Uma certa grande dose de melancolia acaba por nos acompanhar nessa busca remada por respostas. Tudo o que temos é o vento. E ainda um vento mascarado de infelicidade. A felicidade toca a campainha, mas nossa porta possui grades cujas chaves nos mesmos escondemos. Ninguém entra. Ninguém sai. Até que o tempo diga, sem nenhum vento, que estamos prontos. É nessa hora que o medo nos embriaga de dúvidas. Os temores de uma felicidade garantida nos tiram de uma rotina de incertezas sem pés no chão. Nessa hora, de felicidades infindas, sejam elas fugazes ou não, nos aprisionam tanto quanto a liberdade de querer um sim. É sofrido viver. Daríamos razão a Werther por sua inteligente conclusão? O ideal era que as palavras, lidas e escritas, faladas e escutadas, não fossem veladas perante tantos neurologismos doentios que vivemos hoje, ontem, anteontem. Queria matar esse amor-paixão que há em mim para que a razão voltasse a pulsar em meu cérebro e meu amor próprio, esse sim possível, dominasse minhas mãos, meu olhar, meus passos. De ti, não quero mais nada a não ser o beijo repensado, o sorriso espinhoso que sangra minha legalidade. Quero voltar a respirar, quero voltar a ser eu. E para isso, nem que eu tenha que mentir para mim mesmo, e para ti, digo: "Saia, mas não te vá. Fique aqui em silêncio confuso". Em silêncio já estamos. E isso nos machuca. Estamos mentindo para quem? O quadro já está desnudado perante todos. Werther, cego, já nos enxergou. E como ele, um jovem apaixonado, torce por nós entre as letras sofregas de um herói sem futuro. Venha tempo. Venha devagar. O sonho sem realidade é o que me faz feliz. O não viver me alimenta, me comporta, me deixa cheio de esperança. É para isso que estou aqui. Para viver, sem viver. Eu comigo mesmo. E isso não é fácil.
Mesmo afastados, estamos em plena sintonia, caro amigo - Werther, tu e eu.
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