domingo, 3 de novembro de 2013

O QUE NÃO SE VIVE NÃO MERECE TÍTULO

Amedrontado. Medroso. Ansioso. Ressabiado. Apaixonado. Tais predicativos, relacionados ao amor, ou à paixão, jamais tinham invadido minha alma de forma tão repetida. Pensamentos afogados, olhares destemidos, passos em falso se tornaram constantes na minha inliberta existência. Busco tirar essa ânsia de mim, mas esse tema deixo em branco na primeira tentativa. Busco não te ver na esquina, na curva, na minha imaginação. O celular vibra quando apareces. O tom da existência parece pulsar e nisso me sinto morto, impotente, sem coragem de jogar-me no poço. Meu eu-sofredor não permite. Meu eu-eu-mesmo, com baixa autoestima, diz as mesmas palavras que tu, mas tu também estás com amedrontamentos, com medos, com ansiedades, com ressabiações, com paixões. Não sei se a palavra ressabiações existe. E do mesmo modo como não sei dizer se existe, creio que eu não exista para fazer-te viver. Tens tu sede disso. A água que procuras te deixas com ressabiações desconhecidas. Quanto à nossa entrega, o tempo, como sempre ele, encarregar-se-á de fazê-la. A mesma água que corre nos rios da morte, será aquela que beberás com volúpia ardente e remorso vão no dia derradeiro (ou seria o da estreia?). Tudo o que desejo é partir e não te ver mais, não saber mais de tua vida, de tua existência. Se eu não souber sobre ti, estarei, egoisticamente, protegendo minha alma de um gozo clandestino. Quero ser mais claro, mais iluminado, mais dono de mim mesmo, mas a clandestinidade me assombra a mente e o desejo do grito cada vez mais me devora. O grito não é clandestino. O grito é a verdade. O grito é o que intimamente desejamos e não podemos fugir disso tão cedo. O dia em que gritarmos, gozaremos no entardecer e nossa morte será rápida. O sol, a gemer conosco, sorrirá para um novo amanhecer cujas dúvidas já povoam nosso pequeno rio de sonhos. Quando o sol sumir e a noite povoar nossa alma, não seremos mais o sonho. Será que estamos prontos para viver além-sonho? Reprimidos, trocamos olhares infrutíferos, sorrisos discretos, palavras ambíguas, toques frios. O sonho para nós, a cada dia, é a morte de um pedacinho de vida que ainda restava nessa escuridão alva de fracos fogos e quentes friezas da indiferença chamada amor.

2 comentários:

  1. Cá estou na companhia da insônia que tem me atormentado diariamente - ou noturnamente - quando encontro teu texto na tentativa, na verdade, de encontrar qualquer alento.
    Tuas palavras são também minhas. Teus sentimentos são também meus. Também busco tirar essa ânsia de mim. Também tenho falhado a cada nova tentativa, da qual agora desisto.
    Ter aqui uma leitora que compartilha disso pode ser consolo. Ou não. Creio mesmo que não busque consolo, de fato. Assim como eu também não. o tempo, como sempre ele, encarregar-se-á de resolver.

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  2. Respondi a essas lindas palavras de sintonia em nova postagem! Viva!

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