quinta-feira, 1 de julho de 2010

Calígula, com Thiago Lacerda





No último domingo, 27/06/2010, Porto Alegre tremeu, pois houve nesta idílica cidade a última apresentação de Thiago Lacerda, o Matheu, encenando Calígula, com texto original de Albert Camus. Fui ao lado de minha mais nova amiga e parceira de viagem, Cleíssima. Ficamos no camarote 14 e vimos muitas cenas dos bastidores que não poderíamos ver. Entre elas a cena em que a prostituta com quem Calígula se relacionava teve seu fim trágico. Ela fora assassinada pelo rei horrorendo, subiu numa escada e se jogou. Mas essa cena de se jogar, para mim e para Cleíssima, já era esperada, pois de nosso camarote enxergamos os demais atores esperando a atriz cair de costas. Assistir a uma cena de morte como essa para mim foi uma experiência inédita, pois tenho assistido muitas montagens de Luciano Alabarse, entre elas Édipo Rei e Medeia, quando as personagens jamais morrem em frente ao palco;ou como dizia meu amigo Aristóteles, que as cenas perniciosas deveriam ser obcenas. Para mim foi um encanto ver Calígula ensangüentar-se com o ódio do povo vingador. Não que eu seja fã e adepto ao sangue, muito pelo contrário, mas, digo e repito, é uma surpresa assistir a uma cena de morte no Theatro São Pedro. Outra cena que muito me emocionou e certamente surpreenderá ao leitor que não teve o mesmo azar que eu foi aquela em que o maioral Thiago Lacerda arrebata um tórrido beijo técnico, digno de Matheu e Giuliana, num ator, cujo personagem era encantado por Calígula. Foi um escândalo!!! Para quem senta nos camarotes tem uma visão privilegiada da repercussão instantânea. Havia ali vários membros da comunidade acadêmica, do curso de Letras, sim, do curso de Letras, e se é do curso de Letras, as estatísticas comprovam que de 10 alunos de estudam Letras 3 são homens. Dois deles, gays. Vi vários coleguinhas, cujos olhos brilharam com aquele beijo técnico. Eva Soffer, que lá estava, e que só a vi, quando o ator principal a anunciou... bem, não sei o que deve ter se passado na mente dela; mas sei que ela ficou muito feliz quando Thiago, (estamos nesse nível de intimidade), falou ao final da apresentação que deveríamos todos agraciar a obra desta personagem que contribui para a cultura de nosso pais. Palmas, palmas e mais palmas.

Entre chibatas, urinas de Calígula e este andando a mostrar seus músculos não tão suntuosos, pois Matheu deu uma engordadinha depois que teve um final feliz com a sofredora Giuliana.

Enfim, concluo depois de falar algumas besteiras, que Thiago Lacerda é um grande ator, pois encenou a mentira com muita veracidade. O homem está recuperado dos pobres personagens calamitosos que Manoel Carlos tem reservado para ele em suas novelas. Páginas da Vida e Viver a Vida foram muito pouco para ele. E o Giussepe? Será que o homem só sabe fazer papéis de italianos? Mais bobagens... Mas ele é um bom ator e nos 100 minutos de peça, emocionou a todos com o humor negro de sua personagem. Viva Calígula! Viva Albert Camus, o homem do absurdo! E viva o existencialismo!

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