Hoje fui à Livraria Cultura e pela primeira vez o atendimento não foi TOP. Saudade dos velhos tempos. Acabei por encontrar uma obra de Albert Camus no original. Depois disso tive a ideia de ter a obra também em Português. Procurei nas estantes de literatura estrangeira. Sem achar nenhuma obra do autor, fui até um atendente. Quando o cumprimentei, ele fez pouco caso, levou alguns segundos para olhar para mim e quando o fez, olha com um certo desdém. Olhei de um jeito Alex Valério pra ele e senti o rapaz tremer nas bases. "O que o senhor deseja?", perguntou. "Gostaria de saber onde posso encontrar Camus", falei. Ele ficou a me olhar reticente. E fiquei a encará-lo. "Camus é o quê?", ele perguntou. Ai eu o fuzilei com um olhar. "Um autor?", me perguntou com certa impaciência. Fiquei em silêncio. "Eu não sei. Não conheço!", disse o atendente com certa arrogância(?). Eu, daquele jeito que muitos conhecem, disse um monossilábico "sim". Daí ele digitou no teclado: "K A M I". Neste momento, percebi que a Livraria Cultura estava com problemas, que a cultura não era mais a mesma. C A M U S. O atendente ainda quis me dizer que Albert Camus era um biógrafo e eu tinha que subir a outro setor. Não me maldem, mas o carinha trabalha numa livraria, com o público. Primeiramente tem que ser um profissional que goste de trabalhar no comércio. Claro que todos passamos por estresse na vida. O que é o caso do nada paciencioso atendente. Para se trabalhar numa livraria, com livros, o mínimo é ter uma cultura geral e literária. Ai, professores de Literatura, ai humanos. Pensei que isso só acontecia da Saraiva pra baixo, onde, certa vez, Eça de Queirós era brasileiro e Machado de Assis era personagem de Eça. Coisa boba esse fato até pode ser, mas cada vez mais noto a falta de preparação das pessoas em todos os setores: no banco, no restaurante, no supermercado (exceto o Zaffari). Uma má vontade pra tudo. Má vontade de se formar, má vontade de saber, de conhecer. Excesso de vontade de saber o que é popular e fácil. Nem todos temos de saber quem foi Camus, mas se o atendente pelo menos fosse simpático e humilde e não tentasse me enganar com a história de que Camus era biógrafo me motivam a escrever essa crônica não ensaiada sobre a falta de preparo no mercado de trabalho. E a culpa é do Lula e da Dilma e do Pronatec.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Aujourd'hui, ce était mon premier cours de français . Rêve !
Primeiramente clica nesse link. Trata-se de uma de minha músicas preferidas ligadas à França. Uma vez soando o samba francês, debruça-te no relato. Mas se não gostar, exploda teu computador na parede:
Quando sai de casa, o céu plúmbeo de verão anunciava uma chuva. Como tudo em minha vida, a chuva tem que se fazer presente também. Ela caiu, deu uma breve assustada e morreu. Mas o céu plúmbeo ainda estava lá. Lá estava eu no T7 indo em direção à realização de um sonho de infância: o curso de francês. Antes dessa aula, já viajei 5 vezes a Paris e sempre soube me sair bem com meus amigos franceses. De Pigalle ao café de Flore tudo foi possível. Mas agora não quero somente amizade. Quero amor e troca. Desci na Protásio e subi a Francisco Ferrer, uma rua cujo nome possui aliterações em R que lembram o R glotal da língua que aprenderei. Nessa via, lembrei de minha professora Sueli Barros Cassal. Disse a mim mesmo que seria interessante se eu pudesse vê-la, uma vez que ela sempre me motivou ao estudo da língua francófona. Dois passos depois, Sueli em pessoa surgiu na minha frente. Que encontro auspicioso. Encontramo-nos em frente a um prédio chamado Maison du Soleil. Despedimo-nos e segui meu caminho. Assim que cheguei ao Roche Institute, meus colegas já estavam ali. Que emoção! Duas horas depois, sai dali com o mesmo jubilo de um menino que ganha sua bicicleta de Natal. Ocorreram piadas bem internas durante a aula. Transcrevê-las-ei em francês, mas devidamente contextualizadas. Voilá.
Mme. Milene Torna é uma jovem senhora de sorriso afável e gestos de ímpetos napoleônicos (tudo coisa da língua). Junto a ela está sua sofisticada bengala, o que a torna única entre todos. Sentou-se e disse: "A partir de agora falarei somente em francês". Medo! Eu pensei que ela não seria capaz de tamanha atrocidade linguística contra seus pequenos enfants. Ledo engano. Encorporou Victor Hugo e só parou duas horas depois. Que deleite! O melhor que os cinco alunos pareciam entender tudo. Dentre bonjour, bonsoir, bonne nouit, surgiu algo que direi agora e que foi epifânico para mim. A professora escreveu no quadro as palavras: Madame, monsieur e madamemoiselle. Fiz um simples questionamento sobre a forma como se pronuncia monsieur, pois escutava algumas a falar "mesiê" ao invés de "monsiê". Ela olhou-me obliquamente e soltou um sorriso, soltou, creio, uma poesia de Verlaine que parecia dizer: "Não era para hoje". Ela explicou que Madame quer dizer Ma+dame. Ma em francês é o pronome possessivo "minha", portanto, "minha dama". O mesmo se aplica ao monsieur, "meu senhor". Agora é que são elas. Esses casos é quando há uma dama e um senhor. Qual o plural de minha? Ok, minhas. O plural de "Ma" é "mes". Portanto, se há no recinto mais de uma dama, devemos chamá-las de "Mesdames", que em boa pronuncia é "Medame". O mesmo para o Monsieur. O plural de "Mon" é "Mes", portanto, "Messieurs", que em franca pronuncia fica "mesiê". Certamente minha cara foi a mesma que a de Nino Quincompoix quando descobriu o grande segredo do filme.
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| Cena do filme "O fabuloso destino de Amélie Poulain" |
Depois desatamos, naturalmente, a fazer questionamentos a Mme. Milene. Ela, ao final, disse que estávamos adiantando tudo. Que estávamos vendo conteúdos de nível intermediário. Te mete! Nesses nossos questionamentos descobrimos com ela que não há regras de acentuação no francês. E descobrimos que o acento circunflexo surgiu etimologicamente de um "S", por isso que hôpital escreve-se dessa forma e se pronuncia "ôpitala". Aprendemos sobre os três grupos verbais e suas terminações. Conversamos com a professora em francês. Ela ajudava, orientava, nos deixava bem à vontade. Ensinou-nos frases afirmativas, formas negativas e as três formas de se fazer uma interrogação. Foi tanta coisa em duas horas que parece que foi a vida. O bom que terei aula todos os dias. Aulas do que a gente quer.
O grupo de colegas é bem coeso, participativo, curioso, perspicaz. Glória aleluia!
Houve um momento hilariante e inconsciente. A professora pediu que eu dissesse que eu não era francês. E eu disse: "Je ne suis pas brésilien". Todos riram. Eu não tinha entendido. Ela questinou-me sobressaltada: "Est-ce que vous êtres français". Ali que fui entender o que falei e confirmei: "Je suis français, oui. Désolé". Dai só a professora entendeu que eu não tinha toda a pátria amada banhada em seio de liberdade.
No meio da aula, ela perguntou a ela mesma: "Oú, allons-nous? (Aonde vamos?).
- Paris, disse eu.
A mestre sobressaltou os olhos e disse que agora não era a hora de ir a Paris, mas sim em abril, maio, por causa da primavera. E ficamos a travar papo.
Bom, queridões. Teve mais em nossa aula, mas a noite me chama. A partir daqui não vou narrar aulas, mas sim dar algumas curiosidades do francês.
Bonne nuit, mes amis.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
O que se fez para chegar à casa de chá
Hoje estamos retomando algumas postagens do blog. Voltemos a contar os novos episódios cheios de temas a serem discutidos. Nessa re-estreia vamos conversar sobre um lugar charmoso e simples na aorta de Porto Alegre, o espaço El Té. Os mais chegados a mim perguntariam imediatamente: "Té de quê?" e eu diria que "normal", como disse a sádica comissária de bordo de outrora.
Estava eu no recôndito aconchego de meu lar, em meio aos problemas existencialistas do absurdo contemporâneo. Pausa! Sartre teria uma náusea no meu lugar. Continuando! Como ia contando, estava eu em casa divagando se moraria do lado direito ou esquerdo do Sena, quando liguei para uma personagem já conhecida de vocês aqui do esquifento blog. Blog que ressuscitou antes dos ovos da páscoa e do carnaval. O que isso quer dizer? Estou a ler Eça de Queirós, portanto, minha ironia, que já própria de minhas mitocôndrias, se elevou ao grau colapsante.
Onde estava mesmo? Me perdi nas linhas tortas desta Dinamarca distante. Ou seria Noruega. Enfim. Ah! Lembrei! A Náusea sartreana. Em meio a náusea, liguei para a conhecida Felicia Volkweis, e ela disse que estava indo ao encontro de uma amiga num novo point badalado da cidade: El Té, uma casa de chás.
Para chegar lá é claro que me atrasei. Isso faz parte da minha insubordinada personalidade. O 520 distante nunca vinha e quase fui cozinhado ao bafo como a ostra da praia do Campeche. Ao chegar lá, alguns segundos depois, uma vez que estava a ler a família Maia, encontrei o pote dourado do arco-íris voluptuoso: a casa de chá.
Foi-me oferecido o chá do dia: Toronto té. Todos tomamos menos Diego, que está no Canadá. Aff, piadinha lol.
Clica aqui, curiosidade em pessoa, e te pré-delicie.
Não vou descrever o que o chá mudou em mim, mas sei que o gosto dele grudou na epiderme da alma e de lá só saiu depois do jantar às 22h40.
Endereço da casa de chás:
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Depois disso, aventurei-me para o curso de francês que estou na iminência de iniciar. Quando me dei por mim, me deparei com a DONA do curso, uma francesa que se desatou a falar em francês comigo. Mas isso é história para o post de amanhã, ou do carnaval, ou da páscoa. Feliz Natal.
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