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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
DISCURSO DO PROFESSOR PARANINFO AOS ALUNOS DA TURMA 82/2012
Como sou um
professor de Língua Portuguesa e Literatura, sou um homem que conta histórias.
E nesta noite, 82, contarei a nossa história.
Jamais
poderei esquecer o dia que entrei na sala 13, no último período, de uma
segunda-feira, quando os alunos da antiga turma 72, em 2011, acabaram de sair
de dois períodos de Educação Física. Eu, o professor de Língua Portuguesa, num
curto espaço de tempo, um período, o último daquela manhã, tinha que se
apresentar e fazer com que se sentissem à vontade com aquele novo professor.
Fiquei a observá-los, sorriam, gargalhavam, pulavam e gritavam. Imediatamente falei:
“Trata-se de uma turma feliz”. Alguns gargalharam e uma respondeu: “Aqui nessa
sala ninguém é feliz”. Naquele exato instante, naquele exato exemplo, notei um
traço daquela turma: ELES TERIAM QUE ENXERGAR A FELICIDADE DENTRO DELES. A
FELICIDADE QUE NÃO CONSEGUIAM VER. Ali, naquela manhã de 04 de abril de 2011,
minha batalha pessoal teve um objetivo traçado.
Claro, que
para chegar à vitória, um longo caminho, um longo treinamento teria que ser
dado. Muito tive que ser antipático, deselegante. Briguei muito com essa turma.
Foi o meu maior desafio. O meu objetivo, no decorrer da trajetória, estava com
imensa dificuldade de se concretizar. Mas eu ensino que jamais devemos desistir
de nossos sonhos, de nossos projetos. E esse também foi um aprendizado a ser
anotado: jamais desistir. Mas eles ainda duvidavam de suas capacidades.
Duvidavam daquele professor-brigão que deseja colocá-los na linha. Duvidavam
deles próprios.
Professor Divo, como dizem os alunos
Caras-pintadas
Depois de
muito velejar ao lado de Caronte e trafegar, acompanhado de Dante Alighieri
rumo ao paraíso, um mudança de comportamento ocorreu com esses formandos. Um
ano depois tudo mudou. Passaram a sorrir com leveza para o professor. E as
aulas passaram a ficar surpreendentes. Quem não se lembra do nascimento do
nosso saudoso Adjetivo? Sim, em nossas aulas, foi dado à luz a um adjetivo, que
ao crescer se tornou uma oração subordinada adjetiva. Quem não se lembra da
aula do POR CAUSA QUE não existe? O professor enlouquecido com o mais comum dos
erros de português, na língua falada, escandalizou em mais uma aula. Alguns
deles, guerreiros de caras-pintada, escreveram em seus rostos a expressão POR
CAUSA QUE NÃO EXISTE. E a nossa aula em que tomamos o Chá Valério, o chá da
poesia? Tão boas nossas aulas. O clima era cada vez melhor. Percebi que as
coisas estavam mudando, quando ouvi um aluno a dizer: “Fica, sor, dá mais um
período para nós”.
Tomando Chá Valério
Certo dia,
queriam ser campeões. E pediram que eu os ajudasse a chegar ao sucesso. Pediram
uma ajuda. E uma ajuda teriam. Como disse o autor da Arte da Guerra Sun Tzu, “A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a
vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota”. Nessa premissa, incentivei-os a criar estratégias e teriam
que cumpri-la com muita disciplina. Como disse o professor, o Sr. Wenger, do
filme A ONDA, “disciplina é poder”. Vestidos de branco, com o símbolo d’A Nova
Onda, decidiram fazer a onda do bem.
Comissão
Ensaiando Flash Mob
Os campeões masculino e feminino do FUTCESI 2012
Em ação, rumo à vitória
E ficaria a pergunta, inspirada na música
desta turma, música que todos puderam ouvir, quando estes vencedores entraram
por aquele arco. A música chama-se Long Live, poesia interpretada por Taylor
Swift. Parafrasearei agora. Lembrem-se desse momento, nosso último juntos. A multidão
de familiares e amigos está a enxergar os grandes vitoriosos, os reis e
rainhas, cujos nomes foram aclamados pelos
que estão aqui presentes. Vocês estão a entrar numa nova era, novas
descobertas, novas experiências. E hoje vitoriosos brindemos: “Viva às
barreiras que atravessamos! Viva à magia que fizemos!”. Muitos puderam não
acreditar e achar um absurdo o que fizemos. Encantamos a plateia, a cidade e
mudamos o modo do mundo pensar. Vocês próprios deveriam se questionar, como se
fossem Bastardos Inglórios que eram: “Por que nós, que andamos de jeans rasgados, não podemos ganhar o
mundo?”. O mundo foi o que ganhamos. Eu tive o melhor momento da minha vida
lutando com vocês. Porque a luta de vocês era a minha luta. A luta foi árdua.
Posso dizer que consegui. Ganhamos muitas medalhas, alcançamos o cume da
montanha. E hoje, mais que natural, estamos a receber nossos prêmios.
EQUIPE CAMPEÃ
Viva às barreiras que atravessamos!
E com
isso nossa história acaba aqui. Desde modo, ainda aqui, no ladinho de vocês,
digo que a vida nos força uma despedida. Como disse Mário Quintana, “só peço
que me esqueçam, mas bem devagarinho”. Evoluímos, nadamos, corremos o mundo com
nossas histórias. O povo nos olhou e continua a nos olhar emocionados por quem
nos tornamos. Lutamos contra uma montanha de fogo chamada Fire Whip, lutamos
contra as ondas de Camboriú e dizemos: “Continuemos a nadar”. A 82 aprendeu em
2012, um dos grandes anos de suas vidas, que sonhar é possível. Que é possível
encontrar dentro de si a felicidade. Olhar para a pessoa que está a seu lado e
sorrir e dizer: “Estou aqui e estou feliz”. Caros familiares, não preciso lhes
dizer que devem cuidem destes jovens preciosos. Não percam as esperanças neles.
Sou vosso aliado para que consigam chegar ao impossível. E o impossível eles
mesmos já provaram que é possível chegar. Como já disse o escritor francês
Anatole France: “É-se rebelde, quando se é vencido. Os vitoriosos nunca são
rebeldes”.
Sou grato,
meus afilhados. Sou grato por tudo o que vivemos. Jamais pensei estar aqui. Quem
diria que o terrível vilão estaria homenageando-os? Nossa história merecia ser
contada. “O
valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que
acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e
pessoas incomparáveis.” Meus queridos, agora estão prontos para
continuar a caminhada. Caminhada esta sem mim. Sejam fortes e continuem
acreditando em vocês. E quando o desespero aparecer, lembre-se de nossas aulas,
de nossas batalhas, de nossas histórias e do nosso verso: “Somos a nova onda e
viemos pra ganhar”
Homenagem ao Professor - Quebra de protocolo!
Alunos subiram no palco para cumprimentar o paraninfo
Evolução que todo professor deseja. Eles quiseram. E eu consegui. Obrigado!
Lindoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo amei!
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