Primeiramente clica nesse link. Trata-se de uma de minha músicas preferidas ligadas à França. Uma vez soando o samba francês, debruça-te no relato. Mas se não gostar, exploda teu computador na parede:
Quando sai de casa, o céu plúmbeo de verão anunciava uma chuva. Como tudo em minha vida, a chuva tem que se fazer presente também. Ela caiu, deu uma breve assustada e morreu. Mas o céu plúmbeo ainda estava lá. Lá estava eu no T7 indo em direção à realização de um sonho de infância: o curso de francês. Antes dessa aula, já viajei 5 vezes a Paris e sempre soube me sair bem com meus amigos franceses. De Pigalle ao café de Flore tudo foi possível. Mas agora não quero somente amizade. Quero amor e troca. Desci na Protásio e subi a Francisco Ferrer, uma rua cujo nome possui aliterações em R que lembram o R glotal da língua que aprenderei. Nessa via, lembrei de minha professora Sueli Barros Cassal. Disse a mim mesmo que seria interessante se eu pudesse vê-la, uma vez que ela sempre me motivou ao estudo da língua francófona. Dois passos depois, Sueli em pessoa surgiu na minha frente. Que encontro auspicioso. Encontramo-nos em frente a um prédio chamado Maison du Soleil. Despedimo-nos e segui meu caminho. Assim que cheguei ao Roche Institute, meus colegas já estavam ali. Que emoção! Duas horas depois, sai dali com o mesmo jubilo de um menino que ganha sua bicicleta de Natal. Ocorreram piadas bem internas durante a aula. Transcrevê-las-ei em francês, mas devidamente contextualizadas. Voilá.
Mme. Milene Torna é uma jovem senhora de sorriso afável e gestos de ímpetos napoleônicos (tudo coisa da língua). Junto a ela está sua sofisticada bengala, o que a torna única entre todos. Sentou-se e disse: "A partir de agora falarei somente em francês". Medo! Eu pensei que ela não seria capaz de tamanha atrocidade linguística contra seus pequenos enfants. Ledo engano. Encorporou Victor Hugo e só parou duas horas depois. Que deleite! O melhor que os cinco alunos pareciam entender tudo. Dentre bonjour, bonsoir, bonne nouit, surgiu algo que direi agora e que foi epifânico para mim. A professora escreveu no quadro as palavras: Madame, monsieur e madamemoiselle. Fiz um simples questionamento sobre a forma como se pronuncia monsieur, pois escutava algumas a falar "mesiê" ao invés de "monsiê". Ela olhou-me obliquamente e soltou um sorriso, soltou, creio, uma poesia de Verlaine que parecia dizer: "Não era para hoje". Ela explicou que Madame quer dizer Ma+dame. Ma em francês é o pronome possessivo "minha", portanto, "minha dama". O mesmo se aplica ao monsieur, "meu senhor". Agora é que são elas. Esses casos é quando há uma dama e um senhor. Qual o plural de minha? Ok, minhas. O plural de "Ma" é "mes". Portanto, se há no recinto mais de uma dama, devemos chamá-las de "Mesdames", que em boa pronuncia é "Medame". O mesmo para o Monsieur. O plural de "Mon" é "Mes", portanto, "Messieurs", que em franca pronuncia fica "mesiê". Certamente minha cara foi a mesma que a de Nino Quincompoix quando descobriu o grande segredo do filme.
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| Cena do filme "O fabuloso destino de Amélie Poulain" |
Depois desatamos, naturalmente, a fazer questionamentos a Mme. Milene. Ela, ao final, disse que estávamos adiantando tudo. Que estávamos vendo conteúdos de nível intermediário. Te mete! Nesses nossos questionamentos descobrimos com ela que não há regras de acentuação no francês. E descobrimos que o acento circunflexo surgiu etimologicamente de um "S", por isso que hôpital escreve-se dessa forma e se pronuncia "ôpitala". Aprendemos sobre os três grupos verbais e suas terminações. Conversamos com a professora em francês. Ela ajudava, orientava, nos deixava bem à vontade. Ensinou-nos frases afirmativas, formas negativas e as três formas de se fazer uma interrogação. Foi tanta coisa em duas horas que parece que foi a vida. O bom que terei aula todos os dias. Aulas do que a gente quer.
O grupo de colegas é bem coeso, participativo, curioso, perspicaz. Glória aleluia!
Houve um momento hilariante e inconsciente. A professora pediu que eu dissesse que eu não era francês. E eu disse: "Je ne suis pas brésilien". Todos riram. Eu não tinha entendido. Ela questinou-me sobressaltada: "Est-ce que vous êtres français". Ali que fui entender o que falei e confirmei: "Je suis français, oui. Désolé". Dai só a professora entendeu que eu não tinha toda a pátria amada banhada em seio de liberdade.
No meio da aula, ela perguntou a ela mesma: "Oú, allons-nous? (Aonde vamos?).
- Paris, disse eu.
A mestre sobressaltou os olhos e disse que agora não era a hora de ir a Paris, mas sim em abril, maio, por causa da primavera. E ficamos a travar papo.
Bom, queridões. Teve mais em nossa aula, mas a noite me chama. A partir daqui não vou narrar aulas, mas sim dar algumas curiosidades do francês.
Bonne nuit, mes amis.

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