sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Confuso porém legítimo, normal como todo sentimento.

Estou aqui sozinho em meu gabinete. Estou aqui em meu gabinete pensando em ti. É hora do almoço, já comi meu tchê dog da 7 de setembro. Não fora tão bom quanto ontem; mas isso deve ao fato de termos dialogado ontem. Diálogos como sempre imperfeitos, limitados, limitados pelo tempo, pelo espaço, pela cidade, por nós. Pensando nisso lembro-me de Safo, a poeta que tinha ciúmes de uma mulher com outro homem. Ah, lembro-me quando o eu-lírico evocava a tecelã de intrigas, minha amiga Afrodite, que gosta tanto de uma batalha. Sim, diz-me ela, Safo, o amor é uma batalha. É uma guerra a ser travada dia a dia para que possamos conquistá-lo. Meus maiores inimigos são as barricadas que o tempo, o calendário, o maldito calendário, me impõem para te ver. Mas nos milésimos de segundo que posso te ter e acercar a respeito de teus olhares, para mim são torrentes de pequenas felicidades que coleciono toda a semana. Algumas mais solitárias outras mais sorridentes, outras aparentando uma indiferença. Os jogos que nos oprimem. Os defeitos que nos intranformam. Os erros de português que são propositais para que possamos criar uma linguagem mística, misteriosa, envolvente, sedutora. Ou um oi que poderia ser um simples oi, ou um oi que poderia ser um oi poético. Um sim, que pode ser um breve sim, ou um sim que pode ser duradouro, ou o sim, o mais terrível para mim, o sim que diz não. Mas esse não é necessário. Para que dizer não, se se pode dizer aceito. Sim, aceito. Convido-te e me aceites. Sim, aceitaste. Isso já fato. Demos um passo, um selar para o fim desta batalha que a deusa, aquela minha amiga, de inúmeras batathas, nos oferece. Que seja o fim de nossos mistérios, de nossas palavras reprimidas, de nossos medos cansados, de nossos pequenos-gozos.

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