sábado, 13 de abril de 2013

VIVA A VIDA! MEU ANIVERSÁRIO COM A MINHA RAZÃO DE VIVER!

Manhã de 12 de abril de 2013, 6h27min. Despertei. Era o dia de meu 29º aniversário. Abri as persianas da janela de minha alcova e notei a beleza do dia: céu nublado e chuva cálida de outono. Ironia? Não. Como a vida sabe que prefiro viver dias de chuva, de presente, ela providenciou um para mim.


Feliz, sai pelos bosques rumo ao trabalho. Assim que cheguei, deparei-me com uma surpresa. Dentro de meu escaninho havia um presente misterioso. Abri a embalagem morrendo de medo de que fosse algum gás letal proporcionado por algum aluno vilanesco. Humores à parte, abri o pacote. Tratava-se de uma panela. Uma panela vermelha. Um presente sensível de alguém que sabia o que eu desejava. Não havia cartão. Absolutamente nada que definisse quem era o presenteador misterioso.

O sinal soou e me direcionei às filas. Peguei meus "filhos" da 102 e fomos para a sala de aula. Lá, percebi que estavam de cochichos. Certa hora cantaram-me o tradicional "parabéns a você!". E eu tinha um presente para eles: uma prova com cinco textos e vinte questões. Calmamente fizeram-na. Em seguida, no terceiro período, refugiei-me nas conjunções subordinativas na turma 202. Lá estava eu dando minha aula de revisão para a prova, quando o coordenador da escola me chamou dizendo que um pai estava querendo conversar comigo. Inicialmente informei que estava no meio de uma aula e que o pai tivesse que esperar pelo intervalo. Dito isso, o coordenador reforçou: "Professor, sugiro que o senhor desça, pois o pai está furioso e com muita pressa. O caso é muito grave". Intrigado com tamanha cólera paternal, conversei com meus alunos da 202 explicando a situação e propondo que nossa aula continuasse por cinco minutos durante o intervalo. Eles aceitaram. Então descemos as escadas em silêncio. Na sala da coordenação fiquei a conversar com o coordenador sobre assuntos triviais. O tal pai estaria na secretaria da escola resolvendo alguma pendência. E cinco minutos se passaram. E eu pensando: "Eu estaria terminando minha explicação a essa hora". Quando eu estava disposto a regressar a sala de aula, uma de minhas alunas aparece na minha frente e diz: "Sor, vem cá". E eu disse: "Que houve? Brigaram na sala de aula?". "Não", disse ela. Passos depois surgiu outra aluna com uma câmera na mão. "Me acompanhe, professor", disse a primeira aluna me conduzindo. Estávamos nos dirigindo ao bar da escola. "Isso é um sequestro! Medo! Pra onde vocês estão me levando?" Ao chegar no bar, toda a turma estava escondida com bolo e muitas palmas. Emocionado, o coração palpitava e as palavras fugiram no agradecimento.

Mais tarde foi a turma de terceiro ano, a 302. Momentos antes da prova de Literatura, homenagearam-me com o parabéns.

Depois deste período, subi as escadas rumo a 101, turma que está comigo desde a 7ª série. Enquanto eu subia os degraus, eu escutava os pedidos de silêncio. Nenhum deles me esperava no corredor como de costume. Mas eles não conseguiam alcançar o silêncio. Apareci pela eles somente com a cabeça para dentro da sala e disse: "Oi. Psiu! Silêncio! Eu tô chegando! Vamos fazer assim: faz de conta que eu não cheguei ainda. Eu voltarei e vocês, quando eu entrar, fazem o que planejaram, tá?" E eles sorrindo: "tá!". Fechei a porta. Bati e um aluno abriu-a para mim. Quando entrei, eles me ovacionaram. Depois disso, uma aluna me chamou para tirar uma dúvida. Ao chegar lá, uma chuva torrencial de bolinhas de papel (típica das comemorações de aniversários da turma) afogaram-me em felicidade. Quando percebi que seria devastado pela chuva nefanda, saltei rumo ao corredor. Mal sabia eu que o conflito bélico não acabaria ali. Praticamente a selva amazônica foi desmatada para comemorar meu aniversário. Que o greenpeace não nos descubra! Socorro! Quase que a professora da sala do lado foi alvejada por trezentas bolinhas. Assustada, ela fechou a porta imediatamente. Querendo por fim à luta armada PROFESSOR X 38 ALUNOS, coloquei o punho para dentro da sala e comecei a fazer o gesto da bandeira branca. E as bolinhas não paravam de vir. Olhei para o líder do bonde da 101 (risos) e pedi para que parassem. E foi o que aconteceu. Em seguida, cantaram-me o parabéns. Lembrou-me a guerra de marshmallows da 7ª série (belíssimos tempos).

Á tarde, a 73 correu atrás de mim para cantar o parabéns. Tentei fugir, escapar por onde pude, mas os baixinhos corriam enlouquecidamente até que me refugiaram. São uns amores!

Mais tarde foi a 83. Antes da prova homenagearam-me.

No intervalo, estava indo belamente quando uma admirável colega ficou de papo comigo no pátio. Certo momento, senti o peso das provas no ombro e disse: "Vamos ali na sala dos professores". Aproximei-me da porta quando vi que estavam a preparar o bolo. A colega (desastradamente) impediu que eu entrasse. Ficamos a gargalhar do ocorrido. A surpresa, desta vez, não tinha dado certo. A porta da sala dos professores foi aberta e eu abri um rosto de pura surpresa ao ver o bolo e as velas 2 e 9.

Instantes depois, foi a ver dos URSINHOS CARINHOSOS da 84 (que por estarem grandes, não são mais tão ursinhos). Assim que cheguei na fila, eles puxaram a cantoria e, mais uma vez, os alunos da tarde, cantaram a canção ao aniversariante. Mal sabia eu que eles tinham um plano terrível para mim! Lá estava eu analisando as orações subordinadas substantivas, quando a Coordenadora do Ensino Fundamental me chamou. Claro que isso cheirava a mais uma surpresa, leitor, mas nada se passava em minha cabeça. Depois de cinco minutos, quando voltava à sala de aula, notei que havia uma gritaria enlouquecedora vindo da sala 8. "O QUE ELES ESTÃO APRONTANDO?". Subi as escadas de duas em duas para surpreendê-los. Abri a porta com som e fúria e perguntei: "O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?". Meio segundo depois, mais uma luta bélica com bolinhas de papel. Foi uma loucura! Lá estava eu a jogar bolinha neles também. Animação, teu nome é 84. Foi uma loucura! Certa hora eu disse após um dos alunos acertar uma bolinha em meu rosto: "AH! É? QUERO QUE VINGUEM A HONRA DO PROFESSOR! ATENÇÃO, 84! ALVEJEM O COLEGA MAL-FEITOR. ATIRAR. JÁ!" Diversão instalada. Como sempre nesta turma!

Obrigado a todos os alunos que contribuíram para que a energia positiva se instalasse no dia de meu aniversário. Amo muito meus alunos.

PS: durante o dia eu descobri quem me deu a panela vermelha. Mas essa história eu conto um dia, quem sabe.

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