segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Felícia, uma grande amiga





Hoje falarei um pouquinho de uma amiga mui cara para mim: Felícia. Fomos colegas de faculdade, mas nunca a vi. Transitávamos pelos mesmos espaços, mas o destino não permitiu que nos cruzássemos. Mas um dia, como numa novela das oito, quando duas personagens devem se encontrar, o enlace ocorreu numa sala clandestina de informática, local onde o grupo seleto de viajantes se encontraria. Naquele dia, de reunião de viagem, assim que pus os olhos nela e a vi dando sua gutural gargalhada, uma gargalhada típica de pessoa de boa criatividade e bom humor, pensei: essa ai vai ser uma bela amizade e uma grande companhia de viagem. Gostaria de estar com ela. Sei que mal sabia o seu nome. Eu dizia para todos que gostaria de fazer amizade com Marcilene, a professora de inglês. Foram várias semanas que a confusão, digna de uma comédia de Plauto, dominava a minha in-consciência. Num segundo encontro, quando pudemos conversar, pensei: com ela eu ATÉ me casaria, de tão legal que era. Num terceiro encontro, andava eu pelos campus da faculdade, quando nos deparamos. Estava eu correndo para finalizar o meu projeto de Estágio Supervisionado (pois queria deixar tudo okay antes de viajar). Lá estava eu, desesperado (como na época da pré-história) tirando Xerox de livros e colando numa folha de ofício). Felícia surgiu e dizia o que eu devia fazer para adiantar o trabalho. O pior que eu ainda não tinha certeza que ela era Felícia, visto que eu ainda achava que se tratava de Marcilene. A peripécia surgiria quando, Lúcia, a professora orientadora, a chamou pelo nome: FELÍCIA. Ali a epifânia se deu. Mal sabia que a moça por quem me simpatizei seria bolsista comigo no COLÉGIO MAYOR GALILEU GALILEI numa das cidades mais lindas da Catalunha, Valência. Sim, viajamos juntos. Rimos juntos. Cansamos juntos. Guiamos juntos. Choramos juntos. Nos grades momentos de minha viagem, que foi sensacional, essa grande pessoa estava comigo. Inteligente, sagaz, sexualmente ativa (às vezes inativa, mas desesperadamente determinada em mudar quando a situação é essa), professora, criativa, engraçada, dramática, impulsiva, ansiosa e ainda por cima sincera, o que confirma todo o perfil. Felícia, essa minha amiga, transita por todas as esferas sociais, não há preconceito nesse espírito: frequenta, desde a banda da Saldanha até a alta pompa do Leopoldina Juvenil; diverte-se com namorados mais seletos da cidade, desde jovens trabalhadores noturnos da José Bonifácio, cabos do exército, a altos cargos do executivo de um banco; seus amigos, os mais incríveis possíveis (o que me parece), pessoas em sintonia com ela, gente do bem. Boa filha, Felícia ampara o pai nos momentos mais separatistas. Trabalhadora, sua agenda está preenchida, de domingo a domingo, até o momento em que o programa do Serginho Groisman começar nas altas horas. Muito conversamos em nossa viagem. Um voo marcante, dos muitos que fizemos juntos (desde a viagens de trem pela Espanha), foi o translado Paris-Lisboa, quando fizemos a troca de fotos por meio de seu laptop. Quando estávamos sobrevoando a histórica Lisboa, para dali voltar a Terra Papagali, uma turbulência, nunca Dante voada por nós, acometeu todos os passageiros. O hospedeiro, que desta vez não era gay, corria na aeronave. Nossas barrigas arrepiavam com aquela descida brusca. Dom Sebastião tinha que voltar para nos salvar daquele apuro. Felícia e eu nos olhamos, e muito diferentemente de Chico Xavier, que berrava na turbulência de um voo da VASP, mantivemos a educação, mesmo na hora de nossa morte, amém. Uma criança chorava desesperada (até chegamos a pensar que era Lindy, mas não, era juma criança mesmo). Depois de estarmos no chão e traumatizados daquele voo maluco, tivemos nove horas e meia para dissertar a respeito das inúmeras manifestações do amor em nossas respectivas vidas. O voo foi rapidíssimo. Como ser entediante um voo transoceânico quando se escuta a história de vida dessa personagem? A cada palavra, mais fã eu ficava.

Diferentemente de pessoas que se conheceram numa viagem que acabam se afastando (experiência vivenciada inúmeras vezes) após intensas emoções, não criando vínculos, trocando apenas histórias e vivências passadas no tempo em que a viagem transcorreu, Felícia e eu (mais Dieniffer) pudemos perceber que as luzes da sintonia e dos grandes planos que uma força maior pode nos proporcionar colocou-nos, como de presente um ao outro, para o fruto de grandes afetos e grandes emoções. Um fato sempre ocorre comigo, pois não sou de selecionar as pessoas – desde que elas estejam sintonizadas em minha vida, mas o pior se ter sintonia com determinadas pessoas e elas te “excluir”, livre-arbitriarmente, de um grande convívio. Mas como tivemos essa lucidez, continuemos essa parceria muito bacana, de duas pessoas que muito compartilham dos mesmos valores e das mesmas filosofias.

Tudo isso, caros leitores, para que vocês, que piedosamente me seguem, que sigam também essa grande personalidade, Felícia, que acabou de criar um blog, um blog que ela disse ter se inspirado neste que abala sua turva existência. Então, seja leitor-seguidor dela também.


http://feliciavolkweis.blogspot.com/


Aqui nós no Mediterraneo...




Felícia em Barcelona degustando uma paella...


Nós, aqui, no Funicular de Montjuïc, Barcelona (SAUDADE)...



Felícia, esperando o grupo B, que chegaria às 14h20min...


Felícia, em Paris, na Étoile...


Nós, em Valência, na Estació Alameda...


Torre Agbar, em Barcelona...


Em busca de Inmaculada Carrasquer...


Poblenou, um parque em Barcelona...


No metrê, em Barcelona...


ADORO-TE, MINHA AMIGAAAAAA.

Um comentário:

  1. Amigo, só o que peço a Dom Sebastião é que nos propicie muitos outros momentos a vivermos juntos, muitas outras risadas guturais e alguns momentos pra chorar porque ninguém é de ferro.

    Obrigada por declarar pública e virtualmente sobre minhas deficiências, necessidades humanas e qualidades nunca antes reveladas!

    Adoro-te forever e se soubesse francês escreveria I LOVE YOU à lenda ALex Valery de Paris!

    P.S.: Aguarde seu post de resposta, queridinho...

    Mil beijos!

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