quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Ela nos prende, nos encanta, nos amordaça, nos corroi, nos usurpa e nos rasga.
Agora a história acaba, bem quando iniciou. Como continuarei vivendo sem ti, querida Valência, com sua estação mais importante, a Benimaclet da linha 3 com correspondência com a linha 4, que me levava até a Tarongers, lugar que mal sabia eu que encontraria grandes personalidades, indivíduos que mudaram meu modo de ver o mundo? Cidade, cujos habitantes são os mais respeitosos, simpáticos e gritantemente solidários aos turistas perdidos pelo centro gótico-medieval, que ajudavam a encontrar o caminho para a Cidade das Artes e das Ciências, auxiliavam no museu da historia de Valência, sendo honestos, dando dicas, aqueles que deixavam de cuidar de seus filhos para atende-los, os turistas. Como vou viver o resto sem o Colégio Mayor Galileu Galilei? Habitados por estudantes espanhóis, tipicamente espanhóis fazendo badernas espanholas no refeitório. Ah, o refeitório. Lá gozavamos quando nos alimentávamos servidos de um café da manha que Paris não serve a seus passeantes. O que falar do almoço, do jantar? O que falar dos banhos de praia no mediterrâneo. Quantas lágrimas produzi hoje! Sofro, sim, sofro porque não estarei mais em teus braços, sem mal ter me tido neles. Sofro porque sua historia, minha historia, nossa historia estão distantes. Vivo lá em baixo, enquanto tu vives escondido sem nunca tê-la visto e me arrebatou os sentidos, deixando-os em frangalhos. Nunca na minha vida sai comendo na rua com um saco cheio de azeitonas. Sim, eu o fiz, fiz por ti Valência. Somente tu podes me proporcionar o prazer de conhecer teu mercado central, tão diferente do meu, tão mais luxuoso, mais limpo e que me proporciona por apenas um euro um saco de azeitonas. E o supermercado Mercadona, que fica perto da Vniversitat de Valencia – Facultat de Filologia Românica comprei itens de higiene pessoal, champu, por míseros 1,25 €, 10 pacotinhos de lenço para minha riniti, por baixos 1,25€, desodorante por 0,75€, entre outros preços. Na faculdade tive o prazer de tirar uma foto com nada mais nada menos que Cesário Calvo e Inmaculada Carrasquer, dois dos organizadores do Congresso de Filologia Românica que me proporcionaram uma bolsa para participar do evento. Essa bolsa concedida a mim contemplava hospedagem, alimentação, taxa de inscrição de elementares €90. Mas falando em hospedagem tive que dividir apartamento com um desconhecido, que hoje é muito conhecido. Mas disso falo em outra hora. Mas esse é o meu desabafo, depois de muitas lágrimas, que me fazer abandonar Valência, e lembrar do quanto sou espanhol e do quanto sou valenciano. Nem Paris me encantou tanto como Valência, contudo posso dizer que as marcas que Valência me deixou foram cortadas profundamente e oro para que a razão de viver no Brazil se reequilibre, pois agora tenho duas vidas, àquela em que procurava um lugar que se adequasse as minhas expectativas e a futura, quando após ter vivido num lugar do mediterrâneo. Não quero ver os passarinhos que gorjeiam por lá. Pronto, as lágrimas secaram após meu momento de desabafo, pois sair de Valência não é fácil. Ela nos prende, nos encanta, nos amordaça, nos corroi, nos usurpa e nos rasga.
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Oi, meu querido e mais fofo amigo, chorei ao ler seu relato e dabafo. Chorei porque de alguma forma estou numa DPV, demorei para enternder porque estou tão sensível a tudo o que tem me acontecido depois que voltamos. Mas ao ler acho tão absurdo não termos aproveitado mais...mais e muito mais.Termos que voltar a nossas vidinhas e suportar atividades medíocres, aulas insuportáveis e pensamentos pequenos. Te amo coração, e posso entender parte de seu sofrimento, não tudo, porque tenho certeza que sua dor é maior.
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