quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Pele de Onagro - Honoré de Balzac

Esta é uma das falas de Rafael de Valentin, personagem de Balzac em A Pele de Onagro: “ Dediquei minha vida ao estudo e ao pensamento, mas eles não me alimentaram. Não quero ser ludibriado por uma pregação digna de Swedenborg, nem por seu amuleto oriental, nem pelos seus caridosos esforços que faz para reter-me num mundo onde minha existência é doravante impossível. Vejamos! Quero um jantar regiamente esplêndido, uma bacanal digna do século em que tudo, dizem, se aperfeiçoou! Que meus convivas sejam jovens, espirituosos e sem preconceitos, alegres até a loucura! Que os vinhos se sucedam sempre mais incisivos, espumantes e capazes por nos embriagar por três dias! Que essa noite seja enfeitada de (mulheres) ardentes! Quero que a Orgia do delírio, rugindo, nos leve em seu carro de quatro cavalos para além dos limites do mundo e nos lancem em praias desconhecidas: que as almas subam aos céus ou mergulhem na lama, que se elevem ou se rebaixem, pouco importa! Ordeno a esse poder sinistro que junte todas as alegrias numa só. [...] desejo também antigos cantos eróticos depois de beber, cantos que despertem os mortos, e beijos sem fim cujo clamor percorra Paris como um crepitar de incêndio, despertando os esposos e inspirando-lhes um ardor penetrante que rejuvenesça todos, mesmo os septuagenários”.

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