sexta-feira, 4 de junho de 2010

Voo para Paris

Hoje aqui contarei a aventura ocorrida para que eu chegasse a Paris naquele delicioso inverno europeu. Conto essa história para que servisse de exemplo aqueles que não são adeptos do pensamento positivo. Acredito muito nessa lei metafísica que nos rege sem mesmo saber que somos regidos por esta. Enfim.

Quando estávamos, meus amigos e eu, na pacata cidade de Braga, ao norte de Portugal participando de um congresso internacional, ocorreria um iminente imprevisto. Nosso ticket aéreo, récem comprado pela internet, dizia-nos que embarcaríamos às 12h50min pela Easy Jet. Até o presente momento nada de mais. A questão primorosa era o obstáculo que tinhamos que enfrentar, pois o aeroporto era a uma hora da cidade: em Porto, lugar definitivamente famoso por seu rico e licoroso vinho. Aproveito aqui para fazer um merchandising (estou a ganhar bons trocados por isso).
Compre já no hipermercado mais próximo FERREIRA, vinho do Porto definitivo. Acompanhado dos acabadinhos de sair, os misteriosos PASTÉIS DE BELÉM. Mas como Pastéizinhos de Belém não estão a venda em solo brasileiro, nem em lugar nenhum, a não ser em Lisboa, fique contente com o saboroso FERREIRA. Bom, como meu merchandising era pago para quatro linhas de meu texto, paro por aqui. Continuemos nossa Odisséia.

Não cheguei a citar ao ilustre leitor que me segue, que nós, os amigos, em comunhão havíamos contratado uma empresa para fazer o translado de Braga para Porto. Passamos então a fazer cálculos. O Check-in para este voo era até as 11h50min. Logo teríamos que nos retirmos de Braga o quanto antes, pois eram 10h e o frete que alugamos já estava atrasado. Até que os ponteiros do relógio bateram 10h15min, 10h30min e os animos começaram a ficar exaltados, porque a passagem de voos low cost, de baixo preço, não tinha reembolso. Logo R$300 estavam indo para a lata do lixo. Mas eu não estava muito nervoso; o meu maior nervosismo era a minha não-chegada a Paris, meu maior sonho desde a infância perdida.

O ônibus chegara. Chegara vagarosamente. Nós mesmos fomos colocando nossas malas no local adequado. Em seguida percebemos que não havia lugar para mais malas. Vi-me subindo no autocarro a carregar minha bagagem. Meus parceiros de viagem sucumbiam em ansiedade. O motorista arrancou com o coletivo. Este falava ao telemóvel e dizia não saber o trajeto para o outro sítio. Mas que sítio?, perguntávamos ao pé do ouvido. Até que uns cinco minutos depois o ônibus parou e mais dez pessoas entravam com suas respectivas malas. Mal havia lugares... o que estava acontecendo? Por Nossa Senhora de Fátima! O motorista respondeu que eram vários grupos que iriam para o aeroporto de Sá Carneiro, em Porto. Arregalamos os olhos e o pânico se instalou na locomotiva. O pior estava para vir. Uma t=erceira leva de integrantes no coletivo. Nisso já eram 11h. O tempo estava limitado. Era o nosso fim, como dizia a heroica Maria do Bairro. Mais sítios, mais sítios. Dai descobrimos que o tal sítio era o respectivo a BAIRRO para nós brasileiros. CHEGA DE SÍTIO, CHEGA DE SÍTIO, gritou um dos colegas. Resignei-me a por meus óculos escuros D&G (hehehe) e esperar a poeira baixar, pois tudo daria certo. Ai palavras, ai palavras.

O motorista anunciou depois de três paradas, depois de três sítios. NÃO HAVIA, POIS, MAIS SÍTIOS!!! Uma amiga soltou uma gaitada e disse: ENTÃO VAMOS EMBORA. O motorista respondeu: AINDA NÃO. Ainda não? Mas porquê? Então o homem respondeu: PORQUE NÃO SEI O CAMINHO PARA CHEGAR AO PORTO. A confusão se alastrou no coletivo, eram vozes veladas e vulcanizadas naquele ambiente. E eu só no Dolce & Gabanna vendo a vida passar. Uma mulher gritou, uma daquelas que entrara num dos sítios. O MEU VOO PARA A ITÁLIA. TENHO UM VOO PARA ROMA. É LOW COST. Eu me virei para ela e disse: Calma, não desanime, chagaremos a tempo para o seu voo. Mas o voo dela era as 11h30min. O check-in desta havia se encerrado. Logo perdera a passagem. Calma, dizia eu, calma, tudo vai dar certo. Um fenômeno acontecerá e pegará o seu voo.

Nisso o ônibus já andava. Parara em outro sítio para pagar o homem que sabia o trajeto para Porto. As mulheres cacarejavam como num romance naturalista. Estavam indóceis.

Mal sabia eu que uma nova narrativa aconteceria, uma nova peripécia aristotélica mudaria o destino dessas personagens. Mas essa nova aventura, para que chegássemos a Paris, eu contarei num novo capítulo, que certamente farei num futuro próximo, bem próximo. Ai, paris, onde tu estás? - perguntava-me olhando a paisagem.

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