segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CHUVA VERMELHA

Depois da minha saída do trem, Yris e eu subimos e descemos as escadas do metro de Paris. Mais do que a jato, como de praxe, os vagões assumiam sua postura ferroviária. Em 15 minutos desci na Gare de l’este. Caia uma chuva. Fiquei com medo de que Yris não fosse me ajudar a pegar um taxi, fiquei com medo do meu francês, fiquei com medo de não chegar a Londres (estando em Paris).



Com as malas em punho e sendo puxadas, na chuva borbulhante de Badoit Rouge (intensément Pétillanne), ajoelhavamos por um taxi. Todos com passageiros. Como em Amelie Poulain, olhei para o relógio da estação de trem, a hora estava chegando. Avistei uma frota de taxi e uma força súbita, no meio daquela chuva luxureante, me vi correndo até a frota. Yris gritava: Au revoir, bom Voyage mon ami. Olhei para trás e pude vê-la me abanando com seu gorro na mão. Ainda pude dizem um Enchanté para ela, quando me vi com um senhor tipicamente francês, vestindo sua boina. Bonsoir! Com o meu francês pedi para irmos ao Charles de Gaulle, terminal 2B. Comuniquei-o que o horário máximo de meu enregistrement era as 21h15. No relógio do Mercedes: 20h55. O homem foi conversando comigo e na medida de minhas emoções pude estabelecer contato.


Paris chorava torrencialmente pela minha tentativa de fuga, por não tê-la escolhido. Mas eu digo para ti, Paris, eu te escolhi. Não te sintas abandonada. Não me castigue, sei como és dura comigo quando resolves me castigar (isso muito me lembra a cena de minha chegada em minha segunda vez contigo, minha Paris, quando tive que correr atrás de hotel, dois hotéis com o mesmo nome e tu, cidade iluminada, decretou-me: como ousas me seduzir por apenas dois dias? Por dois dias, sinto-me ultrajada).



Na autoestrada o trafego parou, e o relógio continuava dando sua sentença financeira e a cidade ficando para traz, numa nuvem submersa em ódio regozijava: EU TE CONDENO, EU TE CONDENO! Dois carros colidiram na via. O trânsito parou. O homem do volante me dizia que conseguiríamos. Ao passamos, devido a morte de uma pomba (a colisão dos carros), o meu automóvel deslizou a 120 km/h. Os ponteiros apontavam as badaladas da morte: 21h30min, quando desembarquei e pague 43 euros ao bom guia. Desejamos um feliz ano novo. Peguei minhas valises e corri. O check-in da Easyjet havia encerrado. Volitei ao serviço de informações. Ainda com o francês superlimitado consegui pedir ajuda. O rapaz correu junto comigo até a imigração e no final disse: Bon chance! Passei pela imigração. Quando cheguei no raio X, o homem sorriu e me fez as perguntas frequentes. EU HAVIA CONSEGUIDO! PARIS NÃO ME CASTIGOU! Quando duas malas passaram a ser vistoriadas, uma mulher grita: NE! Vidrei o olhar nela depois daquele NÃO.



— Tu não viajarás — ela me disse em francês — O horário do check-in terminou e você tem duas malas que não cabem em nossos compartimentos.


continua...

2 comentários:

  1. Duas malas que não cabem no compartimento da aeronave, amigo?? Não te reconheço mais!!! Cadê o viajante experiente que me recomendou até qantas calcinhas eu deveria levar à minha última viagem europeia???

    Aguardo o desenrolar da história...

    Bjos!!

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    1. Oh, querida Felícia! Não sejas boba! Não prestate atenção na linha em que eu disse que não fiz check-in? Logo a babagem que eu despacharia e a de mão estavam comigo. Tragédias do destino! o restante saberás na próxima publicação! au revoir, les enfants

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