sexta-feira, 2 de julho de 2010

Os anais da copa - com vuvuzela fálica



Fim, eis o que ocorreu naquela manhã de ceu azul no Soweto. Acordei, depois de uma noite mal dormida, com fantasmas que já me anunciavam um novo fato. Acordei. Acordei no meio do segundo tempo. Ainda bem que não me dignifiquei a colocar um relógio a despertar e ver e sofrer e perder e descontrolar e gritar e tomar um cartão vermelho. Ai, cala a boca, Galvão!

Enfim acabaram as propagandas com jogadores dançando Beyoncé, latinhas de cerveja falante – e como falavam, e do torpedão campeão, que não ganhei. Voltemos nós às notícias de Dilma e Serra, às tragédias do sertão, as vidas secas que agora choram.

Na minha janela passavam as ambulâncias a acudir o povo que morria aqui e acolá. Morriam mudos, sem buzinas, sem vuvulezas fálicas a berrar pelas ruas mortas embebidas pelo luto de uma nação. Como disse Olavo Bilac: “Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste. Criança! não verás nenhum país como este. Olha que ceu! que mar! que rios! que floresta! A natureza, aqui, perpetuamente em festa. É o seio de mãe a transbordar carinhos...”. Que tirem as bandeirolas dos ônibus; as pipas verde e amarela das vilas; pintem por cima dos muros, substituindo as cores do país; voltemos nós àquele patriotismo que tão nos identifica; voltemos nós àquele amor à pátria que simbolizamos somente nos 20 e 30 dias que rolam, como uma jabulani, de quatro em quatro anos. Não a de ficar triste. Têm o campeonato brasileiro, a copa do Brasil, os campeonatos regionais daqui a seis meses! Não se entristeça. Robinho, venha vender seu peixe por aqui! Oh Kaká, ai Kaká, pergunto-te, voltará para a Espanha e encher o bolso e a beleza?; O que achemos nós deste quiproquó? Falando na Espanha, minha Espanha querida e amada, torço por ti. Correm em minhas veias as emoções espanholas. Que venha o touro! Mas se perderes, não ficarei triste... mas pensando bem... olha ali a Flora, a vilã, uma das favoritas (nada contra ela, até a amo; ela, para mim, é um carisma só)... vede como ri e até parece nos dizer: “Criança! não verás nenhum país como este”.

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