Por Gugu Liberato! Os pintinhos foram procurando e averiguando por todos os lugares daquele saguão onde o passaporte estaria após as 16h daquela mesma data. Uma investigação minuciosa se deu, mas nada fora encontrado. Isso poderia ser apenas um caso para o nosso C.I.S – investigação criminal. Então, senhor leitor, que não tem mais fé na minha narração, por isso creio que tomas agora um café para não dormir, devido a tamanha encheção de lingüiça.
Que assim seja. Pelas forças da fada Bela e pela pergunta do senhor que questiona na beira da praia: “ Cadê o chinelo?”, um fenômeno espiritual, provindos da novela Escrito nas Estrelas, o passaporte fora encontrado ainda com vida dentro da bolsa da moça. ACHEI! Era o grito de independência dado às beiras da Bahia da Guanabara. Que cheiro bom, onde estará meu Dolce & Gabanna?
Após tremores intensos, lágrimas de desequilíbrio emocional e um viva, as doze mulheres e um membro masculino foram adentrando a ave-pássara. Logo que iria adentrar na nave do Xuxa Park, fui abordado pelo comissário de bordo, Pedro, que me disse que eu deveria entrar pelo primeiro corredor. Quando cheguei ao meu lugar, na terrível classe econômica, percebei que estava no corredor, que bom, isso não era surpresa, pois pedira isso a moça do check-in. O que foi surpreso para mim foi a presença de duas meninas e a mãe destas. As três num só impulso usurparam o meu lugar. Abordei a mais velha, a mãe, é claro, e perguntei onde era o 17E. Então a portuguesa de deu conta que, sem querer, havia se enganado. Ao olhar no horizonte, que era logo na fileira de trás, constatei que ali estavam minhas companheiras. Troquei de lugar com as portuguesas e fui para o outro lado, mais próximos de minhas companheiras transoceânicas. Ali estavam Cléia, minha companheira de Theatro São Pedro; Felícia, AMIGAAAAAAA; e a senhora T..., a mesma que fora levada pelo trem de Paris na estação Gare du Nord e desprendida do grupo sem mapa, sem lenço e sem documento. Ali estávamos mais uma vez. Que satisfação!!! Algumas fileiras a minha frente estavam minhas amigas do peito, ambas cândidas e lindíssimas e ambas na sua primeira viagem à Europa.
“Atenção senhores passageiros. Dentro de instantes estaremos descolando nosso voo com destino a Lisboa. Nossa viagem durará cerca de nove horas e meia. E faremos o possível para que o voo seja o mais perfeito possível”.
Nisso começou a programação de todo voo. Antes da descolagem, os comissários de bordo, OS HOSPEDEIROS, ficam instruindo os passageiros como deveriam se comportar em momentos de tensão. No voo TAP PORTUGAL essa ideia semiótica mudou, pois não conduzem a nada. Quem faz isso é o vídeo que passava em cada uma das televisões, que cada um dos passageiros tem disponível na poltrona da frente.
Uma vez rolados e descolados, a viagem seguia seu curso. Inicialmente me vi num conflito com a tal televisão. A minha não ligava. Tive que pedir ajuda às portuguesinhas de Fátima, as meninas que sentavam ao meu lado. Eram tão educadas. Não choravam, nem gritavam. Eram discretas, como toda criança deveria ser: MUDA. Ironias a parte, elas me indicaram o botão a que eu deveria recorrer para chegar a meu fabuloso destino. Como o conflito das gerações é sangrento. Os jovens de hoje sabem tanto, penso eu, o sexagenário do voo 178 TAP PORTUGAL. Uma vez a televisão ligada, comecei a surfar nos canais de filmes: havia uma comédia romântica bem gay, SEX and the CITY; no outro canal um filme de aventura; noutro um filme brasileiro bem pobre, podremente mostrando a pobreza do povo, aff (aliterações em p me chamam muito a atenção); um infantil, dublado, em português de Portugal, onde cachorros e gatos falavam mais corretamente a língua do que eu (hilário o filme); e ainda havia outros; mas cansei de contar palavras.
Havia várias estações de rádio. Para todos os gostos e estilos. Sintonizei-me melhor com a POP, que segundo o locutor português dizia: “ Eis a tabela de sucessos da TAP PORTUGAL. Tu estás a ouvir TAP PORTUGAL”. E disso começa a tocar Lady Gaga, Alejandro (Fernando, Roberto...). Meus pés já dançavam depois disso. Em seguida Katy Perry, Eminen feat. Rihanna. E assim vai. A música tem o poder de te levar para o mesmo lugar em que tu a escutaste numa viagem, por exemplo. Ano passado, quando estava em Lisboa, andando pelas ruas centrais, escutava num MP3 Hot Could, de Katy Perry. Toda vez que escuto essa música, me lembro dos passos que dava na praça do comércio. E agora, uma vez de volta a terra do nunca, digo-te, que todas as músicas que escutei no voo TAP PORTUGAL estão sendo tocadas em todas as rádios e quando as escuto, eu acabo me transportando para a viagem aérea.
Dei uma cochiladinha de leve. Não consigo dormir em aviões quando estou me dirigindo a meu destino; somente na volta, durmo e durmo, e quando acordo me atraco com o comissário, com o HOSPEDEIRO. (Cabe traduzir o intraduzível, que HOSPEDEIRO em Portugal é o comissário de bordo). Mas essa é uma história, uma das últimas, que relatarei desta viagem. Que bela prolepse! Que bela catáfora! Que bela sincope!
Após ter sido comido, ou melhor jantado, outras sete horas de viagem se alongaram. Mas digo que passou mui rápido. Mui rápido que pude ver minha amiga, a mais cândida de todas, a que estava ao lado da outra lindíssima, ir escovar os dentes duas vezes. Quando dava por mim, lá estava ela com o creme e a escova na mão rumo ao banheiro de avião.
Uma aventura se deu quando eu e a senhora T..., mas que satisfação, decidimos dar uma circuladinha nas pernas. Fomos ao encontro da professora e de duas colegas, a Selma e a Velma, dos Simpsons, pois formaram uma dupla de fumantes ativas na viagem. Elas dormiam, sonhando que tragavam um charuto cubano, quando foram acordadas por mim e pela senhora T... pois estávamos fazendo uma pesquisa de clima. Perguntamos se o VOO TAO PORTUGAL estava satisfatório para elas. Ainda sonolentas, com a sintonia em ritmo, responderam, demonstrando o máximo que a simpatia deveria demonstrar: “Eu pensei que já tínhamos chegado”, disse Selma. Eis a historieta que contarei. Agora não lembro-me dos fatos, desculpa-me a subjetividade, mas conterei a história crua. Sei que alguém acabou nos pedindo água, não me lembro quem. Prestativos, a senhora T... e eu fomos correndo até o fundo do avião para pedir dois copos de água. No trajeto nos deparamos com uma criatura que dormia toda coberta com a mantinha patrocinada por TAP PORTUGAL. Olhamos-nos e rimos. A aventura até o fundo do avião era muita. Mas cerca de um minuto depois chegamos até a hospedeira. Ela, com cara de poucos amigos, disse-nos que deveríamos sentar. A senhora T... pediu dois copos de água. A hospedeira os pegou e nos passou. Quando a mulher deu os copos à senhora T... uma terrível turbulência se iniciou e os começamos a dançar o rebolation, mas um rebolation TAP PORTUGAL, com copos TAP PORTUGAL, e águas TAP PORTUGAL, e uma turbulência TAP PORTUGAL. Olhei para uma televisão e ali mostrava a posição do avião em sua rota: tragédia, o avião estava bem no arquipélago de São Pedro e São Paulo. Mas levei na brincadeira, como tudo faço na vida, com a relação ao voo da Air France. Levei na brincadeira, pois estava me divertindo com aquela turbulência e de ver a senhora T... rebolando com dois copos de água na mão durante uma turbulência.
Ela me pedia ajuda. Mas eu não era nem louco de ajudá-la. Imaginei-me derrubando a água na criatura da manta TAP PORTUGAL. Nãaaaaaaao. Fiz-me de louco e fui no ritmo do Parangolé.
A água chegara ao destino sem que uma gota fosse desperdiçada pelas turbulências da vida.
Mais horas se passaram e o avião passava pela ilha de Lanzarote. Que saudade de ti, Saramago!
Outras horas depois o televisor indicava que estávamos próximos de Lisboa.
Era um inicio de manhã naquele continente idoso, um idoso que sorria com seu nascer do sol, início da vida naquele lado oriental do ocidente. Era o nascer da nossa viagem aquele favônio, o nascer da nossa vida, uma nova fase de descobertas. Aquele sol que se anunciava era o símbolo de todas as faces de um renascimento, renascimento daqueles viajantes que teriam epifânias, alomorfias, distrofias, momentos de fortes emoções, lágrimas, paixões, escândalos e, é claro, satisfações. Voltariam para casa sem acreditar no sonho, no sonho-felicidade, anestesiados dos momentos que viveriam.
O avião aterra.
Andamos de autocarro até a imigração.
Lá, as mesmas perguntas rotineiras, e um carimbo fraco, que mal se vê no passaporte.
Por ter sido o primeiro a passar pela imigração, fiquei esperando minhas amigas de aventuras lisboetas. Estas amigas seriam algumas, pois em duas horas um voo levaria três companheiras separadamente para Barcelona. A senhora T... e Felícia ficaram fazendo companhia uma a outra no aeroporto; outra companheira de viagem, a senhorita F..., recebeu uma amiga que morava na terrinha; outras três foram para Barcelona; e o resto correu para desbravar Lisboa. Tínhamos cinco horas. Corremos.
Quero salientar ao leitor esquecido a frase que minha mamãe-profética dissera em Porto Alegre, naquela cidade meridional do mundo terceiro: NÃO SAIAM DO AEROPORTO, PODEM PERDER O VOO”
Naquela corrida, ainda no aeroporto de Lisboa, que era mais aeroporto, procuramos o serviço de informações. Queria comprar o cartão VIVA!, para podermos passear nos autocarros, metros, eléctricos. O puto, como dizem em boa variação diatópica, explicou-nos que existia o cartão para um dia. Naquele cartão poderíamos utilizar em todos os transportes, excepto em metros. Tudo isso por € 3,50. Caímos de boca. Pegamos o primeiro aerobus.
Fomos passeando pelos pontos turísticos. Trafeguei novamente, de aerobus, na avenida da Liberdade, ponto lisboeta em que me perdi da outra vez em que ali estive. Naquele incidente, cigarros similares me foram indicados, indicados pelos traficantes dignos da da novela Passione. (Falando nisso, cadê o Danilo?, fecha parênteses). Descemos em frente ao Teatro Maria I. Subimos até o Castelo de São Jorge. Para chegar lá, subimos o bairro inteiro de bondinho. Adentramos no castelo. Estar ali novamente era a concretização da minha primeira viagem. Agora sim eu acredito em meus sonhos: um dia eu tinha passeado na Europa. Pois, quem vai a Europa uma vez, volta aqui para baixo e não acredita que lá esteve. Agora, que fui pela segunda vez, acredito e se acredito, não sofro. Depois do castelo de São Jorge, andando no bondinho da carreira 28, levei minhas companheiras de jornada até o monumento de Fernando Pessoa, na praça Camões. Depois fomos descendo uma rua, de cujo nome não lembro, mas lá estava Eça de Queirós abraçado a uma mulher nua. Bárbaro, nada como Eça de Queirós. Um escândalo na sociedade portuguesa. Nessa mesma rua, uma das integrantes quase morrera atropelada por um autocarro, que descia a rua uma velocidade que parecia de um filme com Keanu Reeves como o tira-herói. Mas todos foram salvos. Dirigimo-nos até a praça do comércio. Lá, depois de uma seção de fotos para a Moda Brasil (da novela TITITI), pegamos um bondinho moderno rumo à torre de Belém. Lá, como se fosse o parque da Redenção ou o Parcão aos domingos, estava apinhado de gente o lugar. Ficamos a caminhar pela beira do rio Tejo, observando o corcovado, a ponte 25 de abril, o padrão dos descobrimentos. Tudo um dejavu. Discorda-se de dejavu quando se refere a clima. Da outra vez, inverno; agora, forno. Que vontade eu tive de adentrar ao chafariz que fica em frente aos Mosteiros do Jerónimo, onde fica o túmulo de Luis de Camões, Vasco da Gama, Fernando Pessoa. Ao lado, na esquina, estava o glorioso, o fenomenal, o misterioso pasteizinho de Belém. Eu estava com fome, mas com aquele calor, que arrebatava a Lisboa nunca Dante caminhada naquela temperatura, fazia com que eu não tivesse a paciência divina para encarar uma fila de turistas que queriam a fórmula secreta do acepipe. Exaustos, de termos feito chover no nordeste, pegamos o primeiro autocarro em direção ao Cais Sodré. Ali embarcamos no autobus com destino ao aeroporto. Como eu queria ter conhecido o Parque das Nações! Mas deixa para a próxima.
Chegamos ao aeroporto de Lisboa e ficamos esperando por duas horas, até que o VOO TAP PORTUGAL nos levasse até o terceiro estouro da pipoca, Barcelona, onde esquentaríamos a panela para o quarto e derradeiro estouro, Valência, o destino de nosso congresso. Mal sabiam os aventureiros o que Valência preparava além do arroz, das laranjas e da paella original.
O VOO TAP Portugal descolou e deixou Lisboa lá em baixo, e eu lá em cima com uma alergia ao calor. Meus olhos choravam de tanto calor. Mal sabia eu, mas era a conjuntivite em ação. O voo durou uma hora e algumas pequenas frações de hora quando chegamos a Barcelona. Agora era aguardar mais um pouco, o voo da Ryanair, voo que daria para a história aos aventureiros os momentos mais intrigantes e misteriosos da viagem.
Mas isso se dará brevemente, creio que na semana que vem, quando contarei a vós, que me perseguem, a história do turbulento e sexual voo da Ryanair. Plauto daria muitas risadas com os quiproquós.
Povo Brasileiro!! Melhor do que ler os ricos texto do meu querido amigo Alex, foi ter vivido tudo isso de verdade!!
ResponderExcluirPicos de riso:
Os pintinhos do Gugu!
Crianças devem ser MUDAS!
O rebolation e depoois...
Selma e Velma, as fumantes (queridas demais)!
Um quase atropelamento em Lisboa (essa eu não sabia!!)
HAHAHAHAHA
Mellll Dellls!! O zelador tocando meu interfone mais uma vez pra ver se estou passando bem...
Povo Brasileiro!! Melhor do que ler os contos do meu querido amigo Alex, foi de fato viver tudo isso!!
ResponderExcluirPicos de Riso:
Pintinhos do gugu,
Crianças mudas,
Selma e Velma,
Tap Rebolation,
Um quase atropelamento que não foi divulgado!
HAHAHAHAHA!!!
E o meu zelador mais uma vez batendo na minha porta pra ver se estou passando bem!! ai, ai...