sábado, 18 de agosto de 2012

PENSA NO NECESSÁRIO, CARO HUMANO. SÊ TU E PARA DE MUDAR DE IDEIA.

Sou mudo. Sou mudança. Por ser mudo, controlo o mundo com minhas palavras. E por controlar o mundo quero mudar.

Tenho passado por inúmeras mutações no decorrer de minha vida e neste ano, tenho observado, e sentido, e como tenho sentido, que 2012 foi e está sendo o ano de maior mutação. Tudo se transformou, a morte bateu à porta, a distância esticou a corda da existência e ao mesmo tempo encurtou outras. A realidade agora é outra e me questiono sobre mim e sobre as pessoas a minha volta.

Desde criança me considerava o que hoje sei como um existencialista. Mal sabia que era um pensador, um filósofo como Sartre (que pretensão a minha). Passei minha jornada com a náusea e não sabia. O pior de tanta filosofia é perceber o quanto as pessoas não se davam e ainda não se dão conta do que fazem.

Quinze anos atrás, os jovens queriam realizar seus sonhos. Hoje também, mas o método é outro. A maioria deles não se preocupa com isso. Apenas sonha e vive (mas vive uma dor semi-anestesiada, uma dor paralisada). Os mais velhos cobram dos jovens. Os jovens, sobremaneira, cobram dos mais velhos. A diferença de gerações sempre será gritante, tanto quanto era em Ilíada, quando Heitor saiu para a grande e derradeira luta contra Aquiles, deixando seu pai perplexo. Perguntamo-nos: o que é o certo?

Sempre busquei uma análise impessoal do ser Humano. Na religião, na Literatura, na Sociedade, na História. Todos estamos em evolução, logo, imperfeitos. Adoramos criticar (e farei daqui a pouco).

Desde criança, continuando, eu era, quiça o único, que assumia com minhas palavras, com minhas combinações. Aprendi, ou nasci assim, que devemos ser leais com nossas palavras, com nossos compromissos. Sempre fui um maluco que questionava o porquê das pessoas mudarem de ideias a cada instante. Se marquei contigo naquela tarde, naquela tarde estarei lá. Se disse que te viria na Europa em 2024, lá estarei, conta com isso. Anormal? Na visão dos outros. E na minha também. Sinto-me um estranho no Brasil, na América Latina, na Europa. Sinto-me um estranho no mundo, cujos habitantes, por não saberem o que desejam (desde uma simples pasta de dente, ou até mesmo por viver um romance). Sou daqueles que entra numa loja sabendo o que comprar. Não sou muito de sofrer com a indecisão se prefiro uma calça ou um sapato adequados. Olhei, me apaixonei e comprei. Certa vez, na Europa, com um grupo de pessoas pouco conhecida, fiquei "fulo da vida" quando tínhamos combinado que ao chegar ao hotel, largaríamos as malas e passearíamos de barco pelo Sena. Assim que chegamos, uma pessoa disse que estava cansada. E as outras 15 (dentre elas eu) tivemos que ir a uma Pizza Hut ali perto. Enlouqueci (de maneira muito controlada). Pensei: "Estou em Paris e vou comer Pizza Hut? Isso eu como em Porto Alegre". Pedi licença e fui ao meu destino. Comi um crepe tipicamente francês, em Notre-Dame, e tomando uma coca-cola sai andando à beira do Sena imaginando uma vida francesa. Sou intenso, muito intenso. E por essa intensidade, sofro. Questiono os relacionamentos humanos tão deteriorados. 

Sou leal às minhas palavras. Elas são a minha força, o meu dom. Fico tão grato quando sou testemunha de um duradouro romance. Acredito, infelizmente, no finito. Tudo acaba, tudo é passageiro. Inclusive nossas ideias.Desejo pessoas decididas, apaixonadas, apaixonantes, intensas. 

Certa vez li num livro de Cury, que, quanto mais pensamos, mais sofremos. O pensar em excesso é uma doença. Devemos acalmar. Parar de pensar, pois o pensar é mudar de ideia (dentre elas coisas simples: como mudar de roupa, ou mudar o que combinamos dias atrás).

Se eu disse que iria a determinado evento, mas depois descubro que nesse evento haverá o expurgo da pseudo-intelectualidade do porto dos casais, mesmo assim, mesmo contra a minha vontade, lá estarei.

Sou leal, digo novamente, leal às minhas palavras. Se digo não, é não. Se digo que amo (não questione se é amor, pois se o disse é porque é). Se digo que estarei, lá estarei.

Desejaria pessoas mais leais às suas palavras. Pessoas mais leais a seus sentimentos. Pessoas mais respeitosas a suas crenças. Pessoas mais leais a elas próprias.

Sou professor. E digo que o sucesso de minhas empreitadas pedagógicas se deu devido ao cumprimento de minhas palavras. Digo que punirei. E puno. Digo que exaltarei. Exalto. Digo que não mais permitirei. Não permitirei. E digo que terão o que merecem. Terão. E digo principalmente que terão um amigo. E terão um amigo. Mais que isso, um companheiro. Um companheiro mudo, com sede de mudança.


                

Nenhum comentário:

Postar um comentário