terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Homem do Hino

Caros leitores-seguidores... vou contar agora, um fato que ocorreu em minha vida, ainda nesta manhã. Lá estava eu, junto à equipe, organizando um evento que reuniu todos os Diretores de escolas estaduais de Porto Alegre. Criei o Power-point. Fiquei responsável pelo passar dos slides e do Hino Cacional. Quando o horário deu o sinal, e com a chegada do Secretário Estadual de Educação, José Clóvis de Azevedo, percebemos todos uma grande tragédia: os microfones não funcionavam. O evento ocorreu na Escola Parobé, em Porto Alegre. Tudo tinha sido testado, visto que o som funcionava muito bem quando passava a Banda Marcial Juliana, a banda marcial do Colégio Júlio de Castilhos. Visto esse terror, o vice-diretor do Parabé, engajado com a causa, e com seus equipamentos, pediu que eu fosse até a sala dele e pegasse outro equipamento. Estavam todos já sentados, aguardando o início dos trabalhos. Corri rumo ao equipamento. No meio do trajeto, um colega gritou por mim, informando-me que o som tinha sido restituído. Quando regressei ao auditório, cercado por uma plateia com mais de 250 diretores, a minha Coordenadora, que emanava sua voz no microfone, disse a todos: “Chegou o homem do Hino”. Mal sabia eu que efetivamente seria o HOMEM DO HINO. Não obstante, pus-me no meu semi-gabinete, e disparei o play para que o hino fosse gritado para toda Porto Alegre ouvir. Não, Porto Alegre não ouvia. O silêncio era ensurdecedor. A máquina não queria fazer com a pátria amada aclamasse suas cordas-surradas da educação. Usei de outros artifícios tecnológicos. Tudo em vão. Logo disse a minha Coordenadora com tom blase: “Não deu!”. Como num bambolê, esta disse a todos: “Não deu, pessoal. Vamos cantar, de pé, o Hino Nacional”. AGORA O HOMEM DO HINO ENTRARIA EM CENA. Observe, leitor-seguidor. Como um bom Ramones, one, two, three, four... “Ouviram do Ipiranga...” Cantávamos todos. Foi muito bonito e emocionante. Certo momento da grande solenidade à flâmula, minha Coordenadora fazia gestos discretos com as mãos. O sinal não-verbal de girar os dedos me deixou um tanto descofortável, pois não entendia o que a chefe me dizia por baixo dos momentos protocolares. Mal sabia eu que estava fazendo a maior gafe à sociedade brasileira.

O evento se deu com compensador sucesso. O microfone passou a funcionar. Os slides deslizaram com paz no futuro e gloria no passado. Discussões se deram para a melhoria da educação da 1ª Coordenadoria Regional da Educação.

Depois, com o fim do evento, levamos o que restou de salgadinhos e docinhos para a Coordenadoria. Lá, todos em volta dos deliciosos acepipes, chegamos ao ponto em que eu entrei em pauta. Falavam sobre a quebra de protocolo que eu cometi na frente do Secretário e na frente de todos os Diretores. O que era, Meu Deus? Eu, o próprio, no suor das ânsias do Hino não ter tocado, e também por estar na frente de tal autoridade oficial, cantei, como o varão à musa, o Hino Nacional de costas para a bandeira. Sim, leitor que me persegue e ri deste evento, ou que antegozas a minha volúpia. Era por isso que minha Coordenadora, durante um ato tão solene à pátria salve-salve, girava os dedos para que eu me recompusesse.

No final, como uma boa chave de ouro, disse: “É que do outro lado estava a bandeira da França, minha gente. É por isso”.

Todas caíram numa gargalhada protocolar.

Fim.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

E assim foi, simples, básico, informal, e bem temperado.

Totalmente imprevisível, este (e aquele), que foi um final de semana diferente em minha pseudoidílica vida. Tinha eu marcado um (petit) jantar com Thais Deamici em meu tugúrio na sexta-feira à noite. Mamãe preparara seu famoso carreteiro à mussarela. Depois de termos perdido nosso tempo, em digestão, assistindo a Insensato Coração e ao bélico episódio daquele “programeco” que pós-segue a trama de Gilberto Braga (Vale Tudo? – Insensato Coração?, quanto hibridismo). Aquele BBB indecoroso e vazio. E tão vazio, que ao assisti-lo, quase meu estômago se esvaziou como um Vulcano do Olímpo, em queda arquejante da minha moral. Saltei em fuga alucinante a minha alcova. Assim que cansamos de tantos pensamentos enervantes, passamos a assistir a uma comédia romântica, obras norte-americanas muito caras a mim. Desta vez, ou pela décima vez que assistia à película, SIMPLESMENTE COMPLICADO. Depois, continuamos a conversar, conversar. Invadimos a cozinha a procura de alguma bebida ou acepipe que melhor nos aprouvesse. Assim que olhamos para o cuco, um grito lancinante ecoou da glote: Três da manhã. Num piscar de olhos dormimos.

Na manhã derradeira de horário de verão (ó quanta tristeza), enquanto Thaís ainda sonhava com os Sonhos D’Ouro, eu ia lendo meu Émile Zola. Mais tarde, acordados para a realidade naturalista, tomamos o petit-déjeuner. Horas depois estamos num Centro Espírita, mais uma aventura. Lá nos encontraríamos com Dieniffer, amiga-aventureira. Após inúmeras aventuras espirituais e gritos dignos de espíritos obsessores que necessitavam da ajuda das luzes da espiritualidade maior, todos presos a urbe da matéria, aclamando por dores dignas da carne dos encarnados, fomos os três, devidamente sanados por passes mediúnicos, salas misteriosas de desobsessão, palestras elucidativas, fomos os três tomar um café no shopping Bourbon Ipiranga – local onde não há sequer uma livraria genuinamente de livros digna de presença de alunos de Letras. Logo, fomos para um café com croissant no Mc Café (algo que nos salva desse fast food letal). O café vale muito a pena. Ficamos por uma hora naquele lugar. Depois ficamos parados, olhando um para o belo semblante do outro, e os três se questionando: o que iríamos fazer? Para chegarmos a um denominador comum, ficamos mais metade de hora investigando os possíveis destinos. Pensamos Cidade Baixa, na Rua da República – boa pedida. Dieniffer sugeriu minha residência: compraríamos um vinho no Zafarri e pediríamos uma pizza. Para mim, qualquer destino esta ótimo. Thais não queria casa, queria uma Polar no Tapas (mais uma cerveja no Tapas). Depois Dieniffer sugeriu que todos fossem para a casa dela (longe do circuito literário). Pensei nos bolinhos indianos do Tapas. Fomos para o caixa eletrônico. De lá entramos no Zaffari para comprarmos o vinho. Lá, tive uma ideia: ao invés de pedirmos uma pizza, propus preparar o prato da noite. Elas poderiam escolher. Pediram-me o Misterioso Strogonoff de Alex Valery de Paris. Nas compras, destacamos que o preço do quilo do Patinho estava pela hora derradeira da morte. Então indiquei que fossemos comprar a carne perto de minha residência, cujo açougueiro, digno do Ventre de Paris, cortava as iscas, para mim, a seu bel-prazer.


Horitas despues, o Misterioso Strogonoff estava à mesa. Diennifer fez a salada e o brigadeiro; Thais preparou o ponto da locupletagem. Mais tarde, depois do jantar, abrimos o vinho e caímos no brigadeiro. Assistimos VICKY CRISTINA BARCELONA – evidentemente que Dieniffer e eu suspirávamos com algumas cenas.

Em seguida do jantar, do brigadeiro, do filme, do vinho, tivemos energia para ler – lentamente – em francês, e mais energia ainda para treinar o francês falado – que é muito mais fácil ou adequado. Ficamos uma hora com o CD de francês:

— Bonjur, Je m’appelle Céline Legrand.
— Bonjour, madame. Monsieur Rossi, enchantée
— Enchantée.
— Alors, à demain ?
— Oui, au revoir.
— Au revoir. À biêntôt.

Dorminos.

Na manhã seguinte, assim que acordei, peguei Zola, uma leitura gostosa. Depois, quando ouvi vozes, dei sinal de vida. Dieniffer surgiu nas escadas. Falamos por boas horas sobre literatura e sobre a baixa esfera composta por professores da faculdade porto-alegrense (coisas de pessoas pequenas).

Descemos. Que horas era? Thais dizia um horário. O cuco da cozinha dizia outro. Meu celular mostrava outra posição. Será que mudou automaticamente? O computador estava louco, informava 23h. O sol desaparecera numa nuvem. Quase fui à janela gritar: Que horas sãaaaaaaaaaaaao? Não importando, fomos para o nosso petit-déjeuner, regado a iogurtes, café creme, grand café e le thé au lait, fois gras...

Ficamos dissertando sobre o futuro, como sempre. Sim, sobre o futuro. Por que conversar sobre o presente, pois se justamente o presente que vivemos? Sim, sobre o futuro. Pois é pensando no futuro, que os pensamentos, antes passados, se realizam abruptos, e por vezes demorados, nos nossos primas realizadores e decorativos de nossa vida gutural e nada fugaz. Sim, pensamos nos projetos intelecto-emocionais que nossas propensões de elevação de alma e belo saber de pequenos e inefáveis burgueses que pensamos que somos. Pensamos como sonhadores do amanhã, e somente do amanhã, porque o agora já tornou-se passado, e o próximo segundo é o da realização do projeto anteriormente exclamado, exclamado com tanta volúpia e energia atômica, que num espasmo de gozo frenético e fugaz, esse sim fugaz, se esvai para o próximo projeto.



Fim abrupto e sem sentido... que continuasse o final de semana.

E assim foi, simples, básico, informal, e bem temperado.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Porto Alegre diluvial

Era um dos dias mais lindos do verão 2011. Céu nublado, uma chuva gostosa que caia no asfalto intumescido de Porto Alegre. A cidade estava abandonada, as casas se acolheram num átimo de trégua do tormentoso calor, de cuja Natureza não suportava a pressão. Justamente naquele belo dia de chuva, dias desses de ficar em casa lendo um bom livro ou assistindo a uma boa comédia, com pipoca e guaraná (receita da Antártica), seria um programa legal, mas mais legal ainda é ter marcado, antes num dia de sol, dia feio, um encontro com minhas amigas: uma tarde de sábado entre muitas risadas (humor que enerva como um ENO), belas conversas sobre o cotidiano-absurdo e sobre os projetos mais obscuros que enervam, como o mesmo sal de frutas, nas nossas mentes borbulhantes e rocambolescas.

Porém, um belo dia não significa que ele seria de todo belo. Primeiramente tive que cruzar a cidade, ir a um distrito totalmente fora do meu circuito literário: zona norte da capital. Cheio de esperança em encontrar a primeira estação de metro perto de minha residência, dei-me conta que não estava em Barcelona. O que é uma tragédia escrita por Sófocles, para mim. Contentei-me com o fajuto ônibus da Carris. Fiquei mais de vinte minutos aguardando um mísero T2. Esperando um mísero T2 na companhia mais arbitrária da alta-roda porto-alegrense. Bem que eu poderia ter pego na internet os horários deste ônibus, pois um dos meus ódios, que são poucos – dois – e um deles é ficar numa parada de ônibus aguardando o coletivo. Para mim, PARADA-DE-ÔNIBUS, como já diz por si própria a palavra aglutinada, o que deve parar na parada de ônibus é o ônibus e não os reféns do governo (e ainda por cima a passagem está pela hora da morte... estou morrendo por isso, sim, morrendo, porque mendigo meia-passagem pelo fato de ser um estudante). E como ia dizendo, desculpe as fugas de assunto, esse é o meu maior mau, mau esse de toda uma sociedade, sociedade virulenta de subjetividade. Mas como eu ia dizendo, mais uma vez, sobre os meus ódios, o meu segundo, e último, ódio, é de esperar por alguém. Odeio quando marco com alguém em determinado horário e esse alguém se atrasa. E por odiar isso, acabo odiando quando alguém espera por mim. Sim, minha amiga Dieniffer esperava-me no Triângulo da Assis Brasil.

Quinze minutos depois, quando cheguei à Assis Brasil, deparei-me com aquelas paradas de ônibus estranhas, de uma cultura muito estranha para mim. Ônibus com letra A para em determinado espaço, que a B e a C não estacionam. Lá estava eu a correr atrás dos ônibus da Conorte: “Passa no Triângulo?”. Lá vinha um Passo das Pedras. Lembrei de um terrível trauma nessa idílica linha turística do porto dos casais. Sai correndo por entre as poças voadoras. Mais tarde vinha outro vermelhinho da Conorte, Nova Gleba. Que isso, minha gente? Onde fica Nova Gleba? Em seguida decidi atacar a linha Hospital. O motorista, simpático, respondeu-me com amabilidade, que não passava no meu destino. Esperei. Esperei. Esperei. Até que surgiu um Elizabeth. Ataquei. Entrei no coletivo. Rapidamente já estávamos no Obirici. Foi neste momento quando mandei um torpedo para Dieniffer, que me esperava há mais de meia-hora. Assim que passei pelo Shopping Lindoia mandei um rápido torpedo para minha amiga. Ali anunciei, mentirosamente, que o ônibus, para o azar do relógio, tinha estragado. Um minuto depois estava no destino. TRIÂNGULO. Quando ali desci, pensando que estava protegido da chuva perpétua, fui congelado com um caldo vindo dos céus. Tinha passado por um momento de desatenção. Como estava no Brasil, as obras estavam todas pela metade. Somente a metade do terminal de ônibus estava protegida. O lugar era um novo dilúvio. E sentadinha num banquinho, Dieniffer me aguardava com sorriso de musa do verão.

Uma vez cumprimentados, telefonei para Felícia para sabermos a melhor rota para irmos a sua casa. O leitor que me acompanha não há de acreditar no que linha de ônibus ela disse para eu pegar. Caso sejes (e sejes está certo, neste caso) um leitor de boa intuição (e atento a ironia), Felícia pediu que eu pegasse a linha Elizabeth, que me deixaria duas paradas de ônibus do Triângulo. NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO. Quase tive uma sincope pluvial com aquela orientação. Ainda por cima ela recomendou-me várias outras possíveis linhas: Nova Gleba (onde fica isso?), Educandário, Agostinho. Dois minutos depois estávamos passando pelo Motel Medieval, que era muito parecido com o Castelo de São Jorge. Esse era o ponto turístico do bairro. Outro ponto turístico do distrito era a BIGFARMA, que ficava à esquina da casa de minha amiga Felícia, que mora na Gruta Zeferiana.

Depois sim. Foi somente gozo. Além de termos nos empanturrado com os melhores acepipes e da guaraná (sem pipoca e sem filme), fomos trocando experiências e observando a dialética do comportamento humano carente de locomoção. Divertimo-nos. Depilamo-nos. Carregamo-nos. A noite era um bebê. Muito tinham ainda que contar, pois eu, um bom homem introspectivo, fui para o meu tugúrio locupletar-me de mim mesmo. E isso também é muito bom, além de estar dentro de casa com os amigos no outro lado da cidade.

Eis uma história simples, digna de uma redaçãozinha, que as fajutas professoras de português, retrogradas, pedem para escrever sobre esse tema tão erudito. Na próxima vez escreverei sobre as minhas férias. Porto Alegre é demais! E Porto alegre me dói! Mas não digo a ninguém...


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Siga-a.

Caros amigos, queiram ver o perfil que minha amiga Felícia fez de mim, no blog que ela administra.

Siga-a:
http://feliciavolkweis.blogspot.com/2011/02/alex-valerio-personagem-esferica.html?showComment=1297350770344#c7587309393073765914

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mais uma vez Paris - parte 3/3 - POSTAGEM FINAL DA VIAGEM

Sim, já era hora de voltar para casa...

Mas, antes, continuemos a narração travada.

Sabe-se que Cléia e eu andávamos pelo Boulevard Saint-Germain à procura do Café de Flore. Como tínhamos deixado o endereço no hotel, não sabíamos para que lado ficava o café. Em Paris, as numerações dos prédios e residências são por ordem (um, dois, três), diferentemente como é em Porto Alegre, uma desordem aleatória de números (que em sua média se resume de dez em dez). Logo, o achamento do Café foi uma dura caminhada. Andávamos entorpecidos pelo grande Boulevard, o boulevard mais intelectual e elegante da capital francesa. Cândida, a amiga dos teleféricos perdidos, comprara seu calçado na lojinha Côte a Côte com pleno sucesso. Quando esta pensara que poderia simplesmente ver o preço de uma sandália, pegá-la e ir ao caixa para pagar, chegou à conclusão que as coisas eram mais simples ainda, pois a vendedora que a atendeu falava a última língua do Lácio. A atendente era de Cabo Verde. Enquanto travavam uma conversa na mesma língua, em Paris, Dieniffer entrava em processo de desencarne; mas um trespasse em grande estilo. Mas não. Mentira. Ela aguentava, em escuro silêncio, os gritos que de seu corpo quase impulsante. Fora Lindy quem percebeu o estado de nossa amiga. Mais tarde estávamos nós, todos, com as últimas forças de turistas não alimentados, em direção ao café existencialista. Inicialmente, para nos coordenarmos, tivemos, Cléia e eu, pedir auxílio a duas francesas. Abordei-as e falei:

— Je voudrais Café de Flore. Jean-Paul Sartre. Simone de Bouvoir. Sil vous plaît.
Elas faziam cara de quem não sabia o que era o Café, o café mais conhecido do mundo. Falavam algumas coisas em francês, outras em inglês. Uma vez desacreditadas, fomos andando pela mesma rua da loja Côte a Côte. Quando andávamos, as duas francesas vinham, desesperadas, gritando por nós.
— Vous voullez... vous vollez. Garçon. Garçon.
Olhamos para trás. Elas queriam nos convencer que a ir a outro café, visto que o distrito era apinhado deles. Agradecemos. E elas se foram.
— Que amor as francesas. Estamos encantados — eu disse a Cléia. Agora sim, todos novamente, e Dieniffer quase sem pulso, e muito discreta em seu caso clínico (ou a minha total insensibiliade). Fomos andando, e andando, e andando, e andando por aquele boulevard. Quando até eu estava já me entregando, a luz da História me guiou até X do tesouro. Deparamo-nos na Place Sartre-Bouvoir.







Estamos perto. Muito perto. Alguns passos depois, felizes da vida, adentramos ao café. Sentamo-nos. Quando descansava naquela poltrona pensava: “Será que Sartre se sentou nessa mesmo estofado?” As meninas foram ao toilette. Enquanto isso eu ia observando as pessoas. Algo de muito estranho acontecia ali. Tive uma leve sensação que eu era um estrangeiro ali dentro. A forma como as pessoas se portavam e se vestiam era muito além daquela que eu me comportaria e/ou me vestiria para ir tomar um simples café. Tive a nítida sensação, ali, que estávamos, não num simples café. Os garçons passavam por nós e não nos atendiam. Decidimos subir. O garçon apareceu. Não nos abordou. Ficou parado. Depois entrou um casal de idosos. A velhinha, quando se sentou, alinhou os cabelos. Ficamos, os brasileiros, e o casal de velhinhos de não sei de quê lugar do mundo, esperando ser atendidos. O garçon parado como um obelisco da Place Vêndome. Este, rendido pela cultura, foi até uma caixinha e dali pegou os menus. Entregou a nossa mesa e a dos companheiros da terceira idade. Frente a esse impasse cultural, as risadas foi o que somente me restou. Mas essas risadas cessaram no momento em vi o preço dos pratos. O meu Croque Monsieur custava €10. Para uma simples coca-cola era necessário desembolsar a bagatela de €6,60. Jamais pagaria R$15 por uma lata de refrigerante.Um café da manhã custava €25. Quase cinco vezes mais que o mais saboroso café-da-manhã que tomamos em Montmartre. Chegamos a conclusão que deveríamos sair dali. Mas como isso se daria? A luz aconteceu quando o casal de velhinhos levantou-se, o senhor falou algumas palavras entre risos e desceram as escadinhas. Entramos na onda da debandada. Levantamo-nos. Cleia fez uns trejeitos de falta de compreensão do menu (até poderíamos almoçar ali, mas pedir um prato, com nome em francês, evidentemente, e não saber o que pediríamos e pagarmos por isso muito caro – para um turista estudante universitário...). Fomos embora.


Pegamos o metro na estação Saint-Michael. Descemos na Châtelet. Na conexão com a linha amarela, descemos na estação LOUVRE-RIVOLI (estação que está dentro do Museu do Louvre).
Porém, com as inúmeras saídas, acabamos nos deparando com a saída para a rua, na Rue de Rivoli. Corremos para um café. Entramos num charmoso café. Uma atendente muito simpática nos atendeu e nos acomodou numa mesa de janela para uma estreita e típica rua europeia. Ela ainda me ensinou a falar francês. Muito se falava que os franceses não tratam bem os turistas. Cada caso não deve ser avaliado generalizadamente. Das duas vezes em que estive nessa cidade, sempre fui bem tratado pelos irmãos parisienses. Pedimos nossos alimentos. Lindy pediu salsicha com fritas (prato preparado, tipícamente, por Lise Macquart, do romance de Le Ventre de Paris, de Émile Zola). As meninas pediram Lasagne. E eu, evidentemente, provaria o misterioso Croque Monsieur. Os pratos chegaram loucos para serem devorados. Quando deparei-me com o que eu pedi, um susto tremendo de quebra de expectativa me sugou: o tão aguardado Croque Monsieur é, nada mais, nada menos, do que uma torrada. Uma torrada bem trabalhada, com queijo prensado dentro e fora do pão.
— Lindy, poderia me ceder, para eu provar, algumas batatas e um pedacinho dessa salsicha?


Fomos andando pela Rue de Rivoli, um dos cortes mais Reais (de realeza) de Paris. Andávamos por uma das arestas do Louvre. Assim que vimos um dos arcos disponíveis para transpor, o fizemos e do outro lado estava a Pirâmide de entrada no Museu. Cândida chorava, desacreditada por estar ali.

Entramos. As meninas pagaram €9,50 para ingressar. Eu optei por ir ao Musée D’Orsay. Deixei-as. Marcamos de nos encontrar, pontualmente as 18h na frente da Pirâmide, justamente na placa que diz Musée du Louvre.


Era 17h15min. O D’Orsay fechava pontualmente as 18h. Eu tinha que entrar para ver pelo menos alguma peça de Monet, Manet, Dégas, Cézanne. Eu tinha que pelo menos ver O ABSINTO. Uma ansiedade quis me dominar quando me vi sentado, sozinho, um brasileiro sozinho numa estação de metro. Com o mapa na mão entrei no Louvre-Rivoli. Eu sabia que o D’Orsay ficava perto do Louvre, mas não lembrava o quanto. No metro, decidi descer na estação Concorde. Tomei a rua. Olhei para o longe e lá estava o Sena (o museu beira o rio). Para ter certeza, abordei um garçon, tipicamente francês, levemente delicado, afeminado, loiro, fumando um cigarro, escorado numa banca de revista fechada.
— Bonjour. Ju voudrais Musée D’Orsay, sil vous plaît.
O rapaz me falou uma porção de palavras. No meio delas, muitos gestos que me direcionavam.
— Merci.
— De rien — disse ele dando uma tragada.
Fui me dirigindo ao Sena. Quando me aproximei vislumbrei o museu do outro lado. Estava no Quai des Tuileries. Os carros andavam em alta velocidade. Não havia sinaleira para eu atravessar. Nem se quisesse poderia, pois havia uma cerca que me impediria. O Jardim das Tulherias se manifestava ao meu lado. Andava o mais rápido que conseguia. No relógio: 17h45min. Não adiantava. Eles colocam todos para fora assim que o museu fecha. Ia olhando para o D’Orsay. Seria da próxima vez, dizia conformado. Lembrei-me da primeira vez que estive em Paris.

Andava de bicicleta por toda a cidade. O filho de Lúcia e eu. Passamos quatro horas pedalando. Percorremos quase todo o Sena que compunha as arestas de Paris. Naquele dia saímos do apartamento, alugamos a bicicleta no Boulevard Sébastopol, perto do Centre Georges Pompidou. Pedalamos pela Rue de Rivoli, passamos pelo Louvre, pelas Tulherias, passamos pelo D’Orsay, trafegamos o túnel des Invalides, passeamos pelo Campo de Marte, vislumbrando a Torre Eiffel, nos deparamos com Hôtel des Invalides, Place de la Concorde. Almoçamos um crepe na Notre-Dame de Paris. depois continuamos pedalando pela margem do Sena até chegarmos ao 13º distrito, onde fica a Biblioteca Nacional da França. Voltamos tudo. Passamos pela Bastilha. Hôtel de Ville. Quando estávamos chegando em casa, na rua do nosso apartamento (que alugamos na época), na Rue Notre-Dame de Nazareth. Padalávamos, já cansados, quando a Polícia Francesa nos abordou e mandou que parássemos. Eu, com cara de apavorado, simplesmente respondia um Je ne parle pas francais. O policial me fazia mais pergunta. Eu acenava um não e voltava a dizer que não compreendia o francês. O tira simplesmente entoou: Nattion? Eu respondi, e ele não esboçou nenhum tipo de preconceito. Ele começou a explicar a nossa arbitrariedade. Eu, apavorado, não entendia. Gabriel, o filho de Lúcia, compreendeu a charada. Nosso erro foi ter andado na contra-mão (coisa que fizemos o dia todo). No final, não ganhamos a multa de Cem Euros que nos seria imposta por infração de trânsito.

Cheguei na ponte que dava acesso ao Musée D’Orsay. Mas era 17h50min. Assim que cheguei à porta das Tulherias, quase dei um grito de horror, pois o que separava os dois museus era a ponte que ficava antes do Quai Voltaire.

Entrei no Louvre pela pirâmide. Andei pela livraria que lá havia. O Museu fechou. Fiquei transitando ainda o quanto pude. Estava chateado por não ter acessado o D’Orsay.



Na saída, as meninas me esperavam. Estavam chateadas por não terem visto a Vênus de Milo. O tempo era verdadeiramente um inimigo.

Depois fomos à Montparnase. As meninas queriam conhecer a Galerie Lafayatte, que neste distrito, fica na Torre Montparnase. Estava fechada. Domingo não há comércio.

Pegamos um metro. Descemos na estação Bir-Hakeim. Fomos nos despedir da Torre Eiffel. Lá, na beira do Sena, compramos um ticket para passear de barco pelo rio. Com o cartão de estudante internacional ISIC paga-se apenas € 5. Uma hora de intenso passeio. Músicas, explanações sobre os pontos turísticos, o passar de baixo da ponte, a bandeira da França agitando no bateau. Mal sabíamos que ali, naquele bateau, seria o último cenário para a aventura parisiense. Porque ali houve uma celebre história para se contar. Estávamos admirando Paris, conversávamos, fazendo uma retrospectiva da viagem, de todos os acontecimentos já contados anteriormente. Revivemos os mais escandalosos. Riamos naquele anoitecer dourado da cidade. Passávamos por baixo das pontes. Observávamos a Ilê de la Cité. A Notre-Dame. Quando o bateau fazia o retorno, as meninas perceberam que dois rapazes olhavam furtivamente para mim. “Olha os bofes!”, dizia Dieniffer. Discretamente, olhei para eles. Era verdade. Um deles, naquele frio, vestia um casaco e uma echarpe. O outro, de olhar mais instigador, olhar de lince, determinado, vestia uma blusa, o que dava a entender uma maior discrição. O primeiro se entregara com seus trejeitos; o segundo se resignava a dar um olhar. Alguns minutos depois, depois de muitos olhares, duas mulheres surgiram e passaram a tirar fotografias com eles. Os quatro riam e gargalhavam. Nós, coadjuvantes, olhávamos cheios de dúvidas. Eram dois casais? As mulheres perceberam que eles olhavam para mim? Então elas, que estavam sentadinhas, decidiram dominar o terreno? A baixaria começaria ali mesmo. Eu disse:
— Opa! Temos então um bom candelabro italiano. Cinco numa cama não seria nada mal. É hoje que temos um bom ménage à trois. Vamos beber todos e iremos nos divertir num bom sexo transgressor — eu disse em som alto, pensando que se tratavam de alemães, ou americanos, ou finlandeses, ou russos — Elas devem ser lésbicas, ou todos bissexuais. Isso, lésbicas e bissexuais.
Claro, querido leitor, que as coisas não são tão simples, ou não tão óbvias. Tu deves imaginar o terror que eu tive após pronunciar essas palavras, em alto e bom som. Sim, queridos leitores-ansiosos, eles passaram a falar alto, no meio daquela agitação dionisíaca, vendo a Torre Eiffel na frente, toda iluminada. Sim, leitores-espertos, eles e elas falavam em LÍNGUA PORTUGUESA. Logo, eles ouviram nitidamente tudo o que eu os falava.

Enquanto isso na linha 12 do metrô...
Lúcia, Thais e Tia Cida voltavam do passeio que fizeram de Barco no Rio Sena. Estavam cansadas. E insatisfeitas por não terem comprado os cremes que desejavam na Galerie Lafayette da Boulevard Haussmann.

Enquanto isso no Hotel Paris XV...
Marcela e Deisy refletiam, com pés descansados, o futuro incerto de Marcilene. O relógio do laptop indicava nove horas e meia da noite.
— Onde está Felícia?
— Ela sumiu.
— Não podemos esperar para saber da ideia de Felícia. Vamos tomar uma providência, já.
Era a hora de chamar a polícia francesa.

Enquanto isso no Boulevard Sérurier, no Parc de la Villette, uma mulher loira, munida de uma bolsa e uma câmera digital, corria perdida na noite escura do 19º distrito. Corria desesperada, gritando por ajuda, quando uma outra mulher, de andar duvidoso, aproximou-se dela, piscou-lhe o olho, sorriu de soslaio e... Ela saiu correndo, a bolsa caiu no chão, mas a câmera ficara presa em sua mão. A loira gritava. O mulher misteriosa andava atrás dela. Pegara-lhe a bolsa. Mexia no que existia dentro. Uma corrida alucinada. Um táxi surgia insuspeito na Avenue Jean Jaurès. Help me! Help me! O táxi não parou para aquela mulher que corria com uma câmera digital na mão. A misteriosa passante do Parque de la Villette pegou-a pelo braço, esta gritava de terror. Não havia um turista sequer. Não havia polícia que a protegesse. Iam andando Rue D’Hautopoul. Um pequeno cemitério se mostrava ali. Entraram. A mulher gritava desesperada. A misteriosa simplesmente falou:
— Morra, sua MONSTRA. Morra — disse uma mulher cuja sombra dava um tiro a queima roupa na turista da câmera digital.
A mesma sombra corria e entrava na estação de metrô OURCQ, ali perto.
No dia seguinte esse era o grande mistério de Paris. Digno da obra de Eugene Sue.


O passeio tinha acabado. Os olhares continuavam cheios de mistérios. Cândida disse:
— Elas estão percebendo os olhares. Vai dar briga. Vai dar briga.
Todos iam andando, numa fila, para sair do barco. O rapaz dos olhares furtivos olhava para trás. As mulheres o seguiam. Quando todos saímos do barco, as meninas decidiram ir ao toilette. Alguns minutos depois ficamos na porta do barco, quando um dos rapazes, o mais extravagante surgiu perto de mim. Gelei-me. Não tinha reação. Todos os meus movimentos congelaram. Cândida falou baixo que era para eu me cuidar, pois a mulher estava atrás de mim. Discretamente, olhei para trás. Sim, uma delas estava passando por mim. Trocamos olhares. Insisti olhando para ela até que, envolvida por uma súbita timidez, ela baixou a cabeça. Um minuto depois os quatro iam embora, iam embora sem o meu ménage à trois.
Saímos dali, pegamos o metro e quinze minutos depois estávamos no Boulevard Victor, num charmoso restaurante. Jantávamos. Brindávamos a grande aventura que chegava ao fim. Comemorávamos a amizade que tínhamos fortalecido durante essa grande jornada.
— Às lembranças de tudo o que vivemos. À nossa duradoura e sólida amizade. Que assim seja!

Chegando no Paris XV, dando mais gargalhadas, e por essas gargalhadas, Marcela e Deisy apareceram na janela do quarto e nos disse:
— Marcilene desapareceu. Lucia, Tais e Tia Cida chegaram agora a pouco. Mas a Marcilene não chegou até agora.
Subimos imediatamente para o quarto delas. Ficamos conversando coisas que ocorreram no dia. Meia-hora depois, bati no quarto de Lucia, Tais e Felícia. A porta se abriu e lá estava ela, Marcilene, com a câmera na mão, descarregando mais de duas mil fotos (que tirara durante aquele dia).
— As meninas disseram que iam chamar a polícia. Onde tu estavas, Marcilene?
— Quando eu me vi perdida no Louvre, dei vários passeios. Claro que fui a Monalisa. Depois peguei um taxi numa rua e falei para o taxista: “Notre-Dame”. Rapidinho ele me deixou lá. Entrei na Igreja. Que linda a Catedral. Belíssima. Depois fiquei andando pelo margem do Sena. Não sabendo para onde eu ia, acabei voltando para a Catedral.

No dia seguinte estávamos todos no aeroporto. Voltando para o Brasil.

Dieniffer e Tia Cida embarcaram num voo Easy Jet com destino a Veneza.

Fizemos uma conexão em Lisboa, num voo turbulento. De Lisboa para o Rio de Janeiro. Do Rio de Janeiro para Porto Alegre – com escala em São Paulo.

No voo Lisboa-Rio, Marcela, Deisy e Marcilene ganharam champagne da primeira classe. O hospedeiro era um efeminado do tipo Jacques Leclair, que usa desse subterfúgio para seduzir as mulheres.

Esse mesmo hospedeiro chamava para todo o voo ouvir que Cléia era uma mulher perigosa.

Lindy e Cândida voltavam felizes para casa.

Lucia e Tais apertavam as mãos. Tinham cumprido mais uma viagem juntas.

Felícia e eu riamos de todas as situações. Inclusive quando um dos hospedeiros acordou-me para servir o jantar. Eu não despertava. Ele então usou de recursos mais incisivos para eu sair do sono. Assim que meus olhos abriram dei um pulo no hospedeiro, pedindo-lhe desculpas. MALDITO HOSPEDEIRO. QUANDO EU TINHA CONSEGUIDO DORMIR, ELE ME ACORDOU. MALDITO.


Essa foi a nossa viagem. De imensa emoção, de inúmeros aprendizados, de grandes pretensões. Deixávamos para trás cidades que proporcionaram momentos de realização pessoal. Fomos a fundo na cultura, nas trocas de informação, conversamos com pessoas que vivem e nasceram lá. Encontramos pessoas de Porto Alegre. Da Romênia. De Cabo Verde. Da Itália. Da Sérvia. Da Costa do Marfim. Gaúchos que moram na Austrália. Alemães perdidos em metros. Sim, fomos felizes, e deixávamos um pouco desta felicidade nas cidades que freqüentamos, pois agora somos parte da história desses lugares. Um dia eles ali voltariam, sim voltarão. Juntos não sabem. Mas lá voltarão e resgatarão aquela pequena felicidade que angustia o retorno. Quem vai uma vez, tem a sede do retorno. Quem vai duas, deseja morar lá. Quem vai uma terceira, quem sabe fica para sempre. Mas isso não é regra. Cada experiência é única, cada vivência é um olhar no limiar dos acontecimentos. Dentro do avião TAP PORTUGAL eles não voltavam os mesmos de quando lá chegaram. LISBOA, VALÊNCIA, GANDHIA, BARCELONA, SAINT-JOAN DESPI, PARIS. Elas mudaram suas vidas para sempre. O que mudaram quem sabe ainda não perceberiam. Mas um novo olhar para a vida teriam. As pessoas os olhariam diferentemente. Seriam pequenos-deuses que realizaram um sonho feito para todos. Ver Lisboa sob a visão do Castelo de São Jorge. Experimentar o Colégio Mayor Galileu Galilei. Banhar-se nas praias do Mediterrâneo. Desbravar Barcelona por cima. Tomar um café tipicamente da manhã em Paris.

Agora o mundo era deles. Cruzaram o Rio Guaíba, transpuseram seus maiores medos, lágrimas derramavam direto dos pés cheios de bolhas, cruzaram por pequenas tragédias que sempre ocorrem numa viagem, histórias intensas que somente ocorrem em viagens, esperaram ter o poder de ver todo o roteiro, correr contra o tempo, correr contra o corpo cansado, correr para o hotel no primeiro cansaço. Muito faltou. E por ter faltado é para lá que voltaremos, no dia quando nosso espírito estiver equilibrado o suficiente para lá voltar e sofrer novamente a lembrança concreta das experiências vividas.

NENHUMA VIAGEM É IGUAL A ANTERIOR.
VOLTEM. SERÁ TUDO DIFERENTE E MELHOR, ACREDITEM.
ASSIM FOI COMIGO, ASSIM SERÁ COM TODOS.
BOA VIAGEM...


Lúcia...

Fabiane... Marcilene...Deisy ...

Marcela...
Tais...
Tia Cida...
Cléia...


Dieniffer...
Cândida...
Lindy...
Felícia...
Eu...





Lembranças do Colégio Mayor Galileu Galilei... grande experiência...


Fiz parte desta história...



Av. de los Naranjos (em frete ao Galileu Galilei)...

Metro de superfície de Valência...
Aguardando o metrô...




Vista panorâmica de Valência...

Eu ando pelo mundo

prestando atenção em cores

Que eu não sei o nome

Cores de Almodovar

Cores de Frida Kahlo

Corres...

Adriana Calcanhoto






Um final feliz...
Fim








Fim?
Evidentemente que não...
As aventuras hão de contunuar
até a próxima temporada!!!
Au revoir...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Palavras de um amor-confuso, confuso amor

Estou nem casa de uma amiga, de um professora-amiga, para um jantar fenomenal. Amigos, amigos, amigas, amigas, e tu ai, bem longe, me confundindo, brincando comigo, debochando, esbugalhando meus sentimentos frangalhados. Por que fazes isso? Qual é o teu problema? Estou aqui feliz, dando minhas risadas, energizando o ar de bom humor... até que vens o teu espírito até mim e deflora meus bons eflúvios. Agora vou beber, para esquecer o que não gostaria de sentir, de sofrer... de sofrer por alguém que brinca comigo... as mensagens são óbvias? ou mais loucuras do destino sobre as minhas imaginações férteis? Quando penso em te esqueçer, tu me surges, poeta, e me risca a pele, sangrada já. Só sei que não sei mais quem sou. Não sei mais o que sinto. Não sei mais o que quero. A questão para ti é. Se queres, diga logo, sem medo, um não para ti mesmo... esse mesmo não, será o meu sim. Diga não para teus medos. Que eu digo sim, para as minhas aventuras infortunas. saiba o que quer, mas não brinque comigo, mais. O pior que eu quero mais... agora... daqui a pouco...nunca.


Quero escrever mais, mas não consigo. Choro já. Que pena... porquê? Para quê? só tu o sabes.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Recado, mais um, aos leitores-seguidores

Caros amigos que me perseguem, embriagadamente, a minha escrita, digo-vos que não pude escrever o episódio final que seria publicado hoje, conforme o combinado. As leituras e programações me impediram de cumprir tamanha missão. Émile Zola me suga por completo. Minhas pesquisas me inebriam de saber. Corro alucinante contra o tempo das atividades acadêmicas. Sofro, sem ar, perdido em feriados e finais de semana insones, como uma Alice, na procura do coelho, num mundo de linguagens cientificistas. Agora, em meu gabinete, na hora do almoço, escrevo, como num memorando, o futuro ofício, das tarefas que vos prometi. Tomem um floral. Reabasteçam-se. Regozijem a ânsia. Locupletem-se de cárcere. Refugiem-se dentro de seus eus-exteriores. Corram. Vivam. E na segunda-feira, sim, na SEGUNDA-FEIRA, publico, emocionado, e emocionantemente, e emocionante, o grande final dessa grande aventura. Aguarda mais um pouco, um pouquinho mais, para que eu te mostre a felicidade... Vou almoçar, o meu mal, agora, é fome, é ânsia. Como diz Lígia Sávio, um beijo no pâncreas...


Isso também...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Expectativa...

Caros amigos, leitores, ainda não escrevi a última e derradeira postagem das aventuras parisienses (e última viagem que fizemos a Europa). Continuem na expectativa, as emoções serão fortes. As perguntas continuam pairando no ar sobre o destino daquelas personagens que se desprenderam em Paris. Polícia francesa em ação, ambulância de salva-vidas, perseguição bem alucinante, digna de um episódio final e com um clímax intenso. Aguarde... creio que na quinta-feira, isso ocorrerá.



E já digo, de antemão, que o segundo jantar(o primeiro jantar deste ano, maravilhosa reunião entre amigos, foi espetacular) será contado aqui, para a felicidade de nossa amiga e aniversariante Ana Márcia. Mais histórias para contar nesses fabulosos destinos.