O ano mais emocionante dos últimos
que experienciei. Altas doses de gargalhadas e de bipolaridade lacrimejante.
Tempos de ruptura com o passado uma vez que o sinal verde ordenava que devêssemos
seguir sem olhar pelo retrovisor. Notei na minha vida e na de muitas pessoas
que me circundavam que 2014 foi o ano da transformação positiva pelo esforço.
Foram dias que nos impulsionavam a mudar, a sentir, a refletir do que estávamos
devendo a nós mesmos. Minhas conquistas (e uma grande desconquista) foram
necessárias para que minha vida mudasse para melhor. Nossa! Como mudei e como
ainda mudarei. Acredito que 2015 será o ano da solidificação das mudanças ocorridas
outrora. O ano que acaba hoje foi a massa sendo preparada, amassada, pisoteada
e pré-aquecida. Hoje, à meia-noite, a massa vai para o forno e em breve
saborearemos os ingredientes de que fomos feitos. Trabalhamos muito nossos
emocional, lutamos contra nós mesmos, agora é hora de saborear o banquete de
nossos esforços. Decepcionei-me com muitas pessoas que eram caras para mim e
mesmo sem querer decepcionei outras também. Aproveito para pedir desculpas se
não pude contentar as expectativas. A minha negativa foi o crescimento. A
negativa da vida para mim foi o meu crescimento. Contra a decepção, houve muito
encantamento. Apaixonei-me por amigos, por amigas, pelos filhos, pelas casas,
pelos bichos, pelas pessoas. Tanto me apaixonei que dizia: “Eu estou apaixonado
por você. Você é demais” e com isso as relações ficaram mais fortes ainda. Que
tenhamos viagens com os amigos, que passemos madrugadas a conversar sobre a
vida, que tenhamos nossos momentos de solidão para refletir, que sonhemos e
coloquemos em prática nossos novos projetos, que tenhamos a capacidade de dizer
“eu te amo” seguido de um abraço e tudo isso sem medo de ser piegas. Está tão démodé
não respeitar nossas vontades porque pensamos no que os outros vão dizer ou
pensar. Obrigado, 2014, por tudo, pelos risos e pelas lágrimas. Positividade e
disciplina em 2015 para todos nós. Um abraço apaixonado de Alex Valério.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Grandes mestras (1)
Começa agora algo novo em meu blog. Falarei das professoras marcantes de minha vida. Digamos que delas que formei um pouco da pessoa que sou e do professor que acabei me tornando. Vamos ao texto.
Eis as experiências que a vida dá, deu, dará: nascer, crescer, aprender, crescer, abandonar, deixar ir, crescer, amadurecer, ensinar, dividir, multiplicar, crescer mais, doer, conhecer, abandonar, deixar ir. Aprendi a ler, segundo mamãe, aos dois anos e seis meses de idade. Segundo ela, também, eu ia às rádios da cidade para provar a minha peculiaridade: saber as capitais de todos os países. Passei ouvindo essa história durante boa parte de minha infância e adolescência. Aos quatro anos, cursando o jardim, olhava para os colegas (que ainda só sabiam fazer lambuzeiras e desenhos - tudo em prol da psicomotricidade), que todos - pelo menos os que eu vi (e lembro) - eram destros, e eu, mais uma vez diferentes daqueles normais. Olhei para o coleguinha do lado, vi como ele pegava o pincel e passei a pintar e desenhar com a mão direita. Ali comecei a minha arte das duas mãos! Meu cérebro ficou uma loucura depois daquele dia. Aos cinco anos, ao ingressar na primeira série, tive mais um momento étranger. Ninguém sabia ler nem escrever. Lembro de uma menina que sentava a meu lado no fundo da sala. Ela errava todos os exercícios de ortografia. Olhei para a minha folha, onde todos os jotas e gês estavam adequados, os ôs e ús também, inclusive os xis e cê-hagas da vida. Pensei: "se ela podia errar, eu também tinha esse direito." Apaguei tudo e coloquei as letras absurdas inseridas pela colega (segundo uma mente brilhante de cinco anos). Mais tarde veio a fogueira. A professora chegou à minha mãe e disse que fiz arte, que eu não levei as atividades a sério, que tinha errado de propósito todos os exercícios. O castigo veio logo depois: um chinelo azaleia que me dava medo. O detalhe que não tinha dito ainda: FOI COM AQUELA PROFESSORA, MINHA PROFESSORA DA PRIMEIRA SÉRIE, QUE DISSE QUE DESEJARIA SER PROFESSOR. Cada vez que ela me chamava para ajudá-la com alguma tarefa era uma explosão interna de prazer que mal podia me conter. Jamais esqueço quando ela foi sortear o ajudante do dia. Foram tantas semanas esperando que meu nome saísse. Nossa! O dia que saiu o papel com o meu nome minha ansiedade foi tão grande que simplesmente levantei sem que ela precisasse de nada, fiquei do lado dela; e ela, claro, mandou que eu sentasse.
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| Alex Valério - que já sonhava com o mundo e se sentia um estranheiro - aos 4 anos |
Nessa época, estudava na Escola Cavalhada. No ano seguinte, fui para uma escola estadual: Roque Gonzales. Como sempre aconteceu, as coincidências temperam minha vida. A tal da nova escola ficava atrás daquela onde outrora estudei na primeira série. Das professoras que tive na nova escola, a que mais me chamou a atenção foi a professora da 4ª série: Fernanda. Jamais esquecerei, também, do primeiro dia de aula. Ela disse, segundo minha memória emocional, assim: "Boa tarde! Sou a professora Fernanda. Vamos trabalhar juntos na 4ª série. Tenho algumas regras: Não sou tia de vocês, sou professora (claro que nós fedelhos odiamos aquela vaca insensível). Vocês estão na 4ª série, estão ficando grandinhos. Somente hoje haverá beijinhos, no primeiro dia de aula. Depois só no dia do aniversário. Nem abraços haverá. É simplesmente 'tchau, sora!' na saída". Ela era uma disciplinadora e tanto. Sempre que fazíamos bagunça, ela pegava o apagador e batia na ponta da mesa até ficarmos calados. Era de um histrionismo mais exacerbado que a própria palavra histrionismo. Era esbugalhava os olhos, colocava o apagador em riste, virava o cabelo como uma bela atriz e ameaçava destroçar o objeto na mesa. Quando ela fazia a tal posição do apagador, com a cara medonha, escutávamos apenas os motores dos carros que passavam na avenida. No final do ano, a maioria dos fedelhos foi para a 5ª série. Digamos que ela soube trabalhar muito bem nosso emocional nessa fase de transição. Só sei que doeu muito quando não podíamos beijá-la, ou quando ela tinha que fingir ser má e negar um beijo na saída mesmo com as tentativas dos carentes de atenção da turma 43.
No ano seguinte, 1994, conforme algumas intercorrências sócio-político-econômicas, me mudei para um bairro no extremo sul de Porto Alegre e passei a estudar na escola mais famosa de Belém Novo, Colégio Estadual Dr. Glicério Alves. Ali fiz parte da minha 5ª série. Não consegui avançar. Em 1995, repetindo a série, iria conhecer a professora que me motivaria (sem que ela soubesse disso) a me tornar um professor de Língua Portuguesa. O professor que me tornei. Ela foi decisiva!
Sobre ela, contarei numa próxima postagem!
terça-feira, 22 de julho de 2014
Dize-me, doutor, o que eu tenho?
A
vida às vezes se mostra contrária aos nossos planos. Temos inúmeras
expectativas seja nos outros ou o que as pessoas esperam de nós. Hoje vivi uma
cena bem peculiar e bem engraçada. Aristóteles, na Arte Poética, salientou que peripécia “é a mutação dos sucessos no
contrário, efetuada do modo como dissemos; e esta inversão deve produzir-se,
também o dissemos, verossímil e necessariamente. Assim, no Édipo, o mensageiro que
viera no propósito de tranquilizar o rei e de libertá-lo do terror que sentia
nas suas relações com a mãe, descobrindo quem ele era, causou o efeito
contrário”. Hoje vivi uma peripécia. Semanas, dias, meses, horas, vidas atrás
tive ímpeto de mudar o rumo das coisas, sair da rotina, mudar os ares, jogar
tudo para o céu. Temos que observar coisinhas tão pequininhas de nossa
sociedadezinha com as quais não concordamos e temos que viver miseravelmente
com elas. São tantas as adversidades morais, éticas, sociais que temos que enfrentar
que acabamos acreditando não suportar os revezes divergentes de nossa pequena
mente dita humana. Percebendo que esses revezes não têm fim e buscando
acreditar que EU, em caixa-alta, como EU mesmo sou para tudo, sempre gritante,
tenha culpa nos acontecimentos absurdos da vida, conclui que tinha que ir até
um psiquiatra, uma vez que sozinho não estava dando. Indo almoçar com minha
amiga, passei na frente de uma clínica, que fica na subida de minha rua. Falei
com a secretária do meu interesse. Ela sobressaltou a sobrancelha e o corpo e
disse: “Se o senhor quiser, tenho um horário para agora mesmo.” Disse a ela que
não, pois teria que voltar em casa para pegar meu cartão do plano de saúde. E
ela: “O Dr. M. só atende às terças-feiras. O ideal é que fosse hoje.” Pensei na
mesma ideia que a da secretária, pois começando a tomar os remédios hoje mesmo,
na próxima semana, certamente, seria um novo homem, um novo eu. Disse a
secretária, cujo nome é o mesmo de minha mãe, que iria almoçar e que em duas
horas estaria devolta para a metamorfose. Depois de saborear um belíssimo Filé
de frango recheado envolto em uma ornamentada crosta de castanhas do Pará ao molho
de vinho branco, nhoque com confit de tomates e um suculento involtini de
abobrinha com ricota e azeitonas da minha maravilhosa amiga gourmet, eu disse a
ela: “Tenho um horário marcado com um psiquiatra. Olha que orgulho!” Ela me
disse: “Mas que maravilha! Onde? Preciso de uma receita. Ai que saudade do meu
Alprazolan.” Lembrei do dito remédio. Um vento passou em meu rosto e lembrei
daquele domingo de fevereiro quando todos os amigos estavam hospedados no
apartamento de Titia no litoral norte (ah! O apartamento de titia). Esta minha
amiga simplesmente disse depois de um estafante dia de praia: “Agora, de
café-da-tarde, vamos tomar uma boletinha e nanar, pois temos que pegar estrada
para Porto Alegre. O mundo inteiro estará indo para lá depois do feriado.
Portanto, a estrada será longa.” Tremendo na base, tomei meio remédio. Me pus
no sofá da sala do apartamento de titia a jogar Candy Crush (o jogo de
frutinhas) quando simplesmente um sono súbito me acometeu. O céu fico preto, as
frutinhas do Candy Crush ficaram pretas, o apartamento de titia ficou preto, e
eu dormi. Três pequenas horas depois uma paz tremenda dentro de mim. Pegamos o
carro e partimos para a estrada. Nada mais nada menos que quatro horas depois estávamos
em Porto Alegre. Durante a viagem rimos, demos gargalhadas das peripécias do
final de semana. Nunca quatro horas de estrada foram tão rápidas quanto a desta
viagem (detalhe: Porto Alegre-Tramandaí a viagem dura 1h20 – se for muito
devagar ainda). Mas chegamos bem felizes às cinco da manhã. No quarto de hóspedes
da casa de meus amigos, simplesmente me joguei na cama. Não vou descrever a
cama. Por isso, já faço um merchan e
vou deixar a Luiza (do Magazine) fazer a descrição para vocês:
Dormi
longas e calorosas horas nessa cama. Acordei novo. Mais tarde fui para casa e
lembrei que estava ocorrendo uma greve dos ônibus de Porto Alegre. Fui a pé
para casa com o calorão todo. E mesmo assim não me senti mal. FIM DO FLASH
BACK. O vento passou e a mesma amiga disse que eu tentasse uma receitinha do
Alprazolan. Era uma boa ideia. Despedimo-nos. Fui até meu apartamento, que é
ali perto, peguei o cartão do plano de saúde. Na clínica, esperei por alguns
instantes até que um Psiquiatra sério, cenho de poucos amigos, clamou por meu
nome. Ele me indicou a quarta porta à direita. Que tenso. Fui caminhando por
aquele corredor contando apenas as portas. Quando cheguei na de número 4 um
pavor momentâneo se deu que cheguei a lembrar da porta dos desesperados do
Sérgio Malandro. Aff! Vai o vídeozinho ai!
Na
sala, havia duas poltronas, uma estante de livros. As paredes eram verdes e a
luz revelava um certo tom de mistério deixando o clima um tanto nebuloso. O
médico simplesmente perguntou: “O que te traz aqui?”. Eu abri um papiro e falei
tudo! Depois de tantas ideias, o médico simplesmente disse o que eu tinha:
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NADA
Ele
ainda disse que nenhum remédio me ajudaria. Somente me prejudicaria. Pedi pelo
menos um Alprazolanzinho a tira gosto. NADA.
Ao
sair, mandei um whatsapp para minha amiga de fé Felicia Volkweis, conhecida de
todos, desde os tempos em que os visigodos invadiram Valência, na Espanha.
Sabem o que ela me disse, caros leitores, em áudio no wpp? Isto.
“Haha.
Essa foi muito boa! Tipo, queridinho, tu não tem nada. Volta pra casa. Vai
tomar um chá!”
Assim
termino esse post tomando um chá de limão e gengibre. Até que me sinto melhor!
sábado, 15 de março de 2014
DISCURSO DO PARANINFO AOS ALUNOS DA TURMA 83/2013
"Antes
de tudo que será dito, desejo boa noite aos convidados, aos componentes desta
mesa e principalmente aos protagonistas desta festa solene. Parabéns pelos oito
anos de conhecimentos adquiridos, formandos das turmas 83, 84, 81 e 82.
Fui
tomado de surpresa quando, no início do ano, fui eleito o professor conselheiro
desta turma. A turma que não seria nem a melhor nem a pior. Apenas única. Todos
temos adjetivos únicos que nos tornam vistos por outros. Há gênios indomáveis
em cada um de nós; há os otimistas que, no alto de uma montanha, olham além do
horizonte e pensam que no futuro tudo será melhor ou que tudo voltará para o
lugar certo; há os serenos, que, quando um dia crescidos, perceberem que
mantemos a mesma essência de quando assistíamos ao desenho dos Ursinhos
Carinhosos. Esforço-me para ver no ser humano o seu melhor lado. Em nossas
aulas isso foi uma grande prática. Discutíamos o destino de Telmah e o que
havia de misterioso em seu coração;aprendemos que ser diferente em uma sociedade de iguais é mais comum do que imaginamos. Nossos mestres foram Eduardo Marciano, Mersault, Macabéa, Guedali, Amir, o que caçou as pipas. Personagens como todos nós, heróis e anti-heróis, que cometem erros tentando acertar. Sempre há uma grande esperança, Charles Dickens nos ensinou. Mesmo Tio Scrooge, que era tão velho e avarento, aprendeu na época do Natal que poderíamos mostrar ao mundo o nosso melhor lado e sermos felizes em torno da solidariedade. Falando em mudança, não posso negar que foi um desafio e tanto na época em que nos conhecemos.
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| Nossa última aula. |
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| Despedida de Dilma (Jéssica Motta, que foi morar em "Torrer") |
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| Lembrança do dia no Beto Carrero (com as turmas 81, 84 e 82) |
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| Nosso tour por Balneário Camboriú |
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| Grandes amigos |
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| Passeio criado por eles ao Itapema Park |
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| Zumbis The dark side! |
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| Em viagem ao Beto Carrero |
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| Anos 70 - mais um exemplo de equipe unida. |
Da sexta série para cá, deixaram de ser a 63 bagunceira, a turma
que era complicada de dar aulas. Passaram a ser, para mim e para muitos
professores, uma turma cujos alunos disputavam o conhecimento e a pesquisa. O
que eram nossas aulas dos jogos de revisão? A aula da Dança das Cadeiras?
Nenhuma turma dançou animadamente e numa vibração tão intensa durante as
brincadeiras. Aulas em que um de vocês acabavam imitando o modo como o
professor conduzia as aulas. Nossos seminários eram completos. Vocês
anteciparam conteúdos e comportamentos de alunos de Ensino Médio. Vocês não
foram leitores de enredo, tempo, espaço. Foram leitores do que não estava
escrito no livro, foram leitores críticos.
Eu gostaria de ter sido quem vocês
são quando fui adolescente. Eu estou vaticinando: a vida será muito bacana com
todos vocês. Vocês superaram limites, superaram os demais, superaram a vocês
próprios. Vocês estão livres intelectualmente. Vocês estão prontos para
caminharem sozinhos. Prontos para caminharem sem este paraninfo, que se despede
de vocês de uma maneira tão singela. O primeiro voo de um pássaro não deve ser
nada fácil. Pede coragem, mesmo que com medo; exige um exemplo que faça por
onde. O sol já se pôs e algo em vocês se foi. Façam como David Copperfield ou
Dom Quixote: Jamais desistam de seus sonhos. Lembram do filme: O Estudante, a que assistimos na sétima
série? Lá contava a história de um senhor que decidiu estudar na faculdade de
Letras e, portanto, estudar Literatura. Ele encontrou um grupo de jovens com
quem fez profunda amizade. Todos o admiravam pelas ideias e pelos sentimentos.
Certo dia Chano, o protagonista do filme, se viu viúvo e sem nenhuma
perspectiva de continuar a viver sozinho. Imerso em sofrimento, ele abriu o
livro Dom Quixote e releu uma dedicatória de sua falecida esposa: JAMAIS
DESISTA DE SEUS SONHOS, MESMO QUE OS CÃES LADREM. O meu sonho era vê-los
unidos, integrados. E em 2013 tivemos inúmeras experiências juntos. Jamais
esqueceremos da integração nos intervalos durante os jogos de volei. Formamos
um time de amigos inseparáveis, amigos com os quais sempre gostaríamos de estar
juntos, encontros chamados de aula que não poderiam acabar, piadas efetivamente
divertidas, energia sempre positiva, sorriso no rosto, abraço forte, espirito
de união. Agradeço também aos meus colegas professores que muito contribuíram
intelectualmente para a essência desse time. Agradeço imensamente aos pais e
responsáveis por terem confiado a mim na árdua tarefa de ajudá-los a
desenvolver o voo de seus filhos. Parabéns pelo trabalho aos pais! Estamos
formando futuros líderes. E não tenho dúvida de que isso acontecerá.
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| Nosso time no intervalo |
Para
finalizar, imagino esse time abraçado, essa turma de maragatos unida pela
última vez. Fomos felizes e proporcionamos mais felicidade aos que nos
acompanharam no caminho. O que há de melhor em uma sociedade é quando nos
deparamos com pessoas que desejam nos fazer felizes. E melhor ainda quando
desejamos isso. Continuem como estão, nem melhores, nem piores, apenas únicos.
Para isso, remeto-me a Gonçalves Dias, em Canção
do Exílio,
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Peço
licença para falar da turma 83 nesse poema de sete sílabas poéticas.
Nosso
céu, 83, tem mais? estrelas
Nossas
várzeas, 83, têm mais? flores
Nossos
bosques, 83, têm mais? vida
Nossa
vida, 83, mais? amores.
Eu,
este professor, em cismar sozinho à noite, mais prazer encontrei na 83, porque
na nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá.
Ano
passado todos os alunos da turma a qual fui paraninfo subiram neste palco para
me homenagear. Hoje, eu desço até vocês, para agradecer num abraço único e
último.
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| Humor e criatividade era com a 83 |
Amo
vocês. E por vocês eu viveria tudo o que vivemos MIL VEZES. Obrigado, guris. Vocês fizeram o meu 2013
valer a pena!"
Atualmente no Ensino Médio:
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| Hoje, Somos 103 |
sexta-feira, 14 de março de 2014
É o fluxo... de consciência.
Enquanto meus alunos da 302 escreviam seus textos baseados na linguagem do fluxo de consciência, inspirei-me e passei a escrever:
"Cá estou nesta sala de aula e sinto e vejo e grito por dentro dois sons: o da energia do ventilador e o da minha cabeça que estoura de dor ao ouvir o caminhão da liquigaz. Tudo, como prevê a vida, no mesmo horário, com as mesmas pessoas, com as mesmas ansias, com as dores morais.
Como está azul. Isso é triste e calor. Além de triste é irritante. Lá na rua, no meio de uma tristeza, há uma senhora cansada que carrega as compras do Guarapari. Vejo que o vento, triste, bate em sua blusa branca. Uma menina desce, dolorosamente, a rua com seu iphone a escutar Anita. Preparei-me para mais um latejar de dor. Não eram nuvens no céu. Não estou bem. Preciso do silêncio em mim para que a cabeça pare de sofrer.
Os alunos estão tensos. Tensos como o azul. Por que passei a detestar o azul? Só por causa da dor. Da dor de cabeça.
Um homem de blusa verde sobe a lomba da esperança. Rumo à Aparecida? Rumo a Monte Alegre? Lá está o morro. Lá está ele incólume na subida do morro das vitórias. Sobe tenso sob o sol. Sol que mata. Sol de verão da má saúde.
Não quero mais escrever. A dor bate novamente. Respiro a falta de ar. Queria a liberdade quanto ao número de linhas.
O homem deve ter chegado ao morro. Infeliz, nesse dia de sol, já deve ter percebido que nada adiantou ter lutado tanto. Lutar para sentir dor? Essa mesma dor de cabeça que hoje me mata? No monte que diz ser alegre, sou alegre com esses absurdos contraditórios. Aparece-me a esperança, complacente e sem nexo, a gritar: "Vá ao morro que lá estarei a te esperar!""
Foi isso que saiu na minha experiencia de um dia de má saúde!
Serei perdoado por Virgínia, Clarice, Marcel e James?
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