A história foi travada no momento em que aquela locomotiva, que não era guiada pela famosa personagem de Émile Zola, Jacques Lantier, rumo a uma Paris distante e desconhecida. Ficamos ali, na Gare Du Nord a espera de um novo trem. Este chegou cerca de cinco minutos depois. Todas as nações foram adentrando ao recinto já preparadas para a novela de que aquele trem não iria mais para o Charles de Gaulle. Mas não, nada foi avisado. As portas se fecharam e seguimos rumo ao nosso destino. Passou-se meia hora quando chegamos a primeira estação, de duas, do aeroporto. Assim que as portas se abriram nos deparamos a dar gargalhadas, pois a Senhora T... e as Senhoritas P... e F... estavam encarangadas de frio e acima de tudo cheias de fé, pois naquele exato instante estavam orando e pedindo um milagre a Notre-Dame de Paris, que tão poderosa é a padroeira que atendeu ao pedido como num fenômeno. A Senhora L... orientou-as que ali ficassem, pois teríamos que levar a Senhorita L..., minha amiguíssima, até o check-in de seu voo.
Assim que chegamos, o jovem Senhor A..., a Senhora L..., a Senhorita L..., o pequeno G... e eu no terminal do Charles de Gaulle, uma dúvida pairou no ar. Para onde deveríamos ir? Então a Senhora L..., na função de orientadora, disse-nos que esperássemos na estação do trem, pois ela levaria a Senhorita L... até a imigração. Abanei para minha amiga, a Senhorita L..., que estava espantada e aflita. Não pudemos nos abraçar. Apenas abanamos e ela se foi.
A história que aqui vou contar, a partir deste ponto, é sobre o prisma da Senhora L... e da versão que a Senhorita L... Conta-se que ambas saíram correndo em busca do voo para Lisboa. Lá chegando, perceberam que a sorte estava acompanhando-as. No check-in, a senhorita L... teve que pagar excesso de bagagem. Porém para isso teve que ir ao outro lado do aeroporto, achar o caixa e efetuar a taxa. Feito isso teve que correr novamente para o outro lado, para enfim chegar ao seu destino, a imigração.
Despediram-se. Quando a senhorita L... entrou na aeronave conheceu um brasileiro e ficaram a conversar... até que se deram conta que iriam para o mesmo hotel, para o mesmo restaurante. O leitor deve estar imaginando o rumo que essa história tomou. Mas não cometa esse terrível engano. O rapaz era de uma das mais ortodoxas igrejas de que não se conhece. Logo, fizeram uma amizade e nada mais.
Mas antes disso tudo, as moças que se perderam em Paris, sem mapa, sem lenço e sem documentos, como já é do conhecimento do leitor, foram achadas com vida. Não morreram de hiportemia; não por menos, pois ficaram mais de uma hora esperando que o grupo voltasse até o primeiro terminal do aeroporto. Lá chegando todos se uniram com a benção da Notre-Dame de Paris. E viva Victor Hugo!
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