Era nove e quarenta da manhã quando minhas duas amigas e eu desembarcamos em Barcelona, mais precisamente na estação Barcelona-Sants. Fomos pedir ajuda no balcão de informações para saber como chegaríamos a nosso hotel, visto que não conseguíamos achar no mapa que possuíamos, nem mesmo no Google Map, a rua onde ficava o hotel onde nos hospedaríamos. Ali, nas informações, ao sermos atendidos com muita simpatia, fomos informados que nosso hotel não era em Barcelona, mas sim numa cidade metropolitana chamada Saint Joan Despi – o que poderíamos mencionar a distância proporcional entre Porto Alegre e Esteio. Que maravilha ir com uma empresa conhecida e confiável!
Pegamos a linha 157 algumas quadras depois de Barcelona-Sants. Leitor-seguidor, observe na entrelinha que a linha 157 fica próximo da estação de trem. Isso será útil para futuros esclarecimentos no segundo episódio das aventuras barcelonescas.
No final da linha, às 11 horas da manhã, fomos recepcionados no hotel. Deixamos nossas malas em nossos respectivos quartos e voltamos para Barcelona. Descobrimos um eléctrico que nos deixa em Barcelona-Sants, para onde voltamos, para receber as meninas que chegariam as 13 horas.
Antes disso, almoçamos num badaladíssimo restaurante, o Mc Donalds. Uma vez locupletados, percebemos, alguns passos afora do fastfood, que havia guarda-valise no terminal. Então tive a ideia de, ao invés das meninas, que já estavam em trânsito, irem a Saint Joan Despi somente para guardar as malas... Do resto, o leitor-inteligente pode chegar a conclusões sábias.
Atrasado, o Renfe chegou por volta das 13h30min. Escrevemos Família Tobias num papel e esperamos as belas brasileiras. Assim que elas nos viram com aquela placa familiar, puseram-se todas a rirem e abraçarem os parentes saudosos. Depois disso, guardamos suas leves malas e partimos para a terra de Gaudí.
Pegamos a linha 5 do metro. Salve-se quem puder numa estação de metro durante o verão. Cinco paradas depois descíamos na estação Sagrada Família. Era somente seguir as setas turísticas, subir as escadas, ver (no meu caso e do grupo) pela primeira vez como era Barcelona, andar alguns passos à esquerda e ficar boquiaberto com a suntuosidade do monumento. A quantidade de pessoas era absurda. Filas homéricas que pareciam uma corrente oracional pela fé que girava o quarteirão. Conseguimos entrada GRUPO e adentramos, primeiramente, no museo de la sagrada família, que fica no subsolo da basílica. Ali encontramos toda a suntuosidade da arquitetura do catalão Antoní Gaudí, além de observar todos os projetos que idealizaram o intento onde estávamos conhecendo. Sabe-se que uma Igreja é um local para recolhimento e conversas (por vezes decoradas em orações) com Deus. Mas como a casa do Pai estava, e parece que sempre esteve em obras, e creio que continuará estando, o último lugar para o recolhimento e conversas com o criador é a Sagrada Família, pois os sons furibundos que as máquinas oferecem e a presença acalorada dos curiosos turistas ampliam aos fieis sagrados a impropriedade da composição de uma Ave-Maria, por exemplo. Paz!, pedem os acreditados.
A fila para subir as colunas da basílica era imensa. Duraria cerca de quarenta e cinco minutos para conseguirmos acessar uma das torres. Ficaria para uma próxima vez.
Embarcamos na mesma linha de metro e nos dirigimos em direção a Cornellà Center para que pudéssemos descer na estação Diagonal, onde, ali perto, fica La Pedrera, a casa do arquiteto Gaudí. Trafegamos a pé pelo quadrilátero mais rico e elegante da capital catalã: Passeig de Gràcia. As grifes, os banquinhos no meio da avenida, os cafés que esbanjam boa-educação, logo bom-gosto. Não era necessário muito caminhar, pois logo chegamos a uma muvuca. “Deve ser ali”, eu disse. Assim que ali chegamos, percebi que algumas amigas não desejavam entrar. Fomos então, Felícia, Tais, Marcilene, Lúcia e eu. Com o cartão internacional do estudante ISIC paga-se sete euros para se aventurar na casa do arquiteto. Assim que adentramos no prédio, encantamo-nos com as curvas e o colorido que Gaudí esboçou. Embarcamos num elevador que nos deixava exclusivamente no andar que antecipava os castelos de areia, o terraço do prédio. Subindo as escadas ovais (é claro), desbravamos a obra. Dali, poderíamos enxergar boa parte da cidade, desde o mediterrâneo, azul-espelho do céu, até a basílica.
Certamente deste terraço Gaudí idealizava a Sagrada Família, a alguns quarteirões dali. Do outro lado, víamos a Torre Agbar, imenso torre fálica que colore Barcelona em suas quentes noites. O piso do terraço, de uma amarelo-areia, o sobe e desce de escadinhas, o cercado oval, o medo de cair de lá.
Em seguida, fomos navegando pela casa do arquiteto: tudo como no século XIX. O escritório com sua foto e seus livros, o quarto da empregada, o quarto de Gaudí, a cozinha com a mesa adornada de frutas, o frio banheiro social. Ainda tivemos tempo para a lojinha de souvenirs, que fica num dos aposentos. Para descer, aventurávamos pelas escadas, conhecendo os corredores daquele célebre edifício. Nas portas, os nomes dos antigos proprietários dos abandonados imóveis.
Assim que ganhamos a rua, encontramos as amigas que tinham desejado fazer um lanche. Contaram-nos, horrorizadas, que tiveram que pagar um euro para se sentarem numa das dispostas mesas dos cafés da calçada da fama.
Os aventureiros da casa de Gaudí, por moléstia e cansaço, jogaram-se num daqueles soberbos bancos. Na verdade, não eram tão soberbos, tornavam-se assim porque eram bancos da Avinguda Passeig de Gràcia. Averiguamos o roteiro de viagem, olhamos nossa posição no mapa, e decidimos que iríamos a outra obra de Gaudí (para dar uma variada). Park Güell.
Deixamos nos levar pela linha 3, em direção a Canyelles, onde desceríamos, antes, em Lesseps. Fomos andando por aquelas ruazinhas boêmias de Barcelona. Olhava para cima e disse para Lúcia que gosto de bairros altos, pois quanto mais alto, mais podemos apreciar a vista da cidade. Como num passe de mágica, uma placa de mostrou e anunciou que para chegar ao Park Güell tínhamos que entrar na próxima rua. Uma vez nesta, várias camadas de escadas rolantes se mostravam e nos dirigiam ao cume de um bairro. Estávamos encantados com aquela praticidade. Quando ao topo chegamos, pudemos ver a beleza da arquitetura, que muito identificou a cultura espanhola e catalã. Ao fundo, o mar mediterrâneo. Tivemos ainda oportunidade, entre risadas e gargalhadas (que não convém aqui relatar – pois são histórias de bastidores) subir a outro cume, a uma cruz, um símbolo, cujo significado ainda não pesquisei, e não sei porque estava lá. Mas nos aventuramos e juntos tiramos uma foto naquele pequena montanha (acima de outra montanha), pequena montanha esta desprotegida de qualquer deslize.
Continuando a aventura turística, permanecemos o trajeto daquele imenso parque. Certo momento, naquela mata, encontramos a obra propriamente dita de Gaudí. As pessoas descansavam, desfrutavam da liberdade, crianças corriam, turistas regozijavam. Tratava-se de um lugar amparado por linhas curvilíneas que subsistiam devido a cem colunas situadas num nível inferior. As passagens, as colunas, a LAGARTA, o museu.
Já estava anoitecendo, quando decidimos voltar a Barcelona-Sants, resgatar as malas e ir para o hotel, em Saint-Joan Despi. Para isso não pegamos o ônibus 157. Fomos de metro. Pegamos na linha 3, em direção a estação Zona Universitária, e desceríamos na estação de mesmo nome. De lá pegamos um elétrico.
Cheias de bolhas nos pés, as aventureiros iam puxando suas malas pelas ruas de Sanint-Joan Despi. Angustiadas, perguntavam-se onde deveria estar o hotel. Uma vez lá e devidamente acomodados, alguns foram jantar no restaurante do hotel. Outros, como Lindy, Cândida e eu, fomos ao supermercado e compramos sanduíches e bebidas não-alcoólicas.
Uma vez de banhozinhos tomados e alimentados, depositamo-nos em nossas alcovas e sonhamos com qual obra de Gaudí veríamos no dia seguinte.
Mal sabiam alguns dos integrantes da viagem, que passariam por momentos emocionalmente-trágicos no segundo dia da viagem à Barcelona.
Mas por enquanto eles dormiam, sonhando com a realidade recém-conhecida, Gaudí.
Fortes emoções barcelonescas na próxima postagem.
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