segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Felícia, uma grande amiga





Hoje falarei um pouquinho de uma amiga mui cara para mim: Felícia. Fomos colegas de faculdade, mas nunca a vi. Transitávamos pelos mesmos espaços, mas o destino não permitiu que nos cruzássemos. Mas um dia, como numa novela das oito, quando duas personagens devem se encontrar, o enlace ocorreu numa sala clandestina de informática, local onde o grupo seleto de viajantes se encontraria. Naquele dia, de reunião de viagem, assim que pus os olhos nela e a vi dando sua gutural gargalhada, uma gargalhada típica de pessoa de boa criatividade e bom humor, pensei: essa ai vai ser uma bela amizade e uma grande companhia de viagem. Gostaria de estar com ela. Sei que mal sabia o seu nome. Eu dizia para todos que gostaria de fazer amizade com Marcilene, a professora de inglês. Foram várias semanas que a confusão, digna de uma comédia de Plauto, dominava a minha in-consciência. Num segundo encontro, quando pudemos conversar, pensei: com ela eu ATÉ me casaria, de tão legal que era. Num terceiro encontro, andava eu pelos campus da faculdade, quando nos deparamos. Estava eu correndo para finalizar o meu projeto de Estágio Supervisionado (pois queria deixar tudo okay antes de viajar). Lá estava eu, desesperado (como na época da pré-história) tirando Xerox de livros e colando numa folha de ofício). Felícia surgiu e dizia o que eu devia fazer para adiantar o trabalho. O pior que eu ainda não tinha certeza que ela era Felícia, visto que eu ainda achava que se tratava de Marcilene. A peripécia surgiria quando, Lúcia, a professora orientadora, a chamou pelo nome: FELÍCIA. Ali a epifânia se deu. Mal sabia que a moça por quem me simpatizei seria bolsista comigo no COLÉGIO MAYOR GALILEU GALILEI numa das cidades mais lindas da Catalunha, Valência. Sim, viajamos juntos. Rimos juntos. Cansamos juntos. Guiamos juntos. Choramos juntos. Nos grades momentos de minha viagem, que foi sensacional, essa grande pessoa estava comigo. Inteligente, sagaz, sexualmente ativa (às vezes inativa, mas desesperadamente determinada em mudar quando a situação é essa), professora, criativa, engraçada, dramática, impulsiva, ansiosa e ainda por cima sincera, o que confirma todo o perfil. Felícia, essa minha amiga, transita por todas as esferas sociais, não há preconceito nesse espírito: frequenta, desde a banda da Saldanha até a alta pompa do Leopoldina Juvenil; diverte-se com namorados mais seletos da cidade, desde jovens trabalhadores noturnos da José Bonifácio, cabos do exército, a altos cargos do executivo de um banco; seus amigos, os mais incríveis possíveis (o que me parece), pessoas em sintonia com ela, gente do bem. Boa filha, Felícia ampara o pai nos momentos mais separatistas. Trabalhadora, sua agenda está preenchida, de domingo a domingo, até o momento em que o programa do Serginho Groisman começar nas altas horas. Muito conversamos em nossa viagem. Um voo marcante, dos muitos que fizemos juntos (desde a viagens de trem pela Espanha), foi o translado Paris-Lisboa, quando fizemos a troca de fotos por meio de seu laptop. Quando estávamos sobrevoando a histórica Lisboa, para dali voltar a Terra Papagali, uma turbulência, nunca Dante voada por nós, acometeu todos os passageiros. O hospedeiro, que desta vez não era gay, corria na aeronave. Nossas barrigas arrepiavam com aquela descida brusca. Dom Sebastião tinha que voltar para nos salvar daquele apuro. Felícia e eu nos olhamos, e muito diferentemente de Chico Xavier, que berrava na turbulência de um voo da VASP, mantivemos a educação, mesmo na hora de nossa morte, amém. Uma criança chorava desesperada (até chegamos a pensar que era Lindy, mas não, era juma criança mesmo). Depois de estarmos no chão e traumatizados daquele voo maluco, tivemos nove horas e meia para dissertar a respeito das inúmeras manifestações do amor em nossas respectivas vidas. O voo foi rapidíssimo. Como ser entediante um voo transoceânico quando se escuta a história de vida dessa personagem? A cada palavra, mais fã eu ficava.

Diferentemente de pessoas que se conheceram numa viagem que acabam se afastando (experiência vivenciada inúmeras vezes) após intensas emoções, não criando vínculos, trocando apenas histórias e vivências passadas no tempo em que a viagem transcorreu, Felícia e eu (mais Dieniffer) pudemos perceber que as luzes da sintonia e dos grandes planos que uma força maior pode nos proporcionar colocou-nos, como de presente um ao outro, para o fruto de grandes afetos e grandes emoções. Um fato sempre ocorre comigo, pois não sou de selecionar as pessoas – desde que elas estejam sintonizadas em minha vida, mas o pior se ter sintonia com determinadas pessoas e elas te “excluir”, livre-arbitriarmente, de um grande convívio. Mas como tivemos essa lucidez, continuemos essa parceria muito bacana, de duas pessoas que muito compartilham dos mesmos valores e das mesmas filosofias.

Tudo isso, caros leitores, para que vocês, que piedosamente me seguem, que sigam também essa grande personalidade, Felícia, que acabou de criar um blog, um blog que ela disse ter se inspirado neste que abala sua turva existência. Então, seja leitor-seguidor dela também.


http://feliciavolkweis.blogspot.com/


Aqui nós no Mediterraneo...




Felícia em Barcelona degustando uma paella...


Nós, aqui, no Funicular de Montjuïc, Barcelona (SAUDADE)...



Felícia, esperando o grupo B, que chegaria às 14h20min...


Felícia, em Paris, na Étoile...


Nós, em Valência, na Estació Alameda...


Torre Agbar, em Barcelona...


Em busca de Inmaculada Carrasquer...


Poblenou, um parque em Barcelona...


No metrê, em Barcelona...


ADORO-TE, MINHA AMIGAAAAAA.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mais uma vez paris - 2/2

Saliento ao leitor-seguidor, na continuidade das narrativas, que esta é a última e senão a mais emocionante de todas as aventuras europeias. Não por ser em Paris, mas sim devido os acontecimentos que surgiriam.

As perguntas que ficaram na postagem anterior eram: Será que Cândida subiria na Torre Eiffel? Que palavras eu disse a ela? Eu conseguiria convencê-la da grande aventura? Ela iria contra seus traumas longínquos (do dia anterior)?

É claro, profícuo leitor, que tem o desaproveito de me acompanhar, pois sou muito devagar na narratória, que minha Amiga Cândida subiria na Torre Eiffel. Com minhas teorias psicanalíticas (por vezes das piores, mas para um bem benéfico) disse para Cândida o que ela jamais gostaria de vivenciar:
— Cândida, tu podes ficar aqui, mas a probabilidade de nos encontrarmos será nula. Olha a multidão de pessoas. Eu não quero te ver perdida em Paris, da mesma forma como ocorreu em Barcelona. Eu quero muito que tu subas, mas a decisão agora está nas tuas mãos.
Um segundo depois Cândida estava num canto daquele enorme elevador. Entramos juntos com ela. A cada metro que o ascensor se elevava, o ruído das ferragens era mais um som que se esquecia, assim que víamos as luzes daquela belle ville. Assim que descemos, primeiramente no segundo andar, local onde podemos viajar por lojas e brasseries, além de contemplar, é claro, a belíssima pintura da cidade, segurávamos Cândida pelas mãos para que ela pudesse ter coragem de dissipar seus medos. Na medida em que íamos irradiando boas energias, a força de Cândida foi tomando forma até a hora em que ela nos disse entre sorrisos: “Vamos para o Terceiro Piso?” Encaramos uma fila não muito agradável para pegarmos outro elevador. Era muita gente para subir ao terceiro lance.




Entramos na caixa evolutiva e tivemos as sensações que, a cada centímetro, se elevavam na mesma proporção que o elevador. Paris se tornava uma maquete e as pessoas no Camps de Mars pequenos pontos no jardim do campo. SORTIE. Saímos. Imediatamente nos deslocamos até o vidro (fechado) que cerca todo o terceiro piso. Naquele momento eu vivera aquilo na noite. Pela primeira vez, como minhas companheiras, Paris era vista do alto (mas no meu caso, á noite). Os Bateaux-Mouches passeando no Sena; os carros se cruzando na Étoile, nos doze vértices que saem do Arco do Triunfo; a cúpula dourada da Invalides, onde está enterrado Napoleão; a Basílica Sacre Coeur, no alto de Montmartre, iluminada em branco; a Tour Montparnase, prédio com mais de cinquenta andares (grande ponto turístico); a Igreja Notre-Dame de Paris, com suas gárgulas góticas. Cândida ainda perguntou, olhando para a escada: “O que há lá em cima?” Eu respondi: “O boneco de cera de George Eiffel. Tão real que parece que, ele e seus amigos, estão conversando num escritório”. Subimos aquele petit lance. Vários casais se beijavam apaixonadamente (cada um com os seus, evidentemente). Outros, amigos, tomavam champagne e gritavam em outra língua.

Descemos da Torre. Nas escadinhas que davam para o rio Sena, sentamo-nos e nos alimentamos com o crepe que somente os franceses sabem fazer (graças a Deus nada de palitinhos, como é conhecido popularmente em Porto Alegre, quiçá no Brasil). Depois de jantarmos, fomos andando pela beirada do Sena. As pessoas se preparavam para passear de barco naquela refrescante noite parisiense. Continuávamos o nosso caminhar, observando os carros no Quai Branly. Assim que chegamos à Pont de l’alma, entramos na Gare ALMA MARCEUAU em direção a Pont de Sèvres. Duas estações descemos na Trocadéro para fazermos a conexão com a linha 6. Algumas paradas depois nos conectamos mais uma vez a outra linha. Na estação Pasteur nos dirigimos a penúltima linha para chegarmos em casa. Na carreira 12 do metrô, descemos em Porte de Versailles. Com isso sim, chegamos em casa, depois dessa via crusis. DICA QUENTE: NÃO COMPRE NADA NA CVC. Uma vez no quarto do hotel, uma sede me dominava. Desci para comprar uma coca-cola. Na máquina percebi que tinha à venda as Madeleines. Uau! Comprei o bolinho da Recordação dos Tempos Perdidos. No quarto, embebi o refrigerante e comi a Madeleine. A cada mordiscada ia esperando a epifânia, a lembrança, o momento da redescoberta. Proust me enganou! Com essa quebra de expectativa, fui para cama.








No dia seguinte a coleção de estações de metrô também foi uma rotina. Saímos de casa por volta das nove da manhã. Nosso primeiro destino era a colina de Montmartre. Ah, que prazer! Marcamos: Cléia, Cândida, Lindy, Diennifer e eu tomarmos um petitdejaneur legitimamente francês. E ainda por cima numa brasserie em Montmartre. Gostaria muito que Tia Cida e Felícia estivessem conosco, mas elas optaram por fazer compras na Lafayete e mas também porque caminhariam pouco. Bom! De Porte de Versailles até Montmartre foram nada mais, nada menos do que 19 estações de metro. Depois de descermos em Pigalle, fizemos uma conexão com a linha 2. Nesta, passamos pelas Gares Anvers, Barbès Rochechouart (que minha professora Suely recomendou que não descêssemos nesta, pois certo dia um árabe tapeara sua nadegueira assim que descobriu que ela era brasileira – aff!) e enfim descemos na Gare La Chapelle. Lá, nenhuma de minhas companheiras foram deliciosamente abusadas nas suas brasilidades. Coisinhas das tribos dos tupinambás. Fomos caminhando pela parte negra de Montmartre, pelos cenários das obras naturalistas de Zola. Naquela colina, o bairro em que estávamos era o Goutte D’Or – ponto de referência de um grande romance deste grande autor da literatura francesa. Mas como o foco não é esse, por mais que o hibridismo possa ocorrer, o principal aqui é contar as aventuras de viagens. Fomos andando naquela parte pobre. O olhar que alguns aborígenes nos fitavam era o mesmo olhar dos brasileiros de má-fé. Ficamos com medo de sermos presos num terrível tugúrio em Montmartre, o que seria até elegante ser sequestrado em Paris...! Uma vez na Rue des Poissonniers fomos andando observando a humildade do bairro. Alguns passos (mais passos) depois encontramos a Boulevard Barbès, mais trafegada e menos pobre. E mais adiante a Rue de la Goutte D’Or, a rua do Romance L’Assommoir, bem como aquela que andamos, a des Poissonniers. Fomos à busca do café-da-manhã. Subimos uma das escadarias de Montmartre. Os corvos piavam. Lembrei-me de Edgar Allan Poe e Baudelaire.








Mais adiante, em frente a mais bela escadaria, a escadaria que chegamos a Basílica de Sacré Coeur, paramos assim que vimos uma placa na porta de uma brasserie. Entramos e pedimos o mais prazeroso café-da-manhã da minha vida. Entre amigos e ainda por cima em Paris, na Paris que eu gostava, em Montmartre, a Paris dos artistas, a Paris dos dionisíacos.







Enquanto isso no Musée do Louvre...
As outras meninas saboreavam Monalisa. A sala imensamente adornada de turistas, entre eles, inúmeros chineses ou japoneses ou coreanos do sul, ou coreanos do norte, ou todo o bairro da Liberdade de São Paulo. As meninas olharam para trás e não enxergaram Marcilene. Certamente ela tirava fotografias das pinturas que mais lhe marcava. Marcilene se viu sozinha no corredor da arte italiana.












Em Montmartre, tirávamos fotos na escadaria. Vislumbramos Paris inteira por cima. Um homem tocava harpa. Na Basílica, onde eu entrava pela segunda vez na vida, chorava descrente por ser merecedor daquela dádiva. Agradecia, somente. Não pedia mais nada. Assistimos a um pouco da missa.




Na área egípcia do Louvre, as meninas tiravam fotografias. Mas fotografias-preocupadas: Onde estava Marcilene? A moça que perdeu o passaporte (mas achou), a moça que queria pilhas em Valência, a moça que sentiu as mesmas pilhas explodirem em suas mãos, a moça que se perdia sempre do grupo, a moça da mala que trancou a escada rolante, a moça que realmente se perdeu, que se perdeu dentro do Louvre.




Andávamos na Paris do Fabuloso Destino de Amelie Poulain. O Carrossel de Montmartre. As feirinhas de pintura. Caminhávamos, observando tudo, pela Rue des Abesses. Passávamos por praças, restaurantes típicos, bares, cafés. Em seguida minha intuição dizia para descermos a Rue Lepic. Mais restaurantes e mercados. Placas anunciando a Basílica. Em nossa frente surgia imponente ele, o Moinho, o Moulin Rouge, no Boulevard Clichy, junto à estação de metrô BLANCHE.




No Louvre, as meninas: Lúcia, Felícia, Tia Cida, Taís, Marcela e Deise se encantavam com o quarto dos reis. As joias e a pompa do lugar.




Enquanto isso, despreocupada, Marcilene tirava uma foto com sua amiga Vitória de Samotracia.




Andávamos mais um pouco por Montmartre. Desta vez no Cemitério do Bairro, perto do Moulin Rouge. Estávamos lá para ver o Túmulo de Alexandre Dumas Filho, autor do célebre romance A Dama das Camélias. Ali também estava Marie Duplessis, a prostituta de luxo que viveu com o autor uma retumbante história de paixão no século XIX. Andamos e andamos pelas ruas do cemitério. Sem mapa em mãos não conseguíamos nos achar naquele emaranhado. Na próxima vez, com certeza.



Passamos por em frente a um restaurante. Na placa anunciava um item peculiar: Croque Monsieur, prato a que, certo dia, assisti num filme (num dos meus preferidos, a comédia romântica Simplesmente Complicado). Combinei com Dieniffer que iríamos num café da Literatura almoçar esse prato tipicamente francês. “Vamos ao Café de Flore, o café dos existencialistas?”. As meninas aceitaram. Antes disso, fomos ao Cemetière du Père Lachaise. De Montmartre, pegamos o metro na Gare Blanche e 11 gares depois desembarcamos na estação Père Lachaise. Na entrada do cemitério compramos o mapa da cidade dos mortos por € 2. Lá, guiados pela moça que trabalhou com mapas, Cândida, os turistas da literatura e das artes foram conhecendo as ruas daquela necrópole. Conhecemos o túmulo do Napoleão das Letras, Balzac; o homem da Madeleine, Marcel Proust; o transgressor, Oscar Wilde; a voz da França, Piaf; os marco da literatura francesa, La Fontaine e Molière; a vanguarda de Collete. Lá, por motivos de tempo, não podemos conhecer a tumba de Allan Kardec, Auguste Comte, Morrison, Chopin, Chaplin, nem Eugène de Rastignac.






Jogadas no jardim da Invalides, as meninas descansavam, inválidas, de tanta caminhada.




Mais tarde, atravessávamos a Place de Châtelet em direção ao Saint German-de-Près. Passamos em frente a Notre-Dame de Paris. Cândida e Lindy expressavam seu mal-estar. Cândida teve que entrar numa loja, Côte a côte, para comprar um calçado mais apropriado para a viagem. Dieniffer, sentada num banco, respirava ofegante.





Cléia e eu éramos insaciáveis no traquejo turístico. Enquanto as meninas compravam calçados, Cléia e eu andávamos pelo Boulevard Saint Germain. Eu estava ansioso para saber que prato era o Croque Monsieur. Abordamos duas francesas. Eu falei:
— Salut! Nous sommes turists. Je voudrais le Café de Flore, sil vous plâit.




Totalmente invalidas, na Invalides, Felícia, Marcela e Deise decidiram voltar para o hotel. Mas antes se perguntavam, mais uma vez: Onde estava Marcine?
— Gente, tô preocupada. Ela deve estar desesperada em algum lugar.
— Mas onde? Como iremos sabe? — disse outra.
— Ela vai se virar. Vocês vão ver.
— Não, temos que chamar a polícia. A polícia francesa, agora.




Enquanto isso no Boulevard Haussamann, Lucia, Tais e Tia Cida iam até a realização cosmética de seus sonhos, na Galeries Lafayette.




Dieniffer ofegava, a glicose e a pressão abaixara, o sol-absurdo e forte anestesiava os sentidos dessa minha amiga. Respirava fundo. Transpirava. Tudo perecia girar. As pessoas não tinham mais forma. As árvores pareciam cair. Os carros se confundiam uns com os outros. Pálida como uma folha de papel. Pálida como uma folha de papel, de olhos fechados, cabeça pendida e braços caídos num banco verde do Saint German-des-Près.



E é nesse clima tenso que chegamos, como uma boa narrativa folhetinesca, essa penúltima postagem dessa inebriante postagem.

Como minha amiga Diennifer se salvaria dessa tensão clínica? As sonhadoras da Galerie Lafayette regozijariam a felicidade de chegar ao paraíso? Cândida, para poder andar melhor, conseguiria comprar seu sapato na Côte a Côte? Cléia e eu encontraríamos o Café de Flore por intermédio das moças francesas? Eu teria o prazer de saber o que era o Croque Monsieur? A polícia francesa seria acionada? Como Marcilene se “virou” em Paris? E pela última vez... Onde estaria Marcilene?

REVIRAVOLTAS NA ÚLTIMA E MAIS SURPREENDENTE POSTAGEM DESSA EXPERIÊNCIA ARRISCADA: viver.




sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mais uma vez Paris - parte 1/3

Era cinco e meia da manhã do dia 11 de setembro de 2010, quando todas as meninas e eu estávamos prontos para pegar o voo para Paris. Eu estava excitadíssimo, pois tinha pensado em cada dia do ano no momento em que reveria esta cidade. Para tanto, naquela manhã fria, e imaginando que em Paris a temperatura estivesse em torno de 15ºC, vesti-me de gola olímpica e um suntuoso sobretudo.

Passamos pela imigração européia, logo que recebemos nosso ticket aéreo, no check-in da Vueling. Minha ansiedade era tamanha que não tive estômago para um café da manhã. Fiquei andando entre as lojas de free shop para sentir o tempo passar. Na verdade minha ansiedade tinha outro motivo: o pós-trauma de minhas amigas que se perderam em Barcelona. Para tentar acalmá-las, pedi que elas não saíssem de perto de mim. Caso isso acontecesse, elas teriam uma bela Paris.

Senhores passageiros, nosso voo se direciona ao aeroporto de Paris-Orly. Nosso tempo de voo é de uma hora e meia. Apertem os cintos, posicionem suas poltronas na vertical e boa viagem.

O voo foi um sucesso. Diennifer e eu fomos conversando agradavelmente durante o trajeto. Uma vez em terra firme, pegamos nossas malas e nos dirigimos ao balcão de informações. Compramos o passe antecipado PARIS VISITE, ticket que nos dava livre acesso a metrôs, trens e ônibus por Paris por dois dias. Depois disso, fomos em direção ao terminal do ônibus DENFERT ROCHEREAU, que nos deixaria em frente à Gare de Metrô que nos levaria até o hotel PARIS XV. As aventuras começaram assim que fomos embarcar no ônibus. Fui o primeiro a entrar no coletivo e pagar a taxa de € 6,60 ao motorista. Em seguida mais cinco colegas ainda entraram. Abruptamente, a porta foi fechada pelo condutor. Isso fez com que Deisy voasse para fora do ônibus. O carro partiu. Em menos de quinze minutos estávamos esperando no final da linha. Já estávamos sem casacos. Paris: 30ºC. Em seguida, as outras meninas chegaram. Dirigimo-nos ao metrô. Assim que chegamos à plataforma lembrei-me da primeira vez que estava em Paris. O comboio laranja, das linhas de trem, que nos levava ao Charles de Gaulle naquela sexta-feira 13 de fevereiro de 2009. (Leia se quiser em: http://wwwalexvalerio.blogspot.com/2010/06/as-perdidas-sem-mapa-sem-lenco-e-sem.html e http://wwwalexvalerio.blogspot.com/2010/07/as-perdidas-sem-mapa-sem-lenco-e-sem.html). Quando o trem surgiu, o pegamos. Mas olhando em meu mapa e verificando o sentido da locomotiva, percebi que estávamos nos afastando de nosso destino. Na parada seguinte descemos todos, cheios de malas. Para nos guiarmos, a Professora Lúcia pediu auxílio a uma francesa que estava sentada lendo um livro. Ela explicou-nos o caminho que deveríamos tomar para chegarmos às linhas de metrô. Íamos passando tranquilamente pelas portas giratórias que davam acesso ao metrô. Mas por um contratempo, Cléia, minha amiga, fora engolida entre a porta e a roleta. Ela gritava, ria, gargalhava, pedia socorro. SOCORRO! A mala estava presa com ela. Os cabelos esvoaçavam. Como um perfeito-amigo, fui até ela e a orientei da maneira mais equilibrada para se desvencilhar do estômago daquela catraca. Final feliz, após muitos ataques de risos. Entre sobe e desce de escadas, as meninas iam puxando malas. Certo momento, um grupo decidiu pegar um elevador. Ali pensei num déja-vu (será que tinha visto uma cena parecida em Barcelona? Grupo se separando?). A caravana (de Sílvio Santos?), que estava a pé, se dirigia a plataforma da linha 6 com sentido à Étoile. Sentamo-nos e aguardamos com que as outras aparecessem. (Elas sumiram. Nada melhor que começar Paris com mais uma aventura). Elas apareceram. Algo tirou minha elegância das órbitas: algumas anunciaram que queriam fazer compras na Galerie Lafayette. Deixei bem claro a elas que eu iria seguir o roteiro que tínhamos combinado. Mal sabíamos o que aconteceria conosco. E mal elas sabiam que jamais encontrariam a Galerie aberta. Pegamos o metrô. Abrimos a porta do vagão e entramos com as malas. O sinal de que as portas fechariam soou. A máquina passou a se movimentar. Tinha esquecido o quanto era dinâmica as linhas metroviárias parisienses. Transitamos seis estações. Fizemos uma conexão na Gare LA MOTTE PICQUET GRENELLE e nos dirigimos à linha 8, com direção a Balard. Quatro estações depois, descemos em BOUCICAULT. Antes de ganharmos a rua, as meninas iam subindo as escadas rolantes. Uma delas, Marcilene, com sua delicada mala de 30 kg, pressionou uma delicada-francesa. Isso se sucedeu da seguinte forma. Marcilene, que era surpreendentemente a primeira da fila, na escada rolante, viu sua mala trancada no final daquela escadaria. Por lógica, ninguém conseguia sair daquela emboscada. As pessoas iam se aproximando dela. A francesa era a primeira da fila. Mas atrás desta se aproximava o batalhão de mulheres brasileiras com suas respectivas malas. A leitora de Balzac no original olhou para trás e esbugalhou os olhos, se vendo num filme da série Jogos Mortais, sendo a próxima vitima de uma terrível prensadeira indianista. Um salseiro no cume da escadaria se deu. Felícia e eu, que puxávamos o grupo, estávamos isentos daquela feliz história. Olhávamos perplexos, não sabendo se riamos ou se ajudávamos. Mais uma vez, uma história de subterrâneos. Em Paris, tudo acontece muito rápido. Mais uma vez, final feliz. A francesa saíra com um riso amarelo, pronta para ler as cenas da vida parisiense da Comédie Humaine.

Ganhamos a Rue de la Convention. Por certo momento não sabíamos se íamos para a esquerda ou para a direita da rua. Então Felícia, com seu inglês norte-americano, decidiu pedir ajuda; Lúcia correu na frente e questionou, com seu francês da Aliança, onde ficava o HOTEL PARIS XV. Uma vez com as orientações, fomos puxando as malinhas. Enfim chegávamos à rua em que víamos no Google Map. Pronto! Até que não foi tão difícil. Apresentamos nossos vouchers. A moça da recepção informou-nos que não há nenhuma reserva para nenhum dos nomes citados nos vouchers. Lúcia e a recepcionista passaram a discutir sobre a questão. A mulher mostrou-nos que o endereço citado no voucher não era o mesmo da rua em que nós estávamos, muito menos onde ficava o HOTEL PARIS XV. Olhei para Felícia e certamente ela deve ter lido em meu olhar: “Só falta esse tal Hotel Paris XV não ser em Paris”. Todos os hotéis que a CVC nos colocou era em outra cidade! Dito e feito. Lúcia e eu pegamos o mapa e nos dirigimos a Rue Douparadour. Lá estava o homônimo HOTEL PARIS XV. Em Port d’Issy. Entramos.



Enquanto isso um incidente dantesco e bem sexual ocorreria no 15º distrito. Tia Cida ficou desesperada, pois sua bexiga gritava aos quatro ventos devido a inchação mórbida. Para acudi-la, Cléia, como sempre, Cleíssima, foi para acompanhá-la a um banheiro público. Próximo a Rue de la Convention havia um banheiro na praça. A porta de ferro se abriu, Tia Cida desabotoou a calça, cheia de prazer com a iminente excreção. Uma secretária (eletrônica) ia dando as instruções para usar o toilette. A calça de Tia Cida jazia em seus joelhos e o primeiro pingo urinário surgia. O prazer seria súbito se ela pudesse usar o urinol (como dizem nossos amigos portugueses), pois o sanitário desaparecera misteriosamente. Tia Cida se questionou com os joelhos presos para também prender o dilúvio que viria. Cléia esperava do lado de fora. Uma das regras do toilette de la place era, por uma questão lógica (pense comigo, leitor-seguidor): a porta de ferro abria a porta para o novo usador; o usador fazia suas necessidades; o vaso, uma vez saciado de aluviões, entrava para algum lugar misterioso para ser lavado; e por lógica, leitor-seguidor, o que o usador deve fazer após usar o toillete, além de lavar as mãos? Feliz é aquele que chegou a conclusão que se deve sair dali, e para sair dali, a porta se abre num rompante automático. Foi isto o que aconteceu, caro seguidor: assim que o vaso desapareceu, sem ao menos ser alimentado da chuva forte de Tia Cida, a porta do toilette se abriu sem ao menos esperar, o que seria delicado para um banheiro parisiense. Tia Cida ficara estática, com suas vergonhas à mostra em public place. Ela apenas perguntava: “Cadê o vaso?” – dizia uma mulher nua em PARIS. Me ne quite pas.



Lúcia e eu adentramos e nos certificamos que estávamos no lugar certo. Lucia falou com a recepcionista e pediu para que pudéssemos entrar em contato com o errôneo PARIS XV. Uma vez feito isso, descobrimos que as meninas haviam desaparecido. Oh mon Dieu, onde elas foram parar? Pegamos um trem de superfície, cuja estação era na frente do hotel. Na estação seguinte, em Porte de Versailles, pegamos o metrô em direção ao pseudo-Paris XV.




Enquanto isso, na sarjeta, as meninas sentaram-se na calçada, cobertas por malas e casacos.
Certo momento os sapatos foram tirados, ficaram a brasileirinhas, de Havaianas ou então de rasteiras. Felícia, com o humor sempre apurado (obrigado por dividir momentos insanos comigo), pegou seu chapeu, recém-comprado nas Ramblas (barcelonescas) e colocou-o na calçada, para que os passantes pudessem ser justos ao destino farto dos turistas do descobrimento. Um sous, s’il vous plâit.







Enquanto isso na Place do Toilette...
— Mas o quê que é isso, Cidaaaaaaaaaaaaaaaa — questionara Cléia correndo para apurar Tia Cida, que somente pensava no sanitário que desaparecera misteriosamente.
— Cadê o vaso — dizia nua, com sua belle chose à mostra.
— Levanta essa calça, Cida.
Tia Cida passou a levantar a calça quando percebeu:
— Cadê minha calcinha?
Cléia passou a procurar a calcinha de Tia Cida no toilette maudit.
— Mas não está aqui — disse Cléia procurando ao redor da banheiro-eletrônico.
Tia Cida passou a mão nas pernas e percebeu que sua calcinha tinha virado uma cueca-virada.
— Ta’qui, ta’qui. Achei.



Lúcia e eu chegamos para informar a boa-ventura. Paralelamente Tia Cléia e Cida, ou melhor, Tia Cida e Cléia vieram com a bomba do momento. Foi uma explosão de gargalhadas naquela rua parisiense. Os passantes da cidade tiveram que pedir um excusez-moi. “Vamos para o hotel verdadeiro?”, perguntei as aventureiras. O grupo se dividiu em dois: aqueles que foram de táxi e aqueles que decidiram se aventurar, com mala e cuia, pela malha ferroviária. É claro que eu, como um amante do metrô de Paris, disse as meninas: “Sigam-me as boas”. Dez minutos depois estávamos no hotel. Arrumo-nos em nossas suítes. Ficamos juntos: Cléia, Lindy, Cândida e eu. “Vamos, que Paris nos espera, sedenta de prazer!” — eu disse.

As meninas estavam morrendo de fome. Era uma morte lenta, magra e cinza. Queriam todas ir a um Mc’Donalds. Mc’Donalds em Paris?!!!?????@#$%¨&*()__+? Totalmente refém de Ronald McDonald, cedi ao voto vencido. De Porte de Versailles à estação Concorde do metrô foram 12 estações. Assim que saímos em Concorde, a place de la Concorde se mostrou imensa para nós.
O seu não tão imenso obelisco no meio da avenue! De um lado, o museu do Louvre com sua pirâmide. Do outro, o Arc de Triomphe.



E mais adiante do Arc de Triomphe, o Grande Arche de La Défense. Íamos andando pela Champs-Élyssées, passando pelo Clemanceau, o parque dos Campos Elíseos. Atravessamos a avenida e tirávamos a clássica foto da ruazinha mais famosa do mundo (pelo menos mais famosa que a Assis Brasil, ou Tijuca, ou Getúlio Vargas – não a de Porto Alegre, mas sim da Getúlio Vargas de Alvorada Voraz; ou Salgado Filho – não a de Porto Alegre, mas sim a de Viamão). Fomos trafegando.
Observando os turistas, os amigos parisienses pagando a entrada do cinema, homens e mulheres rindo tomando um café e um croissant nas brasseries (Vou parar de descrever por aqui, se não isso virará uma nova versão de O Regabofe, de Émile Zola).
Quase com o Arco do Triunfo, vislumbramos uma das lojas do Ronald McDonald. Foi até um mimo ouvir da caixa, em francês, se eu desejava, por mais um euro, comprar a batata e refri médios. Hahaha. Eu simplesmente perguntei :

— S’il vous plâit, c’est combien cinq et soixante euro?
— Ne.
— Je voudrais un big mac de cinq et soixante euro, s’il vous plâit.

Depois de visitarmos o Arco do Triunfo, o grupo acabou se separando. Cléia, Tia Cida, Diennifer, Cândida, Lindy e eu. O pessoal acabou andando devagar e fomos adiante. Andávamos pela Avenue Montaigne, a rua da moda. Lojas das grifes: Prada, Dolce & Gabanna, Dior, Armani, Channel, Yves Saint-Laurent. Passamos por um grande grupo de franceses que esperavam pela abertura do Théâtre des Champs-Élysées.

Alguns passos depois estava ela, a magnânima, a republicana: La Tour Eiffel. Somente o Rio Sena nos separava dela. Era aquele olhar que eu esperava: ver que olhar minhas amigas exporiam ao ver a desmistificação do mito de vislumbrar realisticamente o ponto turístico mais desejado no mundo. Ali eu senti, como uma missão pessoal, que a minha tarefa tinha se cumprido: dar um novo olhar do mundo àquelas pessoas. ELAS PODEM. TODOS PODEM!


O visionário só é cego quando quer. Junto de um olhar vinha o sorriso, um sorriso de criança, um sorriso-anestesiado de quem diz: “Eu não acredito que estou aqui”. É de se sentir isso mesmo. Eu mesmo, vislumbrando a Torre, pude concretizar o meu passado e sentir a mesma felicidade daquele 10 de fevereiro de 2009. É uma filosofia: Fazer os outros felizes. Disso eu não me arrependo, jamais. Fomos caminhando pela beira do Sena. Os barcos passando com os turistas por baixo da Pont de l’alma. Percorríamos o caminho até chegar ao monumento. Mas antes, como que exaustos, sentamo-nos num banquinho antes da Pont D’Iena. Um indiano abordou-nos para vender chaveirinhos da Torre Eiffel. Ele negociou o mais que pode. Diminuiu os preços até o limite celeste. Falei para as meninas que era um bom negócio comprar cinco torrezinhas por um euro (da outra vez, no inverno, comprei três por um euro). Elas caíram de boca nos suvenirs. Feito a venda de todo o estoque, o indiano correu como um assaltante brasileiro. Partimos em direção a Torre. Quando chegamos à Pont D’Iena, a ponte que nos dá a visão plena da torre, um mar de indianos vendiam lembrancinhas de Paris. As meninas ficaram indignadas quando viram a placa dos chaveirinhos da torre: 1€ = 10.

— Indiano, filho-da-puta. Filho-da-puta. Filho-da-puta. Se eu vir aquele Dalit, eu o pego pelo pescoço — elas diziam espumando.


Era uma fila sem fim nos quatro acessos à Torre. Ficamos mais de trinta minutos esperando para acessarmos o símbolo republicano. Já era noite. Passava das nove quando anoiteceu. Certo momento ouve uma permuta: as meninas que se desgarraram do grupo apareceram. Fiquei feliz por ver minha amiga Felícia. Elas estavam indo para a Galerie Lafayette. Quando Tia Cida ouviu isso, deu um pulo e se foi. Em seu lugar ficou Marcilene, a fotógrafa das mil fotos diárias.

Cândida hesitava. Não sabia se queria subir ou não. Mesmo assim ficou na fila conosco. Na fila, a imensa tela anunciava que o acesso ao terceiro andar da torre estava interrompido, devido à lotação. Para mim, o terceiro andar era o mínimo. O segundo era muito pouco. Eu olhava ansioso para a tela. A nossa vez estava chegando. Não podíamos perder a experiência de não ir ao limite da torre. Faltando dez pessoas na fila, a informação que eu precisava ler se mostrou. Havia vagas para nossa elevação ao topo!!! Compramos os tickets. Cândida, com as mãos suadas, ia andando vagarosamente até a entrada dos elevadores. Paramos os seis na frente do ascensor, esperando a nossa vez de entrar. Cândida disse:

— Não subirei.
— Por quê? — perguntei.
Na mente de minha Amiga, estava a cena dela presa sozinha, num elevador suspenso da Torre.
— Cândida, o elevador não vai parar, não vai trancar — eu disse.
— Eu não posso — disse ela indo para um canto. O suor brotava em sua testa.

Então puxei as palavras certas para fazer com que minha amiga se convencesse que uma tragédia não iria acontecer. Por mais que fosse 11 de setembro, nenhum avião explodiria na Torre Eiffel. Mas não era esse o errôneo argumento que eu proporia a Amiga. Respirei fundo e disse num estouro de luz.

Será que Cândida subiria na Torre? Que palavras eu disse a ela? Eu conseguiria convencê-la da grande aventura? Ela iria contra seus traumas longínquos (do dia anterior)?

A porta amarela do elevador se abriu, pronto para adentrar e subir.

Não perca, em Le Fabuleux Destin, a próxima e penúltima postagem desta grande aventura. Digo previamente que muitas emoções acontecerão nessas peripécias aristotélicas. Aguarde!