Saí do púlpito da formatura, aclamado por alunos e pais, dormi, acordei, fui à escola, fui comprar o dinheiro (o euro e a libra estavam caríssimos – pensei ali em desistir da viagem). Cheguei à minha casa às 19h e minha mala nem começou a ser preparada. Cheio de atribulações e pequenas coisinhas que tinha para fazer, acabei esquecendo que havia colocado na mochila o meu voucher. Desesperado fiquei subindo de descendo pelo apartamento para lembrar onde eu tinha colocado o meu documento. Uma vez tudo preparado, chamei um táxi.
Rapidamente cheguei ao aeroporto. Um frio na barriga me dominava, um medo nunca sentindo. Meu Deus, era eu mesmo quem estava indo sozinho para a Europa pela primeira vez? Agora seria o verdadeiro teste para saber se eu era realmente tão capaz quanto as pessoas achavam que eu era? Lá comigo, no aeroporto estavam Cleia Almeida e sua filha Kitty, e minha mamãe, sempre presente. Em meio a risadas, cafés, sucos e amanteigados importados, eu estava deliciado por grandes companhias, e ao mesmo tempo amargurado refletindo se tudo daria certo naquela minha grande experiência de crescimento. Pensei em Lúcia Só e na dezena de pessoas que sempre nos acompanharam nessas viagens intercontinentais: pensei em Tais Cardoso, Felícia Volkweis, Leilane Morsch, Anderson Murlik, Lindy Gonçalves, Cândida Benitez, Francine Spinelli. Como que acordado, decidi passar pelo portão de embarque internacional.
No raio X a policial federal me questionou: “Há bebidas, perfume, desodorante, creme, líquidos?”. Eu disse: “Não, está tudo despachado”. Simpaticamente ela me respondeu: “Moço esperto”. Desejou-me um bom ano novo e uma boa viagem.
No salão de espera chamaram os passageiros que faziam parte das poltronas acima de 17. Eu fazia parte deste grupo. Mas não quis adentrar ao avião. Fiquei esperando, como um viajante calejado, as pessoas entrando desesperadas na aeronave. Telefonei para minha mãe, que estava ansiosa à espera da decolagem, e me despedi mais um pouquinho dela, despedindo de mamãe, pois pela primeira vez passara pela minha cabeça que eu cresceria na viagem, que passaria por experiências novas, das quais não tinha vivido em outras viagens.
Assim que entrei na aeronave percebi que eu não estava no corredor, como sempre viajei. Não gostei da alternativa. Teria de aprender a viajar enlatado.
O voo foi agradável. Jantei, tomei minha taça de vinho, dormi. Ao acordar, ainda faltavam 4 horas de viagem para que chegássemos a Lisboa. Assisti, então, a dois episódio de Glee (com legendas do português de Portugal – interessante as personagens falarem rapariga, vossa, miúda). Faltando uma hora para a aterragem, o pequeno-almoço foi servido. Foi neste momento em que fiz amiz
ade com o rapaz que estava sentado a meu lado: Felipe. Conversamos sobre nossas finalidades para ir a Europa. Ele estava indo fazer o Doutorado em Antropologia em Paris (ahhhhhhhhhhhhhh), onde moraria com sua esposa, que fazia o mesmo por lá. Paris, com bolsa de estudo, e ainda morando com a esposa... muito bom!
ade com o rapaz que estava sentado a meu lado: Felipe. Conversamos sobre nossas finalidades para ir a Europa. Ele estava indo fazer o Doutorado em Antropologia em Paris (ahhhhhhhhhhhhhh), onde moraria com sua esposa, que fazia o mesmo por lá. Paris, com bolsa de estudo, e ainda morando com a esposa... muito bom!Cheguei em Lisboa! Pela 4ª vez piso em terras portuguesas. O friozinho que senti ao sair da aeronave não teve preço assim que pensei quando estava nos 40º brasileiros. Peguei o ônibus, que levou eu e mais um série de passageiros até o desembarque e imigração.
Fui para a conexão! Meu voo para Paris era às 14h50min. Acessei a internet numa farmácia. Quando vi, a meu lado estavam dois gaúchos, Felipe e outro rapaz que estava indo passar o réveillon em Paris em casa de um amigo. Os dois perderam o voo das 12h30min e foram realocados no voo das 14h50min.
Dentro da próxima aeronave, sentei-me ao lado de um homem tipicamente europeu, que passou a viagem inteira lendo um livro do tamanho de Crime e Castigo. Do meu outro lado estava uma mulher nascida na República Dominicana, que mora no norte da França há mais de 20 anos e estava de turismo em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento. Fizemos uma amizade bem interessante. O nome dela é Yris. Ela tinha que estar na Gare de l’est às 21h50min para pegar o trem e ir para casa. E eu as 21h15 no Charles de Gaulle para pegar outro voo para Londres. Cheios de fé, eu em Português, ela em Castelhano, enviávamos energias para o
universo para que conseguíssemos chegar a tempo. O voo atrasou 15 minutos e a entrega das bagagens mais vinte. Eram 19h30min quando pegamos nossas malas e seguimos rumo ao RER. Acenei para os amigos de voo e fomos embora Yris e eu. Para pegar o trem eu não podia pagar em dinheiro. Nosso tempo era limitadíssimo e não podíamos esperar. Ela sacou o cartão de crédito dela e comprou a passagem Orly-Charles de Gaulle. Dei a nota de 20 euros para ela e corremos ao trem. Lá estava eu vivendo uma aventura em Paris, de novo. Embarcamos no trem e a coisa estava muito rápida, porém, como sempre há um porém, algo iria nos prejudicar imensamente...
Na estação Gare du Nord um homem desiludido com o amor, desiludido com a falta de dinheiro e desiludido com a falta de amigos, jogou-se nos trilhos.
Os trens pararam. Yris e eu não sabíamos dessa notícia, pois o trem ficou parado em duas estações por dez minutos. Ficamos a nos questionar o que deveríamos fazer. Ficamos por uma hora dentro do vagão sem ao menos chegar próximo do centro de Paris, quiça no aeroporto Charles de Gaulle.
O que fazer, Meu Deus? Ser ou não ser? Eu deveria tomar uma decisão. Quando chegamos a Denfer descemos. Quando colocamos os pés fora do vagão foi anunciado: AGORA A LINHA ESTAVA NORMALIZADA E ESTAMOS NOS DIRIGINDO AO AEROPORTO CHARLES DE GAULLE. As portas da locomotiva se fecharam e o trem partiu.
A continuação dessa história, para não perder o costume perdido, continuarei contando em outro momento. Au revoir, les enfants!
Dentro da próxima aeronave, sentei-me ao lado de um homem tipicamente europeu, que passou a viagem inteira lendo um livro do tamanho de Crime e Castigo. Do meu outro lado estava uma mulher nascida na República Dominicana, que mora no norte da França há mais de 20 anos e estava de turismo em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento. Fizemos uma amizade bem interessante. O nome dela é Yris. Ela tinha que estar na Gare de l’est às 21h50min para pegar o trem e ir para casa. E eu as 21h15 no Charles de Gaulle para pegar outro voo para Londres. Cheios de fé, eu em Português, ela em Castelhano, enviávamos energias para o
universo para que conseguíssemos chegar a tempo. O voo atrasou 15 minutos e a entrega das bagagens mais vinte. Eram 19h30min quando pegamos nossas malas e seguimos rumo ao RER. Acenei para os amigos de voo e fomos embora Yris e eu. Para pegar o trem eu não podia pagar em dinheiro. Nosso tempo era limitadíssimo e não podíamos esperar. Ela sacou o cartão de crédito dela e comprou a passagem Orly-Charles de Gaulle. Dei a nota de 20 euros para ela e corremos ao trem. Lá estava eu vivendo uma aventura em Paris, de novo. Embarcamos no trem e a coisa estava muito rápida, porém, como sempre há um porém, algo iria nos prejudicar imensamente...Na estação Gare du Nord um homem desiludido com o amor, desiludido com a falta de dinheiro e desiludido com a falta de amigos, jogou-se nos trilhos.
Os trens pararam. Yris e eu não sabíamos dessa notícia, pois o trem ficou parado em duas estações por dez minutos. Ficamos a nos questionar o que deveríamos fazer. Ficamos por uma hora dentro do vagão sem ao menos chegar próximo do centro de Paris, quiça no aeroporto Charles de Gaulle.
O que fazer, Meu Deus? Ser ou não ser? Eu deveria tomar uma decisão. Quando chegamos a Denfer descemos. Quando colocamos os pés fora do vagão foi anunciado: AGORA A LINHA ESTAVA NORMALIZADA E ESTAMOS NOS DIRIGINDO AO AEROPORTO CHARLES DE GAULLE. As portas da locomotiva se fecharam e o trem partiu.
A continuação dessa história, para não perder o costume perdido, continuarei contando em outro momento. Au revoir, les enfants!
Finalmente estamos a nos deliciar com teus escritos. Bem-vindo à ativa. Bjos.
ResponderExcluirAaaai! Socorro, amigooo!
ResponderExcluirToda essa tortura do suspense Alexvaleriano me maaaata! Te imploro por um post diário com as novas peripécias!!
Como é bom te ler novamente, e ainda mais na Europa como quando nos conhecemos!
Meu Senhor! Nem sei que palavras usar pra expressar minha felicidade e ansiedade diante dessa narrativa!
Aguardo muito mais!!!
Bjos gigantes!!