"Cá estou nesta sala de aula e sinto e vejo e grito por dentro dois sons: o da energia do ventilador e o da minha cabeça que estoura de dor ao ouvir o caminhão da liquigaz. Tudo, como prevê a vida, no mesmo horário, com as mesmas pessoas, com as mesmas ansias, com as dores morais.
Como está azul. Isso é triste e calor. Além de triste é irritante. Lá na rua, no meio de uma tristeza, há uma senhora cansada que carrega as compras do Guarapari. Vejo que o vento, triste, bate em sua blusa branca. Uma menina desce, dolorosamente, a rua com seu iphone a escutar Anita. Preparei-me para mais um latejar de dor. Não eram nuvens no céu. Não estou bem. Preciso do silêncio em mim para que a cabeça pare de sofrer.
Os alunos estão tensos. Tensos como o azul. Por que passei a detestar o azul? Só por causa da dor. Da dor de cabeça.
Um homem de blusa verde sobe a lomba da esperança. Rumo à Aparecida? Rumo a Monte Alegre? Lá está o morro. Lá está ele incólume na subida do morro das vitórias. Sobe tenso sob o sol. Sol que mata. Sol de verão da má saúde.
Não quero mais escrever. A dor bate novamente. Respiro a falta de ar. Queria a liberdade quanto ao número de linhas.
O homem deve ter chegado ao morro. Infeliz, nesse dia de sol, já deve ter percebido que nada adiantou ter lutado tanto. Lutar para sentir dor? Essa mesma dor de cabeça que hoje me mata? No monte que diz ser alegre, sou alegre com esses absurdos contraditórios. Aparece-me a esperança, complacente e sem nexo, a gritar: "Vá ao morro que lá estarei a te esperar!""
Foi isso que saiu na minha experiencia de um dia de má saúde!
Serei perdoado por Virgínia, Clarice, Marcel e James?
Nenhum comentário:
Postar um comentário