terça-feira, 29 de março de 2011
Um momento comigo mesmo, comigo próprio
Não tenho tido histórias para contar. Tenho vivido recluso, dentro de uma cloaca, uma cloaca intelectual, subversiva e indômita. Agora que essa palavra me surgiu, tenho vivido sim uma história indômita. Voltei a ser professor. Desta vez de literatura, minha paixão, minha realidade, minha vida. Eu, que vivo num mundo esférico longe dos humanos terrestres, embebido de absinto de meu amigo Rimbaud. Sim, sou um Policarpo, um Quixote, um eunuco, um Quaresma sem Páscoa. Quando terei a sorte de encarar a realidade? No final da narrativa, como fizeram esses meus amigos alucinógenos? Será que meu mergulho na literatura, nesse mundo real-alucinante-memorial, é o caminho correto para encontrar meus vazios? Ou tentar preencher os vazios alheios? Eu, que sempre estive, e pelo visto sempre estarei com o livro em punho, fui o meu melhor amigo. Meu melhor amigo, com o livro como objeto. Hoje, meu companheiro é Zola. Mas meu amigo, o melhor, sempre fui eu. Alex sempre fez companhia para Alex. Pessoa que conheço melhor no mundo? Eu! Não há quem melhor conheça! Às vezes queremos avaliar o outro, melhorar o outro, ajudar o outro; mas quem precisa ser avaliado, melhorado e ajudado é apenas que faz companhia para si mesmo. Agora sou professor novamente, professor-realizador, realizador de sonhos d’Ouro da infância perdida, sonhos d’aurora da minha vida, tempos que não voltam mais. Hoje conversei com um primo, um primo jovem, um primo de 18 anos. Como é apaixonado, como sofre por um amor-difícil. E o pior é que eu sofro das mesmas dores que um jovem romântico e cabisbaixo. Queria ser mais jovem, e quando jovem mais lúcido, e quando lúcido, completo. Que saudade de meus dezoito anos, nove anos atrás, somente. Quando eu tinha dezoito anos, estava num cursinho pré-vestibular, infeliz, incompleto, pequeno, ansioso (muito mais que agora), cheio de plenitude para as realizações. Tudo o que sonhava aos dezoito, era o mesmo que sonhava aos onze, e o mesmo que sonhava aos sete. Agora escrevendo, percebo que gostaria de ter dezoito anos com a mentalidade e sofreguidão dos vinte e seis (quase vinte e sete). Agora sou o professor de alunos de dezesseis anos... quantos aprendizados... chavão! Tudo a seu tempo. Aprendi. Aprendi que não temos vilões-bonzinhos, sorridentes, que estes foram repelidos e que não poderão pegar o que seria nosso e bondosamente-vilã se dedicasse a assumir a postura de CHAMADA. Aos chamados, fogo! A vida foi uma boa mestra. Então, alunos da 2C, divertimo-nos, pois os da 82 eu perdi; agora esses novos, sei que não serão meus, pois são de uma grande-pequena mestra, sábia, pessoa culta que efetivamente merece, por saber o que ensina. Turma 2C, bom dia, boa sorte, sucesso.
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