conhecem a minha história, paciência! Digo o mesmo que esse homem me falou: PACIÊNCIA!!! Amanhã todos saberão do que digo, ou não, mas por favor, não contem para Hélio, pois ele não acessa internet, nem se conecta com essas ferramentas que unem os humanos desunidos. Até amanhã!!!
No sábado, decidi preparar meu TCC, para que no domingo, meu amigo Hélio, que é muito melhor em Capão do que na capital. Parece que Hélio é melhor no litoral, pois ele se torna mais interessante com a presença inelutável de um irmão, o vento, o primo irmão do Nordestão.
Thais Deamici, que tinha me convidado para ver (rever) Hélio, seu amigo também, esperava-me na rodoviária de Capão. Foi muito interessante revê-lo, conforme havia nos convidado, para encontrá-lo em Capão Novo, uma praia de bom-astral, digna de uma estrela que encontraríamos.
Assim que Thais e eu o vimos, levantamos, juntos, as mãos para o céu. HÉLIO, meu amigo, que bom vê-lo! – dizia Thais. Abraçaram-se até um deles de torrar. Depois, meu olho se fechou assim que a forte luz que irradiava Hélio. Este sorriu para mim com seus olhos cor de mel, sorrimos. O seu sorriso me bronzeou como o sol.
Foi uma tarde agradabilíssima. Thais, Hélio e eu. Antes do anoitecer, Hélio se despediu de nós, com o frio que faz no litoral. Ele fora para casa, prometendo que nos encontraríamos para um flerte fatal. Fora uma tarde muito rápida. Hélio pediu-me paciência, visto que teríamos ainda três dias para nos aventurarmos, para nos aventurarmos num ponto deserto de Capão Novo, vida nova.
Caros amigos-leitores-seguidores. Deveras estão surpresos com essa descrição, como também devem estar se questionando quem é Hélio. Hélio é uma estrela discreta, não gosta de fotos publicadas, nem estrelismos, visto que não é a primeira que conhecemos. Mas amigas, amigos, que conhecem a minha história, paciência! Digo o mesmo que esse homem me falou: PACIÊNCIA!!! Amanhã todos saberão do que digo, ou não, mas por favor, não contem para Hélio, pois ele não acessa internet, nem se conecta com essas ferramentas que unem os humanos desunidos. Até amanhã!!!
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