terça-feira, 5 de novembro de 2013

AMOR NO MODO ONÍRICO

Certa apreensão fadiga meu pensar. Contorço-me de nervosismo na tentativa de tentar achar uma explicação plausível para tudo isso que acontece. Teu corpo, quase que colado ao meu, confunde minha razão. As fórmulas lógicas se quebram perante tanta incerteza. Incerteza essa tanto minha quanto tua. Vejo tudo perfeitamente e sei o quanto deves sofrer para tentar mascarar esses dilemas todos. Para mim isso tudo que sentimos e não vivemos é uma saga que o tempo curará e ficaremos bem. Perceberemos que tudo não passou de um descuido do coração. A nossa carência e o nosso bem querer nos fez confundir tudo ou quem sabe estragar tudo. Um dia sem ti, mas ainda fraco querendo te ter, me deixa mais calmo, mais centrado, mais dono de mim. Desejo vencer-me, baby. Não quero te fazer mal algum. Nem que para isso eu faça mal a mim mesmo e me desrespeite. Essas palavras simplesmente denotam o desprendimento sinônimo do amor singelo que tenho por ti. Desejo-te dos dois modos: tanto tua alma feliz quanto teu beijo intocável. Já ficarei feliz com a tua felicidade da alma, mesmo que doida para mim, e te ver com outro alguém. Já imagino isso se passando contigo. Chorarei. Muito chorarei. Mas isso que vivemos e pensamos não passa de amor. O mais lindo dos amores vividos de modo onírico. E isso agoniaria qualquer um.

VÊ A LETRA E ESTE VÍDEO. FALA MUITO DO QUE VIVEMOS OU SONHAMOS.http://www.youtube.com/watch?v=alVMR2KEuhM

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

SÓ POR HOJE

Por que me tratas assim de maneira tão vã? Olho para ti, e teus olhos, tão pedintes, me oferecem todo o bálsamo das paixões incontroladas. Farei isto: esquecer-te-ei e cortar-te-ei de minha lista de paixões funestas. Dispenso-te de todas as incumbências da verdade. Vivamos separados. Assim, poderei respirar com mais propriedade, portanto, viverei plenamente o individualismo cujo amor ainda me abastece. Não quero arriscar. Para o amor, sou um perdedor. Essas coisinhas de romances me cansam. Jogos de amor e sedução. Como isso me cansa. Minha paciência já é finda pra os impropérios do coração e agora tenho que ler, ver, sentir e reler teus sentimentos mentirosos. Perde-me tu. Sofre-me tu. Mata-me tu. Certamente um fruto santificado nascerá de mim e ai terei todas as respostas. Sinto-me pueril perto de ti. Sinto-me vendido. Sinto-me não sendo dono mais de mim mesmo. Prendo-me em uma liberdade sem destino. Uma liberdade vã. O preço dela é caro. Quero me proteger. Egoísta? Que seja. Antes amar-me do que gozar-te. Pensa o que quiser. Por hoje acabou. Por hoje.

domingo, 3 de novembro de 2013

RESPOSTA QUE VIROU POSTAGEM

Uma certa grande dose de melancolia acaba por nos acompanhar nessa busca remada por respostas. Tudo o que temos é o vento. E ainda um vento mascarado de infelicidade. A felicidade toca a campainha, mas nossa porta possui grades cujas chaves nos mesmos escondemos. Ninguém entra. Ninguém sai. Até que o tempo diga, sem nenhum vento, que estamos prontos. É nessa hora que o medo nos embriaga de dúvidas. Os temores de uma felicidade garantida nos tiram de uma rotina de incertezas sem pés no chão. Nessa hora, de felicidades infindas, sejam elas fugazes ou não, nos aprisionam tanto quanto a liberdade de querer um sim. É sofrido viver. Daríamos razão a Werther por sua inteligente conclusão? O ideal era que as palavras, lidas e escritas, faladas e escutadas, não fossem veladas perante tantos neurologismos doentios que vivemos hoje, ontem, anteontem. Queria matar esse amor-paixão que há em mim para que a razão voltasse a pulsar em meu cérebro e meu amor próprio, esse sim possível, dominasse minhas mãos, meu olhar, meus passos. De ti, não quero mais nada a não ser o beijo repensado, o sorriso espinhoso que sangra minha legalidade. Quero voltar a respirar, quero voltar a ser eu. E para isso, nem que eu tenha que mentir para mim mesmo, e para ti, digo: "Saia, mas não te vá. Fique aqui em silêncio confuso". Em silêncio já estamos. E isso nos machuca. Estamos mentindo para quem? O quadro já está desnudado perante todos. Werther, cego, já nos enxergou. E como ele, um jovem apaixonado, torce por nós entre as letras sofregas de um herói sem futuro. Venha tempo. Venha devagar. O sonho sem realidade é o que me faz feliz. O não viver me alimenta, me comporta, me deixa cheio de esperança. É para isso que estou aqui. Para viver, sem viver. Eu comigo mesmo. E isso não é fácil.

O QUE NÃO SE VIVE NÃO MERECE TÍTULO

Amedrontado. Medroso. Ansioso. Ressabiado. Apaixonado. Tais predicativos, relacionados ao amor, ou à paixão, jamais tinham invadido minha alma de forma tão repetida. Pensamentos afogados, olhares destemidos, passos em falso se tornaram constantes na minha inliberta existência. Busco tirar essa ânsia de mim, mas esse tema deixo em branco na primeira tentativa. Busco não te ver na esquina, na curva, na minha imaginação. O celular vibra quando apareces. O tom da existência parece pulsar e nisso me sinto morto, impotente, sem coragem de jogar-me no poço. Meu eu-sofredor não permite. Meu eu-eu-mesmo, com baixa autoestima, diz as mesmas palavras que tu, mas tu também estás com amedrontamentos, com medos, com ansiedades, com ressabiações, com paixões. Não sei se a palavra ressabiações existe. E do mesmo modo como não sei dizer se existe, creio que eu não exista para fazer-te viver. Tens tu sede disso. A água que procuras te deixas com ressabiações desconhecidas. Quanto à nossa entrega, o tempo, como sempre ele, encarregar-se-á de fazê-la. A mesma água que corre nos rios da morte, será aquela que beberás com volúpia ardente e remorso vão no dia derradeiro (ou seria o da estreia?). Tudo o que desejo é partir e não te ver mais, não saber mais de tua vida, de tua existência. Se eu não souber sobre ti, estarei, egoisticamente, protegendo minha alma de um gozo clandestino. Quero ser mais claro, mais iluminado, mais dono de mim mesmo, mas a clandestinidade me assombra a mente e o desejo do grito cada vez mais me devora. O grito não é clandestino. O grito é a verdade. O grito é o que intimamente desejamos e não podemos fugir disso tão cedo. O dia em que gritarmos, gozaremos no entardecer e nossa morte será rápida. O sol, a gemer conosco, sorrirá para um novo amanhecer cujas dúvidas já povoam nosso pequeno rio de sonhos. Quando o sol sumir e a noite povoar nossa alma, não seremos mais o sonho. Será que estamos prontos para viver além-sonho? Reprimidos, trocamos olhares infrutíferos, sorrisos discretos, palavras ambíguas, toques frios. O sonho para nós, a cada dia, é a morte de um pedacinho de vida que ainda restava nessa escuridão alva de fracos fogos e quentes friezas da indiferença chamada amor.

sábado, 13 de abril de 2013

VIVA A VIDA! MEU ANIVERSÁRIO COM A MINHA RAZÃO DE VIVER!

Manhã de 12 de abril de 2013, 6h27min. Despertei. Era o dia de meu 29º aniversário. Abri as persianas da janela de minha alcova e notei a beleza do dia: céu nublado e chuva cálida de outono. Ironia? Não. Como a vida sabe que prefiro viver dias de chuva, de presente, ela providenciou um para mim.


Feliz, sai pelos bosques rumo ao trabalho. Assim que cheguei, deparei-me com uma surpresa. Dentro de meu escaninho havia um presente misterioso. Abri a embalagem morrendo de medo de que fosse algum gás letal proporcionado por algum aluno vilanesco. Humores à parte, abri o pacote. Tratava-se de uma panela. Uma panela vermelha. Um presente sensível de alguém que sabia o que eu desejava. Não havia cartão. Absolutamente nada que definisse quem era o presenteador misterioso.

O sinal soou e me direcionei às filas. Peguei meus "filhos" da 102 e fomos para a sala de aula. Lá, percebi que estavam de cochichos. Certa hora cantaram-me o tradicional "parabéns a você!". E eu tinha um presente para eles: uma prova com cinco textos e vinte questões. Calmamente fizeram-na. Em seguida, no terceiro período, refugiei-me nas conjunções subordinativas na turma 202. Lá estava eu dando minha aula de revisão para a prova, quando o coordenador da escola me chamou dizendo que um pai estava querendo conversar comigo. Inicialmente informei que estava no meio de uma aula e que o pai tivesse que esperar pelo intervalo. Dito isso, o coordenador reforçou: "Professor, sugiro que o senhor desça, pois o pai está furioso e com muita pressa. O caso é muito grave". Intrigado com tamanha cólera paternal, conversei com meus alunos da 202 explicando a situação e propondo que nossa aula continuasse por cinco minutos durante o intervalo. Eles aceitaram. Então descemos as escadas em silêncio. Na sala da coordenação fiquei a conversar com o coordenador sobre assuntos triviais. O tal pai estaria na secretaria da escola resolvendo alguma pendência. E cinco minutos se passaram. E eu pensando: "Eu estaria terminando minha explicação a essa hora". Quando eu estava disposto a regressar a sala de aula, uma de minhas alunas aparece na minha frente e diz: "Sor, vem cá". E eu disse: "Que houve? Brigaram na sala de aula?". "Não", disse ela. Passos depois surgiu outra aluna com uma câmera na mão. "Me acompanhe, professor", disse a primeira aluna me conduzindo. Estávamos nos dirigindo ao bar da escola. "Isso é um sequestro! Medo! Pra onde vocês estão me levando?" Ao chegar no bar, toda a turma estava escondida com bolo e muitas palmas. Emocionado, o coração palpitava e as palavras fugiram no agradecimento.

Mais tarde foi a turma de terceiro ano, a 302. Momentos antes da prova de Literatura, homenagearam-me com o parabéns.

Depois deste período, subi as escadas rumo a 101, turma que está comigo desde a 7ª série. Enquanto eu subia os degraus, eu escutava os pedidos de silêncio. Nenhum deles me esperava no corredor como de costume. Mas eles não conseguiam alcançar o silêncio. Apareci pela eles somente com a cabeça para dentro da sala e disse: "Oi. Psiu! Silêncio! Eu tô chegando! Vamos fazer assim: faz de conta que eu não cheguei ainda. Eu voltarei e vocês, quando eu entrar, fazem o que planejaram, tá?" E eles sorrindo: "tá!". Fechei a porta. Bati e um aluno abriu-a para mim. Quando entrei, eles me ovacionaram. Depois disso, uma aluna me chamou para tirar uma dúvida. Ao chegar lá, uma chuva torrencial de bolinhas de papel (típica das comemorações de aniversários da turma) afogaram-me em felicidade. Quando percebi que seria devastado pela chuva nefanda, saltei rumo ao corredor. Mal sabia eu que o conflito bélico não acabaria ali. Praticamente a selva amazônica foi desmatada para comemorar meu aniversário. Que o greenpeace não nos descubra! Socorro! Quase que a professora da sala do lado foi alvejada por trezentas bolinhas. Assustada, ela fechou a porta imediatamente. Querendo por fim à luta armada PROFESSOR X 38 ALUNOS, coloquei o punho para dentro da sala e comecei a fazer o gesto da bandeira branca. E as bolinhas não paravam de vir. Olhei para o líder do bonde da 101 (risos) e pedi para que parassem. E foi o que aconteceu. Em seguida, cantaram-me o parabéns. Lembrou-me a guerra de marshmallows da 7ª série (belíssimos tempos).

Á tarde, a 73 correu atrás de mim para cantar o parabéns. Tentei fugir, escapar por onde pude, mas os baixinhos corriam enlouquecidamente até que me refugiaram. São uns amores!

Mais tarde foi a 83. Antes da prova homenagearam-me.

No intervalo, estava indo belamente quando uma admirável colega ficou de papo comigo no pátio. Certo momento, senti o peso das provas no ombro e disse: "Vamos ali na sala dos professores". Aproximei-me da porta quando vi que estavam a preparar o bolo. A colega (desastradamente) impediu que eu entrasse. Ficamos a gargalhar do ocorrido. A surpresa, desta vez, não tinha dado certo. A porta da sala dos professores foi aberta e eu abri um rosto de pura surpresa ao ver o bolo e as velas 2 e 9.

Instantes depois, foi a ver dos URSINHOS CARINHOSOS da 84 (que por estarem grandes, não são mais tão ursinhos). Assim que cheguei na fila, eles puxaram a cantoria e, mais uma vez, os alunos da tarde, cantaram a canção ao aniversariante. Mal sabia eu que eles tinham um plano terrível para mim! Lá estava eu analisando as orações subordinadas substantivas, quando a Coordenadora do Ensino Fundamental me chamou. Claro que isso cheirava a mais uma surpresa, leitor, mas nada se passava em minha cabeça. Depois de cinco minutos, quando voltava à sala de aula, notei que havia uma gritaria enlouquecedora vindo da sala 8. "O QUE ELES ESTÃO APRONTANDO?". Subi as escadas de duas em duas para surpreendê-los. Abri a porta com som e fúria e perguntei: "O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?". Meio segundo depois, mais uma luta bélica com bolinhas de papel. Foi uma loucura! Lá estava eu a jogar bolinha neles também. Animação, teu nome é 84. Foi uma loucura! Certa hora eu disse após um dos alunos acertar uma bolinha em meu rosto: "AH! É? QUERO QUE VINGUEM A HONRA DO PROFESSOR! ATENÇÃO, 84! ALVEJEM O COLEGA MAL-FEITOR. ATIRAR. JÁ!" Diversão instalada. Como sempre nesta turma!

Obrigado a todos os alunos que contribuíram para que a energia positiva se instalasse no dia de meu aniversário. Amo muito meus alunos.

PS: durante o dia eu descobri quem me deu a panela vermelha. Mas essa história eu conto um dia, quem sabe.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

IDEIAS? POR FAVOR!

Em 2013, decidi ter somente a meu lado quem se importa comigo. Chega daquela falta de intimidade. Sou intimo sem ser. Não gosto de conhecidos. Gosto de ser amigo. Superamigo. Gosto de sofrer junto. Gosto de gargalhar junto. Não sei ser pouquinho. Sou ciúmento. Tudo para mim e tudo para a coletividade. Espero que o leitor critico tenha entendido o sentido. Não gosto das desculpinhas de falta de tempo. Isso é o império da falta de respeito ao outro. O dia que pensarem que sou aparvalhado poderão ser considerados  homens que ganharam tempo, uma vez que aparvalhados são vós que perdem o tempo tentando enganar-me. Certo dia perguntei a uma amiga, hoje conhecida: "Como estão os planos?". Ela respondeu: "Indo". "Que planejas para o futuro?" "Ideias". Por favor! Ando sem paciência para pouco caso. Minha mãe me ensinou que jamais devemos contar nossos planos às pessoas. Eu não acredito nisso. Sou de contar tudo o que acontece na minha vida ou mesmo meus planos para meus amigos. Conto para eles, pois, se são meus amigos, vibrarão com a minha felicidade. E tudo dará certo e sempre deu. Gosto muito da minha vida. Jamais colocaria olhos gordurosos nos planos de meus amigos, hoje conhecidos. Ou quem sabe, desconhecidos?

Como ia dizendo, estou racionalizando o número de pessoas. A paciência é finda, o teatro (dos outros) é demais. E eu não vim ao mundo para plateia. Cada um que seja dono de seu palco. Minha comadre, com quem convivi por longos anos de minha jornada, disse: "A gente não vive, a gente estreia". Bah" fiquei a fim de estrear. Quero reciclar. Quero que as pessoas me telefonem e contem as novidades, que dividam os problemas. Quero uma troca sincera, uma troca de olhar verdadeira, sem que nada de obscuro e medroso seja visto por mim. Sim, vejo o medo. Vejo porque sinto o medo e o obscuro do ser humano. Chega de tanta doença da alma! Chega de tantos não-me-toques.

Chega de amizades não sinceras. Chegas de larvas rastejantes. Chega de mistérios insondáveis. Chega de pensar em pessoas que nem ao menos nos telefonam, ou quando fazem, MESES DEPOIS, dizem o alô como se nada, ou tudo, ou meses, não tivessem rolado na inodora água do dilúvio.

Viva o futuro sem desconhecidos! E acabo por aqui. PONTO FINAL.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

DISCURSO PARA A TURMA 81/2012


DISCURSO DE FORMATURA ESCRITO POR RAFAEL SCHAWARTZHANPT, aluno recém formado na 8ª série.

Não vou começar com aquele clichê de timidamente cumprimentar a todos os presentes e fazer agradecimentos, porque essa turma que eu represento, não é clichê. Não é clichê, e no ano da formatura dessa, na qual se inspirou o primeiro patriarca lusófono para a criação da palavra VANGUARDA, nada mais justo do que me portar de acordo com o perfil desses malucos.
Vou começar do meio, talvez atropelar algumas palavras. Que me desculpem os amigos formandos, se em algum momento eu chegar a gaguejar. Preciso dizer que muito sobrenaturalmente eu me seguro pra não cair em prantos, vendo toda essa galera alinhada de gel e de disciplina. Pelo menos hoje! Muito me alegra ver todos os olhos bem-pintados e as barbas devidamente aparadas, sentindo no ar essa miscelânea de perfumes do boticário e desodorantes rexona, pensando que finalmente nos será entregue o canudo, símbolo do crescimento!
Crescemos, 81, é isso aí! Rimos, brigamos, brincamos e brigamos mais um pouquinho. Todos fomos um. Amei todos vocês, do amor mais puro vertente de um coração maltrapilho, e também os odiei, do ódio mais negro de um cérebro psico-bipolar, jóia. Joia sem acento, é uma paroxítona em ditongo aberto. Quem aí lembra disso? Quem aí vai lembrar de mim? Eu sou a 81, que canta e apoia sem parar. A 81 que faz poesia enrodilhada nos tijolos envernizados da sala 14, sem nem mesmo tentar! A 81 da taça de 2010, e do salto alto de 2012. A 81, que tem mais rostos do que Black and White, do Michael Jackson.
Se não todos, a maioria de vocês eu conheço desde pequenos pingos de gente, esvoaçando os cabelos ainda tratados de johnson's baby pelo pátio dessa escola. Lembro-me, do primeiro dia, a primeira experiência fora dos braços de mamãe, para um mundo que podia me ser o algoz, ou que me podia ser um porto seguro. Podia esse mundo também, no imensurável leque de opções boas e ruins que tem, me ser os dois ao mesmo tempo. Senti medo. Senti ansiedade, excitação, coração pulsando mais do que o normal. Vontade de chorar, e de sorrir. Senti vontade de ir ao banheiro, e então corri para o feminino. Não soube, ou tive tempo para dissernir, e ao voltar para o pátio, encontrei meia dúzia de aluninhos rindo da minha cara, que corou na mesma hora. Foi o primeiro baque.
Com isso meus amigos, quero dizer que essa vida é matreira, e ainda vai armar muitas mazelas para vocês. Estão saindo hoje, das garras do nosso querido algoz Rubens, para as do mundo, que lhes serão muito piores. Digo com a certeza de que a raiz quadrada de nove é três, que muitos desses baques vão sofrer. Baques grandes. Tanto no amor, quanto no trabalho, na vida social, e em toda essa parafernalha que somos obrigados a viver. Quero pedir a vocês, que em cada dificuldade, lembrem desse momento aqui, ou de qualquer outro momento bom de suas vidas, porque hoje, conversando sobre meu episódio com o banheiro feminino, eu gargalho. Tirem por conclusão, de que todas as dificuldades viram comédia no futuro.
Se me permitem aconselhar, mantenham-se sempre fortes. Cultivem amizades. Cultivem amizades fortes, como as que temos e não temos por aqui. Apoiem-se nelas, ninguém faz sucesso sozinho Sonhem, meus amigos. Queiram sempre mais, sejam ambiciosos. Usem protetor solar. Coloquem um casaquinho pra sair no vento, e o mais importante, não fujam dos problemas.
Uma sombra se vai oca pelos confins de um beco lúgubre, espreitando um qualquer preocupado. Quanto mais ele expira medo, mais acresce a sombra. Um golpe surdo, um abraço escuro, e pronto. A sombra levou o coitado. Levou o coitado, e o outro que andava assoviando quase ao lado, saiu ileso.
(Se enrolar em palavras é comigo mesmo...)
E parafraseando o amigo Mário Quintana: "E que fique muito mal-explicado, não faço força pra ser entendido, quem faz sentido é soldado."
Citações à parte, cá estamos. Agora sim, boa noite meus amigos professores, funcionários, pais e convidados. Sei da importância de cada um para a formação desses que estão em fila aqui na minha frente, portanto em nome de todos eles, e em meu nome também, agradeço à vocês pelo dia de hoje.
Um agradecimento especial, à nossa paraninfa, professora Roseane Mota, que durante os principais anos desse caminho de espinhos quase sem rosas, que é popularmente denominado ensino fundamental, nos foi nada menos do que uma mãe. Mãe que, tão simples quanto uma equação de pitágoras dentro de outra em bháskara, nos trouxe remédio e sobremesa. Ainda haverá muitos professores de matemática em nosso caminho, mas tu, Roseane, serás sempre infungível. Em todas as minhas tenras memórias dessa gente, vai se ouvir ao fundo ecoar um brado teu, puxando a orelha dessa velha 81: TEMOS SÓ UM PERÍODO!
Agradecemos também, o nosso homenageado, o professor Alex Valério, que muito além das barreiras gramáticas, deu em suas aulas lições de vida. Não é à toa que foi escolhido paraninfo das duas outras turmas que hoje dividem com a gente, a emoção do rito de passagem, é um grande homem e merece toda a admiração que tem.
Aos demais professores, deixo a humilde mensagem de que, se lecionarem e agirem sempre do jeito que o fazem, daqui vinte anos, teremos grandes, grandes mentes trabalhando à serviço dessa nossa sociedade, atualmente tão ignorantemente pútrida.
E então, aos meus colegas, aos queridos, e aos nem tanto, se permitam! Se permitam sonhar, planejar, fazer, concretizar. Se permitam um banho de chuva, pelo menos uma vez por ano: dancem na chuva, pulem em cima das poças d'água, e aceitem de bom-grado o possível resfriado que vem logo a seguir.Aumentem-se, reconheçam suas qualidades. Façam ligações de desculpas, abracem um desconhecido! Permitam-se chorar. Permitam-se sempre se permitir, e em troca, tudo lhes será permitido também. Vivam os pequenos prazeres da vida, antes que estes vivam-se sozinhos sem que seja percebido, e o tempo tenha se esgotado.
Para não me estender demais, quero fazer um pedido aos meus formandos. O último, como aluno da 81. 81, entoemos em uma só voz, aquela, aquela composição de nosso Ruan, que nos fez unidos, pela última vez. Obrigado pela atenção às nossas tortas considerações.
(Grito de guerra)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

TEXTO DE LUÍSA ROCHA PARA O PROFESSOR

Cochichos curiosos, um novo professor, o começo de uma história. Há apenas um ano, ou seria já passou um ano? Sermões merecidos, grandes risadas, e, para alguns, grandes conselhos. Um pai amigo, que sempre esta presente, mas nos deixa resolver nossos problemas. Um super herói exemplo, atiçando-nos sobre os livros, instigando-nos a pensar, imaginar e , quem diria, filosofar. Especial, inteligente, engraçado. O "sor" é tudo,não perfeito, palavra muito limitada para alguém como ele, muito certa. Entre adjuntos adnominais e mesóclises, encontra-se uma relação única e especial que ultrapassa as barreiras de aluno-professor, e se torna fraternal, envolvendo lágrimas, abraços e altos papos no facebook. Enfim, de um novo professor de português, o tão temido, passa para o nosso amigo, nosso pai, e como tal, vem nos guiando nesse difícil caminho conhecido como vida.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

TEXTO DE FELIPE ZANINI PARA O PROFESSOR

Com tantas pessoas expressando essa eterna admiração por esse nosso querido professor Alex Valério, me sinto no direito de expressar o que penso também. Obrigado. É, acho que essa seria a palavra certa. Com certeza é apenas uma palavra, mas significa muito para seus alunos. Caro professor, não, caríssimo amigo Sr. Valério, acho que posso falar por toda a turma 81 de 2011 e em sua grande maioria a 101 de 2012, que tu nos ensinou o quanto é preciso que um professor seja amigo de seus alunos, mesmo que seja apenas para conselhos em momentos de tristeza, ou das várias risadas que tivemos o privilégio de dar junto contigo. Vários ótimos momentos tivemos juntos. Dois dos melhores com certeza foram a dinâmica que tivemos sobre o adorado (ou nem tanto) Eugenie Grandet, em que tu nos disponibilizou DOIS míseros torrões de açúcar. Ah, e com certeza a maravilhosa viagem ao Beto Carrero. Enfim, é difícil expressar em palavras o quanto queremos lhe agradecer por tudo que nos ofereceu, tu é com certeza um exemplo para todos nós. Se algum dia eu me tornar metade do grande leitor e escritor que tu é, já estarei muito satisfeito. A 201 de 2013 o aguarda.

TEXTO DA ALUNA ANDRESSA SOUZA PARA O PROFESSOR



‎"Escola, aquele lugar onde a maioria de nós, adolescente odiamos. Um lugar entediante, um lugar sem graça para alguns, e digo eu escola é um lugar chato mesmo. Mas nunca paramos para pensar que é lá aonde nós criamos as maiores amizades, aquelas amizades verdadeiras que nós sabemos que vamos levar para a vida inteira, ou simplesmente um lugar onde conhecemos um dos nossos heróis! Quem diria que em uma manhã normal, uma manhã de aula qualquer mudaria tanta coisa? Um "simples" professor como diria alguns, não, ele não era um "simples" professor, ao meu ponto de vista ele chega a ser um herói, um conselheiro, uma melhor amigo, ou minha inspiração para escrever... Aquele cara que consegue te fazer sorrir quando tu está mal, consegue te entender apenas quando vê seu olhar, aquele que faz pensar "caramba, hoje tem aula com ele, ainda bem". Ele muitas vezes é rigoroso, ou essa não seja a palavra certa a usar, talvez seja só correto e faça certo as coisas. Ele é um orgulho a todos que o conhecem, a todos que tiveram ou tem aulas com ele, aulas com ele vicia, falo por experiencia própria das aulas dele! Enfim, esse sim é o melhor professor do mundo, ele é um herói que se transforma no que ele pode quando tu precisa, esse é nosso herói. Professor Alex Valério!" Ficou feinho, mas foi de coração.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

DISCURSO DO PROFESSOR PARANINFO AOS ALUNOS DA TURMA 82/2012



Como sou um professor de Língua Portuguesa e Literatura, sou um homem que conta histórias. E nesta noite, 82, contarei a nossa história.
Jamais poderei esquecer o dia que entrei na sala 13, no último período, de uma segunda-feira, quando os alunos da antiga turma 72, em 2011, acabaram de sair de dois períodos de Educação Física. Eu, o professor de Língua Portuguesa, num curto espaço de tempo, um período, o último daquela manhã, tinha que se apresentar e fazer com que se sentissem à vontade com aquele novo professor. Fiquei a observá-los, sorriam, gargalhavam, pulavam e gritavam. Imediatamente falei: “Trata-se de uma turma feliz”. Alguns gargalharam e uma respondeu: “Aqui nessa sala ninguém é feliz”. Naquele exato instante, naquele exato exemplo, notei um traço daquela turma: ELES TERIAM QUE ENXERGAR A FELICIDADE DENTRO DELES. A FELICIDADE QUE NÃO CONSEGUIAM VER. Ali, naquela manhã de 04 de abril de 2011, minha batalha pessoal teve um objetivo traçado.
Claro, que para chegar à vitória, um longo caminho, um longo treinamento teria que ser dado. Muito tive que ser antipático, deselegante. Briguei muito com essa turma. Foi o meu maior desafio. O meu objetivo, no decorrer da trajetória, estava com imensa dificuldade de se concretizar. Mas eu ensino que jamais devemos desistir de nossos sonhos, de nossos projetos. E esse também foi um aprendizado a ser anotado: jamais desistir. Mas eles ainda duvidavam de suas capacidades. Duvidavam daquele professor-brigão que deseja colocá-los na linha. Duvidavam deles próprios.
Professor Divo, como dizem os alunos
Caras-pintadas

Depois de muito velejar ao lado de Caronte e trafegar, acompanhado de Dante Alighieri rumo ao paraíso, um mudança de comportamento ocorreu com esses formandos. Um ano depois tudo mudou. Passaram a sorrir com leveza para o professor. E as aulas passaram a ficar surpreendentes. Quem não se lembra do nascimento do nosso saudoso Adjetivo? Sim, em nossas aulas, foi dado à luz a um adjetivo, que ao crescer se tornou uma oração subordinada adjetiva. Quem não se lembra da aula do POR CAUSA QUE não existe? O professor enlouquecido com o mais comum dos erros de português, na língua falada, escandalizou em mais uma aula. Alguns deles, guerreiros de caras-pintada, escreveram em seus rostos a expressão POR CAUSA QUE NÃO EXISTE. E a nossa aula em que tomamos o Chá Valério, o chá da poesia? Tão boas nossas aulas. O clima era cada vez melhor. Percebi que as coisas estavam mudando, quando ouvi um aluno a dizer: “Fica, sor, dá mais um período para nós”.
Tomando Chá Valério
Certo dia, queriam ser campeões. E pediram que eu os ajudasse a chegar ao sucesso. Pediram uma ajuda. E uma ajuda teriam. Como disse o autor da Arte da Guerra Sun Tzu, “A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota. Nessa premissa, incentivei-os a criar estratégias e teriam que cumpri-la com muita disciplina. Como disse o professor, o Sr. Wenger, do filme A ONDA, “disciplina é poder”. Vestidos de branco, com o símbolo d’A Nova Onda, decidiram fazer a onda do bem. 



Comissão

Ensaiando Flash Mob
Os campeões masculino e feminino do FUTCESI 2012
Em ação, rumo à vitória


E ficaria a pergunta, inspirada na música desta turma, música que todos puderam ouvir, quando estes vencedores entraram por aquele arco. A música chama-se Long Live, poesia interpretada por Taylor Swift. Parafrasearei agora. Lembrem-se desse momento, nosso último juntos. A multidão de familiares e amigos está a enxergar os grandes vitoriosos, os reis e rainhas,  cujos nomes foram aclamados pelos que estão aqui presentes. Vocês estão a entrar numa nova era, novas descobertas, novas experiências. E hoje vitoriosos brindemos: “Viva às barreiras que atravessamos! Viva à magia que fizemos!”. Muitos puderam não acreditar e achar um absurdo o que fizemos. Encantamos a plateia, a cidade e mudamos o modo do mundo pensar. Vocês próprios deveriam se questionar, como se fossem Bastardos Inglórios que eram: “Por que nós, que andamos de jeans rasgados, não podemos ganhar o mundo?”. O mundo foi o que ganhamos. Eu tive o melhor momento da minha vida lutando com vocês. Porque a luta de vocês era a minha luta. A luta foi árdua. Posso dizer que consegui. Ganhamos muitas medalhas, alcançamos o cume da montanha. E hoje, mais que natural, estamos a receber nossos prêmios. 
EQUIPE CAMPEÃ
Viva às barreiras que atravessamos!
E com isso nossa história acaba aqui. Desde modo, ainda aqui, no ladinho de vocês, digo que a vida nos força uma despedida. Como disse Mário Quintana, “só peço que me esqueçam, mas bem devagarinho”. Evoluímos, nadamos, corremos o mundo com nossas histórias. O povo nos olhou e continua a nos olhar emocionados por quem nos tornamos. Lutamos contra uma montanha de fogo chamada Fire Whip, lutamos contra as ondas de Camboriú e dizemos: “Continuemos a nadar”. A 82 aprendeu em 2012, um dos grandes anos de suas vidas, que sonhar é possível. Que é possível encontrar dentro de si a felicidade. Olhar para a pessoa que está a seu lado e sorrir e dizer: “Estou aqui e estou feliz”. Caros familiares, não preciso lhes dizer que devem cuidem destes jovens preciosos. Não percam as esperanças neles. Sou vosso aliado para que consigam chegar ao impossível. E o impossível eles mesmos já provaram que é possível chegar. Como já disse o escritor francês Anatole France: “É-se rebelde, quando se é vencido. Os vitoriosos nunca são rebeldes”.





Sou grato, meus afilhados. Sou grato por tudo o que vivemos. Jamais pensei estar aqui. Quem diria que o terrível vilão estaria homenageando-os? Nossa história merecia ser contada.O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Meus queridos, agora estão prontos para continuar a caminhada. Caminhada esta sem mim. Sejam fortes e continuem acreditando em vocês. E quando o desespero aparecer, lembre-se de nossas aulas, de nossas batalhas, de nossas histórias e do nosso verso: “Somos a nova onda e viemos pra ganhar”

Homenagem ao Professor - Quebra de protocolo!
Alunos subiram no palco para cumprimentar o paraninfo

Evolução que todo professor deseja. Eles quiseram. E eu consegui. Obrigado!