terça-feira, 5 de novembro de 2013

AMOR NO MODO ONÍRICO

Certa apreensão fadiga meu pensar. Contorço-me de nervosismo na tentativa de tentar achar uma explicação plausível para tudo isso que acontece. Teu corpo, quase que colado ao meu, confunde minha razão. As fórmulas lógicas se quebram perante tanta incerteza. Incerteza essa tanto minha quanto tua. Vejo tudo perfeitamente e sei o quanto deves sofrer para tentar mascarar esses dilemas todos. Para mim isso tudo que sentimos e não vivemos é uma saga que o tempo curará e ficaremos bem. Perceberemos que tudo não passou de um descuido do coração. A nossa carência e o nosso bem querer nos fez confundir tudo ou quem sabe estragar tudo. Um dia sem ti, mas ainda fraco querendo te ter, me deixa mais calmo, mais centrado, mais dono de mim. Desejo vencer-me, baby. Não quero te fazer mal algum. Nem que para isso eu faça mal a mim mesmo e me desrespeite. Essas palavras simplesmente denotam o desprendimento sinônimo do amor singelo que tenho por ti. Desejo-te dos dois modos: tanto tua alma feliz quanto teu beijo intocável. Já ficarei feliz com a tua felicidade da alma, mesmo que doida para mim, e te ver com outro alguém. Já imagino isso se passando contigo. Chorarei. Muito chorarei. Mas isso que vivemos e pensamos não passa de amor. O mais lindo dos amores vividos de modo onírico. E isso agoniaria qualquer um.

VÊ A LETRA E ESTE VÍDEO. FALA MUITO DO QUE VIVEMOS OU SONHAMOS.http://www.youtube.com/watch?v=alVMR2KEuhM

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

SÓ POR HOJE

Por que me tratas assim de maneira tão vã? Olho para ti, e teus olhos, tão pedintes, me oferecem todo o bálsamo das paixões incontroladas. Farei isto: esquecer-te-ei e cortar-te-ei de minha lista de paixões funestas. Dispenso-te de todas as incumbências da verdade. Vivamos separados. Assim, poderei respirar com mais propriedade, portanto, viverei plenamente o individualismo cujo amor ainda me abastece. Não quero arriscar. Para o amor, sou um perdedor. Essas coisinhas de romances me cansam. Jogos de amor e sedução. Como isso me cansa. Minha paciência já é finda pra os impropérios do coração e agora tenho que ler, ver, sentir e reler teus sentimentos mentirosos. Perde-me tu. Sofre-me tu. Mata-me tu. Certamente um fruto santificado nascerá de mim e ai terei todas as respostas. Sinto-me pueril perto de ti. Sinto-me vendido. Sinto-me não sendo dono mais de mim mesmo. Prendo-me em uma liberdade sem destino. Uma liberdade vã. O preço dela é caro. Quero me proteger. Egoísta? Que seja. Antes amar-me do que gozar-te. Pensa o que quiser. Por hoje acabou. Por hoje.

domingo, 3 de novembro de 2013

RESPOSTA QUE VIROU POSTAGEM

Uma certa grande dose de melancolia acaba por nos acompanhar nessa busca remada por respostas. Tudo o que temos é o vento. E ainda um vento mascarado de infelicidade. A felicidade toca a campainha, mas nossa porta possui grades cujas chaves nos mesmos escondemos. Ninguém entra. Ninguém sai. Até que o tempo diga, sem nenhum vento, que estamos prontos. É nessa hora que o medo nos embriaga de dúvidas. Os temores de uma felicidade garantida nos tiram de uma rotina de incertezas sem pés no chão. Nessa hora, de felicidades infindas, sejam elas fugazes ou não, nos aprisionam tanto quanto a liberdade de querer um sim. É sofrido viver. Daríamos razão a Werther por sua inteligente conclusão? O ideal era que as palavras, lidas e escritas, faladas e escutadas, não fossem veladas perante tantos neurologismos doentios que vivemos hoje, ontem, anteontem. Queria matar esse amor-paixão que há em mim para que a razão voltasse a pulsar em meu cérebro e meu amor próprio, esse sim possível, dominasse minhas mãos, meu olhar, meus passos. De ti, não quero mais nada a não ser o beijo repensado, o sorriso espinhoso que sangra minha legalidade. Quero voltar a respirar, quero voltar a ser eu. E para isso, nem que eu tenha que mentir para mim mesmo, e para ti, digo: "Saia, mas não te vá. Fique aqui em silêncio confuso". Em silêncio já estamos. E isso nos machuca. Estamos mentindo para quem? O quadro já está desnudado perante todos. Werther, cego, já nos enxergou. E como ele, um jovem apaixonado, torce por nós entre as letras sofregas de um herói sem futuro. Venha tempo. Venha devagar. O sonho sem realidade é o que me faz feliz. O não viver me alimenta, me comporta, me deixa cheio de esperança. É para isso que estou aqui. Para viver, sem viver. Eu comigo mesmo. E isso não é fácil.

O QUE NÃO SE VIVE NÃO MERECE TÍTULO

Amedrontado. Medroso. Ansioso. Ressabiado. Apaixonado. Tais predicativos, relacionados ao amor, ou à paixão, jamais tinham invadido minha alma de forma tão repetida. Pensamentos afogados, olhares destemidos, passos em falso se tornaram constantes na minha inliberta existência. Busco tirar essa ânsia de mim, mas esse tema deixo em branco na primeira tentativa. Busco não te ver na esquina, na curva, na minha imaginação. O celular vibra quando apareces. O tom da existência parece pulsar e nisso me sinto morto, impotente, sem coragem de jogar-me no poço. Meu eu-sofredor não permite. Meu eu-eu-mesmo, com baixa autoestima, diz as mesmas palavras que tu, mas tu também estás com amedrontamentos, com medos, com ansiedades, com ressabiações, com paixões. Não sei se a palavra ressabiações existe. E do mesmo modo como não sei dizer se existe, creio que eu não exista para fazer-te viver. Tens tu sede disso. A água que procuras te deixas com ressabiações desconhecidas. Quanto à nossa entrega, o tempo, como sempre ele, encarregar-se-á de fazê-la. A mesma água que corre nos rios da morte, será aquela que beberás com volúpia ardente e remorso vão no dia derradeiro (ou seria o da estreia?). Tudo o que desejo é partir e não te ver mais, não saber mais de tua vida, de tua existência. Se eu não souber sobre ti, estarei, egoisticamente, protegendo minha alma de um gozo clandestino. Quero ser mais claro, mais iluminado, mais dono de mim mesmo, mas a clandestinidade me assombra a mente e o desejo do grito cada vez mais me devora. O grito não é clandestino. O grito é a verdade. O grito é o que intimamente desejamos e não podemos fugir disso tão cedo. O dia em que gritarmos, gozaremos no entardecer e nossa morte será rápida. O sol, a gemer conosco, sorrirá para um novo amanhecer cujas dúvidas já povoam nosso pequeno rio de sonhos. Quando o sol sumir e a noite povoar nossa alma, não seremos mais o sonho. Será que estamos prontos para viver além-sonho? Reprimidos, trocamos olhares infrutíferos, sorrisos discretos, palavras ambíguas, toques frios. O sonho para nós, a cada dia, é a morte de um pedacinho de vida que ainda restava nessa escuridão alva de fracos fogos e quentes friezas da indiferença chamada amor.