sexta-feira, 25 de junho de 2010

As perdidas sem mapa, sem lenço e sem documento em Paris

Certo dia Aristóteles nos deu mais uma peripécia. Desta vez, e mais uma, foi pelo mundo. Foi justamente no dia 13, numa sexta-feira, quando meus amigos e eu estávamos nos despedindo sob a neve parisiense. Saímos todos do apartamento, arrastamos as malas pela Place de la Republique, entramos na estação de metrô cujo nome é o mesmo da praça. Compramos os tickets com destino ao aeroporto Charles de Gaulle, pois tinhamos um voo para Madrid as 17h15min.
Os ponteiros do relógio apontavam 9h da manhã. O leitor que me acompanha deve pensar que estávemos com trauma da última ocorrência do voo Porto-Paris. Ledo engano. Uma de minhas amigas de viagem, a senhorita L..., tinha voo para Lisboa às 12h. Já que iriamos almoçar no aeroporto, já fomos conduzi-la para a aventura rumo ao Rio Tejo. Pegamos o metrô rumo a conexão na Gare do Nord. Lá, após andarmos e andarmos, enfim chegamos a linha do trem que nos levaria para o aeroporto. Ali, leitor, foi quando começou esta nova peripécia aristotélica. Por baixo de um túnel chegava aquele vagão de cor alaranjada, cujo maquinista anunciava que aquele trem iria para o Charles de Gaulle. Entramos todos contentes. Porém anunciou-se que aquele vagão não iria mais para o Charles de Gaulle. Franceses, britânicos, chineses, italianos, angolanos, espanhóis, brasileiros... sairam todos da máquina. Uma vez feito isso o trem se foi. Dois minutos depois chegou uma nova locomotiva, cujo destino era o mesmo. Adentramos ao recinto. Feito isso, uma novo aviso. QUE O TREM NÃO IRIA MAIS PARA O CHARLES DE GAULLE. Saímos todos. Alguns já demostravam estresse, mas eu estava me divertindo e soltando gargalhadas. UM NOVO TREM DESPONTOU NO HORIZONTE. No primeiro vagão dizia: A. CHARLES DE GAULLE. E fomos rumo aos comodos. Para surpresa de todos, aquele trem desistira de ir para o aeroporto. E lá ia a leva de um grupo de brasileiros para fora do trem. Nisso já eram 10h30min. E o voo de minha amiga, a senhorita L...!!! Esta estava apreensiva, não ria, não achava engraçado... mas o nosso grupo de divertia com aquele quiproquo digno de uma comédia de Plauto. Não cheguei a declarar ao leitor que ficávamos uns cinco minutos entre a entrada no vagão e o derradeiro anúncio. Mas numa próxima vez que o trem laranja apareceu no horizonte, que também dizia Charles de Gaulle, estacionou na Gare de Nord. Os passageiros foram adentrando calmamente quando o sinal que anunciava que a porta iria fechar soou. O filho de uma de minhas amigas ficou preso em uma das portas. Ele tentava entrar e não conseguia. A campainha suava mais e mais. As portas estavam fechadas. O trem iria despedir-se levando o guri de 14 anos. E ele tentava, com determinação e cheio de esperança entrar naquele vagão. Com meu auxílio ele conseguiu sair do trem. O maquinista apitou. As portas estavam fechadas e não tinham devorado ninguém. Logo poderia ir para o aeroporto. Detalhe, sem mim, sem o guri, sem a mãe do guri, sem um amigo e sem a senhorita L e em as outras amigas. Mas cadê essas gurias???????????????
Lá estavam elas, perdidas sem mapa, sem lenço e sem documento em Paris numa locomotiva. Olha a cara de assustadas das moças. Deus quisesse que não fosse da Besta Humana de Zola a locomotiva que as levava. Que o maquinista não fosse Jacques Lantier.
O trem se foi e ficamos rindo delas. A francesada ainda dizia: Olha ali os italianos. Tinhamos cara de italianos, claro, nção éramos indios, pois para os franceses, brasileiro é índio. O trem se foi com as meninas mais apavoradas e perdidas num lugar chamado Paris.

Continua... Onde elas foram parar? Será que a senhorita L... conseguiu pegar o seu voo? Não perca no próximo episódio... (Isso até parece chemada de novela mexicana)

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